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Poseidon

GRAVES, Robert. The Greek myths: the complete and definitive edition. Reissued in this edition 2017 ed. London: Penguin Books, 2017.

  • Partilha cósmica do poder após a deposição de Cronos
    • A divisão do mundo entre Zeus, Poseidon e Hades estabelece uma ordem tripartida do cosmos, na qual o céu, o mar e o mundo subterrâneo são atribuídos por sorteio.
    • A terra permanece como domínio comum, indicando uma soberania ainda não plenamente diferenciada.
    • Poseidon é apresentado como igual a Zeus em dignidade, mas inferior em poder efetivo, o que fundamenta estruturalmente seu caráter conflitivo.
    • Sua natureza sombria, colérica e beligerante manifesta-se desde o início como traço essencial de sua atuação mítica.
  • Fundação do reino marítimo e simbolismo do poder oceânico
    • A construção do palácio submarino em Aigai, junto à Eubeia, expressa a instauração de um centro régio no domínio marinho.
    • Os cavalos de casco de bronze e crinas de ouro simbolizam a força indomável e ordenadora do deus.
    • O carro dourado, cuja aproximação apazigua tempestades e atrai monstros marinhos, indica o poder de Poseidon de submeter o caos aquático à sua presença.
  • Busca por uma consorte adequada ao domínio marinho
    • A necessidade de uma esposa adaptada às profundezas do mar revela a exigência de consonância ontológica entre soberano e consorte.
    • A desistência de Tétis, motivada pela profecia de que seu filho superaria o pai, mostra o limite imposto ao desejo pelo destino.
    • O casamento de Tétis com um mortal desloca o perigo do excesso divino para a esfera humana.
    • A resistência inicial de Anfitrite e sua fuga expressam a repulsa diante da violência possessiva do deus.
    • A mediação de Delfino introduz a persuasão como alternativa à força bruta.
    • A elevação de Delfino à condição de constelação manifesta a gratidão divina e a inscrição do evento na ordem celeste.
  • Prole legítima e desordem conjugal
    • Os filhos Tritão, Rodes e Bentésicime representam uma tríade associada ao mar.
    • As múltiplas relações amorosas de Poseidon reproduzem, em escala marítima, o padrão de infidelidade olímpica.
    • O ciúme de Anfitrite culmina na transformação de Cila em monstro, evidenciando a metamorfose como instrumento de vingança divina.
    • A monstruosidade de Cila traduz a degradação de uma potência feminina marinha em ameaça liminar.
  • Ambição territorial e conflitos com outras divindades
    • A reivindicação da Ática por meio do tridente afirma a soberania violenta e imediata de Poseidon.
    • A água salgada jorrando da acrópole simboliza um dom estéril, ligado à força, mas não à fecundidade.
    • A intervenção de Atena, mediante o plantio da oliveira, introduz um modelo alternativo de posse, baseado na utilidade e na paz.
    • O conflito entre força e sabedoria é resolvido por arbitragem, não por combate direto.
    • A divisão do voto entre deuses e deusas revela uma clivagem simbólica entre princípios masculinos e femininos.
    • A vitória de Atena funda uma hierarquia de dons em que a civilização supera a violência.
  • Retaliação e acomodação política
    • A inundação da planície triasiana expressa a vingança cósmica do deus frustrado.
    • A transferência da cidade para Atenas indica adaptação humana à hostilidade divina.
    • A supressão do voto feminino e da linhagem materna funciona como concessão política ao patriarcado olímpico.
    • O mito articula, assim, transformação religiosa e reorganização social.
  • Disputas sucessivas por cidades e territórios
    • A partilha forçada de Trezena evidencia a insatisfação de Poseidon com soluções conciliatórias.
    • As tentativas frustradas de tomar Egina, Naxos e Corinto reforçam seu papel como divindade contestadora.
    • O julgamento do conflito em Argólida por deuses-rio introduz uma instância natural como árbitro.
    • A punição dos rios pela seca revela a capacidade de Poseidon de agir por inversão, negando a água.
    • A exceção concedida a Amimone demonstra a persistência do favor pessoal dentro da justiça vingativa.
  • Criação do cavalo e erotismo violento
    • A reivindicação da criação do cavalo associa Poseidon à potência vital e ao movimento.
    • A disputa simbólica com Atena pela invenção do freio opõe controle racional e força instintiva.
    • A perseguição de Deméter metamorfoseada em égua manifesta a violência do desejo divino.
    • A união forçada gera seres ambíguos, entre divindade e animalidade.
    • A ira duradoura de Deméter, venerada como Fúria, fixa o trauma mítico no culto local.
  • Interpretação estrutural dos mitos
    • As narrativas matrimoniais refletem conflitos entre antigas divindades femininas e novos deuses patriarcais.
    • Os mitos de disputa territorial codificam processos históricos de conquista e substituição cultual.
    • A associação entre cavalos, lua e água remete a sistemas simbólicos pré-helênicos.
    • A apropriação dos cultos do cavalo indica a dominação política e religiosa dos centros sagrados.
    • A figura de Deméter-Fúria preserva a memória da resistência cultural e da violência da integração.

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