Temática Platão
VIEILLARD-BARON, Jean-Louis. Platon et L’Idéalisme Allemand (1770-1830). Paris: Éditions Beauchesne, 1979
Variações sobre o tema de Platão
1. Diferentemente dos neoplatônicos, Platão sempre conservou um valor emblemático mesmo quando mais esquecido, tendo servido, ao longo de grandes guerras teológicas na primeira metade do século XVIII, tanto de símbolo de corrupção do cristianismo autêntico quanto de pagão quase cristão, condição que preparou o terreno para sua reabilitação com o avanço da ideia de tolerância.
2. O renascimento dos estudos platônicos, atestado por uma grande edição nova do texto original e da tradução latina de Marsílio Ficino, tem sua raiz no retorno ao humanismo tradicional promovido por Herder e Lessing, movimento que restituiu ao grego lugar honroso no ensino e que se prolonga na atenção dada por Winckelmann e Lessing à beleza da estatuária antiga como Ideia platônica transcendente.
3. O recurso a Platão tornou-se necessário para os letrados das últimas décadas do século XVIII independentemente de suas convicções filosóficas ou religiosas, manifestando-se tanto em Mendelssohn e Eberhard, de obediência wolffiana, quanto em Tennemann, de inspiração kantiana, além de pensadores independentes como Hemsterhuis e Stolberg.
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Mendelssohn inspira-se livremente em Platão em seu Fédon a favor de uma filosofia wolffiana, e seu discípulo Eberhard fará conhecer os diálogos a Morgenstern e a Schleiermacher
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Tennemann compreende o pensamento platônico do ponto de vista kantiano, ainda que mesclado de elementos tradicionais na interpretação da noção de ideia
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Kleuker aproxima-se de Platão sob a influência de Herder combinada ao gosto pela tradição teosófica
4. Através dessa rica diversidade de renascimento distinguem-se tendências interpretativas de sucesso desigual, sendo a mais antiga a modernização de Platão empreendida por Mendelssohn, Eberhard e Engel, cujo interesse hoje é apenas histórico, ao passo que o esforço de Tennemann, mais sistemático, permanece digno de consideração apesar de sua interpretação frequentemente esquemática e deformada pela rigidez dos conceitos kantianos.
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Kleuker volta-se para Platão como historiador das religiões, ligando o platonismo ao zoroastrismo e à teosofia moderna de Jacob Böhme a Saint-Martin
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o impulso decisivo veio de Hemsterhuis, cujos diálogos, traduzidos ao alemão por Amalia de Gallitzin e Jacobi, tiveram eco excepcional ao mostrar a atualidade de Platão por sua doutrina e por seu exemplo
5. O princípio desta investigação foi afastar sistematicamente as simples alusões a Platão bem como os estudos demasiado parciais, privilegiando antes os autores que consagraram parte de sua vida a Platão e que representam, cada um, um dos grandes aspectos de sua herança, segundo as duas direções fundamentais já indicadas: a de um Platão racionalista e a de um Platão iniciático.
