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Asno de Ouro I
Livro I
Argumento
Lucio Apuleyo, desejando aprender magia, foi para a província da Tessália, onde essas artes eram conhecidas; no caminho, juntou-se um terceiro companheiro aos dois viajantes e, enquanto caminhavam, contavam certas coisas maravilhosas e incríveis sobre um feiticeiro e duas bruxas chamadas Meroe e Panthia. Depois, conta como chegou à cidade de Hipata e ao seu hospedeiro Milón, e o que lhe aconteceu na primeira noite em sua casa. Leia e verá coisas maravilhosas.
Arte das Metamorfoses e Crônicas de Tessália: O Relato de Lúcio
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Proêmio e Identidade do Narrador na Tradição Milesiana
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Invocação ao leitor para percorrer o papiro egípcio escrito com a fina cana do Nilo
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Apresentação da linhagem do autor: raízes no Himeto ático, no istmo de Efirea e no espartano Ténaro
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Aquisição da língua grega na infância e o árduo aprendizado do latim na capital do Lácio
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Justificativa do estilo exótico: a mudança de idioma como reflexo da mutabilidade das formas humanas
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Reivindicação de parentesco com o célebre Plutarco e o filósofo Sexto por linha materna
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Reflexão sobre mutabilidade: a premissa de que a identidade não é estática, mas um fluxo de formas que retornam ao estado primitivo.
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Jornada a Tessália e o Encontro com os Viajantes
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Viagem por montanhas altas, vales úmidos e campos cultivados montado em um cavalo branco
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Interrupção de uma conversa entre dois companheiros de rota sobre fatos sobrenaturais
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Expressão da curiosidade de Lúcio: o desejo de aliviar a ruda pendente com a amenidade de uma história
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Defesa da realidade dos prodígios contra o ceticismo do entendimento obtuso e dos preconceitos
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Relato do malabarista em Atenas como prova visual da possibilidade de fenômenos extraordinários
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Reflexão epistemológica de Lúcio: a limitação da inteligência humana em considerar mentira tudo o que nunca viu ou ouviu, ignorando que a realidade excede o alcance da razão ordinária.
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O Relato de Aristômenes: O Destino de Sócrates e a Magia de Méroe
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Identificação de Aristômenes de Égio, comerciante de mel e queijo pelas regiões da Beócia e Tessália
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Encontro em Hipata com o amigo Sócrates, reduzido a um estado de mendicância e palidez cadavérica
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Revelação da desgraça de Sócrates: o cativeiro amoroso sob o domínio da taberneira e feiticeira Méroe
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Catálogo dos poderes de Méroe: rebaixar o céu, suspender a terra, petrificar águas e iluminar o Tártaro
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Descrição das metamorfoses vingativas: amantes transformados em castores, rãs e carneiros defendendo pleitos
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Reflexão de Sócrates sobre a Fortuna: a alma humana como joguete das “volúveis peripécias da fortuna”, cujos vaivéns caprichosos podem despojar o homem de sua dignidade em uma única noite.
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O Atentado Noturno e o Ritual das Feiticeiras
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Pânico de Aristômenes ao ouvir sobre o cerco mágico de Méroe à cidade e o transporte de casas inteiras
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Intrusão violenta de Méroe e Pântia no quarto da estalagem durante a noite
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Assassinato ritual de Sócrates: a espada cravada no pescoço e a extração do coração para o odre mágico
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Uso da esponja marinha para estancar a ferida sob o comando de não tocar em água de rio
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A humilhação de Aristômenes: transformado em “tartaruga” sob o catre e inundado por fluidos imundos
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Reflexão sobre a percepção contraditória: a observação de que certas emoções manifestam efeitos opostos, como o riso que brota em meio à angústia mortal de se ver transformado em bicho.
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O Falso Despertar e a Morte Final na Orla do Rio
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Despertar de Sócrates na manhã seguinte, aparentemente intacto e sem marcas de ferida
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Tentativa de Aristômenes de interpretar a noite como um pesadelo causado pelo excesso de vinho
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A jornada matinal até o plátano e a súbita sede de Sócrates que desencadeia a catástrofe
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Abertura da brecha no pescoço ao tocar a água: a queda da esponja e o falecimento definitivo
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Sepultamento de Sócrates em terra arenosa e a fuga de Aristômenes para o exílio voluntário na Etólia
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Reflexão onírica e somática: o debate interno sobre como um estômago atiborrado de comida e bebida projeta tragédias e pesadelos, borrando a linha entre o sonho e a vigília.
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Chegada de Lúcio a Hipata e a Estadia em Casa de Milão
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Conclusão da viagem de Lúcio e a recepção cética da fábula pelo outro companheiro de rota
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Entrada em Hipata e busca pela residência de Milão, caracterizado por sua extrema avareza e usura
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Encontro com a serva Fótis e a recepção austera na mansão desprovida de mobiliário e fumo
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Comparação irônica com a hospitalidade de Hécale para com o herói Teseu
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O incidente do mercado: o peixe confiscado e destruído pelo edil Pítias em um gesto de rigor administrativo
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Recolhimento de Lúcio ao descanso, alimentado apenas pelos contos e exausto pela loquacidade do anfitrião
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Reflexão existencial de Lúcio: a aceitação de que “nada é impossível” na vida dos mortais, pois tudo discorre segundo decretos do destino, sendo o ouvido o verdadeiro veículo para as experiências da alma.
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