Tipos Humanos
GARCÍA BAZÁN, Francisco. Plotino y la mística de las tres hipóstasis. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: El Hilo De Ariadna, 2011.
No curso de 256-257, ao tratar pela primeira vez do modo como o mundo sensível é imagem procedente do cosmos inteligível — eixo de reflexão de Enn. V,9 (5) — Plotino retoma dois motivos escolares familiares para tornar o tema acessível aos alunos.
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O primeiro motivo é a doutrina tradicional no helenismo dos três tipos de homens: o sensível, que como os pássaros cheios de terra não pode se elevar; o psíquico ou racional, incapaz de ir além das atividades práticas; e o intelectivo, subordinado à realidade inteligível, capaz de vislumbrar a região da verdade.
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O segundo motivo é a determinação de como é o mundo do Intelecto, ao qual — como já ensinado em Enn. I,6 (1) — se chega ascendendo pela série gradual das belezas inferiores até o Noûs ou à Beleza em si.
Pela terceira vez, Plotino sublinha a superioridade do Bem — o Primeiro, Princípio primeiro — situado “além do Intelecto (noú epékeina)”, sem ainda desenvolver o exame circunstanciado dessa tese.
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“O filósofo ascende até a causa das belezas que há na alma e, se é possível, até o que é anterior a esta, até chegar ao Primeiro como meta, que é Belo em si mesmo.”
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“O Intelecto, o que o é de verdade, não pode ser em um momento Intelecto e em outro, não. Ele, portanto, é belo em si mesmo.”
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“O Intelecto está colocado com certeza diante do primeiro Princípio em relação a nós, como anunciando todas as coisas em si no vestíbulo do Bem e como selo dAquele no múltiplo, enquanto Ele melhor permanece inteiramente em unidade.”
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Plotino responde sem longas explicações à sua própria interrogação: “Devemos examinar, sem embargo, esta natureza inteligível, a que nossa doutrina expõe como o ser que realmente é e a essência verdadeira.”
Além da fórmula técnica do Bem “além do Intelecto”, escapam ao pensador neoplatônico algumas indicações suplementares: o Intelecto está diante do Bem como sua impronta múltipla; o Bem é Unidade mais completa; e o Intelecto se assimila ao Uno em si do Parmênides — tudo isso reiterado, mas não desenvolvido em detalhe.
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Persiste uma ambiguidade doutrinária não esclarecida: a identidade Bem/Beleza, em acordo com a mentalidade fortemente experiencial que preside as lições ainda não firmemente analíticas desses primeiros anos de labor oral e escrito de Plotino.
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Essa incerteza será logo superada no plano teórico.
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O problema filosófico permanece flutuando na atmosfera meditativa: se o Intelecto é uma unidade múltipla, a pergunta se formula sem rodeios — como o múltiplo vem do Uno? — e as respostas sucintas não poderão mais se dilatar por muito tempo.
