neoplatonismo:proclo:daemon
Dæmon
Comentário de Proclus ao Primeiro Alcibíades, tr. Thomas Taylor
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Divisão metodológica do discurso
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Primeiro: sobre daemones em geral
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Segundo: sobre os daemones alocados aos humanos em comum
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Terceiro: sobre o daemon de Sócrates
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Princípio: começar do universal, proceder ao individual (modo natural, adaptado à ciência)
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Origem e natureza geral dos daemones
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Subsistência primeira derivada da deusa vivífica (Rhea/Cibele?), fluindo dela como de fonte
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Essência caracterizada pela alma (empsychos ousia)
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Hierarquia interna:
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Ordem superior: mais intelectual, mais perfeita segundo hyparxis
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Ordem média: mais racional
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Terceiro grau (extremo da ordem daemônica): variada, mais irracional, mais material
Distribuição conjunta com os deuses: potência ministrante à divindadeSubserviência dupla:-
Aos deuses libertados (apolytoi theoi): líderes dos todos anteriores ao mundo
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Aos deuses mundanos (kosmikoi theoi): presidem proximamente sobre partes do universo
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Divisão e função dos daemones em relação aos deuses
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Uma divisão segundo os doze deuses supercelestes
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Outra segundo todos os idiomas (idiotetos) dos deuses mundanos
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Cada deus mundano é líder de uma ordem daemônica, impartindo sua potência próxima (demiúrgica, imutável, teleúrgica/perfeccionadora)
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Multidão inumerável de daemones ao redor de cada divindade, dignificados com os mesmos nomes que seus deuses líderes (Júpiter, Apolo, Hermes, etc.)
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Regozijam-se ao ser chamados por esses nomes, expressando idioma de suas divindades próprias
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Através deles, naturezas mortais participam de influxos divinos; animais e plantas fabricados, carregando imagens de diferentes deuses
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Daemones impartem proximamente as representações de seus líderes; deuses presidem supernalmente de modo isento
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Simpatia universal: representações dos primeiros vistas nos últimos, causas dos últimos compreendidas nos seres primários
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Função mediadora dos daemones
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Geração média de daemones dá complemento aos todos, liga e conecta sua comunhão
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Participam dos deuses, são participados por naturezas mortais
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Timeu estabelece centros da ordem do universo em daemones; Diotima atribui-lhes ordem de ligar naturezas divinas e mortais
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Atividades: deduzir sonhos supernais, elevar naturezas secundárias aos deuses, completar todos através da conexão de um meio
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Refutação de concepções errôneas sobre daemones
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Não são almas de homens que mudaram a vida presente (natureza daemônica por hábito vs. essencial)
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Guarda daemônica subsiste sempre a mesma, conecta os todos mundanos; alma não mantém sempre sua ordem (escolhe vidas diferentes)
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Preservar doutrina de Diotima: ordem média entre todas as naturezas divinas e mortais atribuída a uma essência daemônica
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Hierarquia dos daemones alocados à humanidade (seis ordens)
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Primeira (mais alta): daemones divinos, frequentemente aparecem como deuses por similitude transcendente; uniformes e divinos, próximos aos deuses
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Segunda: participam de um idioma intelectual, presidem ascensão e descenso das almas, desdobram e entregam produções dos deuses
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Terceira: distribuem produções de almas divinas a naturezas secundárias, completam vínculo dos que recebem defluxos
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Quarta: transmitem potências eficazes de naturezas totais a coisas geradas e corruptíveis, inspiram naturezas parciais com vida, ordem, razões, operações perfeitas
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Quinta: corpóreos, ligam extremos em corpos; domínio sobre bens corpóreos, provisão para prerrogativas naturais
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Sexta: revolvem-se em torno da matéria, conectam potências que descem da matéria celestial à sublunar, guardam perpetuamente essa matéria, defendem representação sombria das formas que contém
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Daemones e almas humanas
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Daemones divinos (os mais altos) conjunam almas procedentes de seu pai a seus deuses líderes; toda alma requer um daemon deste tipo
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Daemones de segunda classe presidem ascensos e descensos das almas; daí almas da multidão derivam suas eleições (escolhas de vida)
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Almas perfeitas (vida conforme deus presidencial) vivem segundo um daemon divino que as conjuntou à sua divindade no alto (ex.: sacerdote egípcio admira Plotino)
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Almas imperfeitas: essencial diferente do daemon que as acompanha no nascimento
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Distinção entre daemon e alma racional humana
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Daemon diferente do homem (Diotima coloca daemones entre deuses e homens; Sócrates opõe natureza daemônica à humana)
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Homem é alma usando o corpo como instrumento; daemon não é a mesma coisa que alma racional
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Referência ao Timeu: intelecto tem em nós relação de daemon (apenas por analogia)
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Diferença entre daemon segundo essência e daemon segundo analogia ou hábito (kata schesin)
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Daemon essencial definido por cume ou flor da essência (hyparxis), potências apropriadas, modos de energias
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Alma racional chamada daemon do animal no Timeu; investiga-se o daemon do homem, que governa a alma racional, conduz à julgamento após morte
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Refutação de identificações incorretas do daemon
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Não é parte da alma (razão, irascível, desejativo) – opõe divisão de Sócrates na República (deuses, daemones, heróis, homens)
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Não é intelecto parcial ou no extremo da ordem intelectual (confunde idioma intelectual com essência daemônica; daemones subsistem na extensão das almas, próximos a almas divinas)
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Alma goza intelecto apenas quando se converte a ele; experiência cuidado presidencial daemônico por toda vida, em tudo que procede do destino e da providência
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Função providencial do daemon alocado
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Governa toda vida, cumpre eleições prévias à geração, dons do destino e deuses presidindo o destino
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Fornece e mede iluminações da providência
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Como almas, suspensos do intelecto; como almas usando corpo, requerem auxílio de daemon
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Intelecto é governador da alma (Fedro); daemon é inspetor e guardião da humanidade
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Única e próxima providência de tudo pertinente a nós: move, governa, dispõe ordenadamente todos nossos assuntos
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Perfecciona razão, mede paixões, inspira natureza, conecta corpo, fornece coisas fortuitas, cumpre decretos do destino, imparte dons da providência
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Rei de tudo em e ao nosso redor, piloto de toda nossa vida
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Três considerações sobre o daemon de Sócrates
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Primeira: não apenas classifica como daemon, mas também como deus (referência ao diálogo: “o deus ainda não me dirigiu”)
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Daemones de almas divinas que escolhem vida intelectual e anagógica são divinos, transcendem todo gênero daemônico, primeiros participantes dos deuses
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Por sua transcendência sobre outros daemones, frequentemente aparecem como deuses
Segunda: Sócrates percebeu uma voz (phone) procedente de seu daemon (Teeteto, Fedro, Theages)-
Sinal (semeion) do daemon
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Explicação: inspiração daemônica através de poder dianoético e ciência de Sócrates, iluminando toda sua vida até os órgãos dos sentidos
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Voz reconhecida mais por consciência (synaisthesis) que pelo sentido
Terceira: peculiaridade do daemon de Sócrates – nunca exortava, apenas recordava (apotreptikos, não protreptikos)-
Referência à vida socrática: disposição benéfica e filantrópica, prontidão para comunicação do bem não exigia exortação
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Inaptidão de ouvintes, oculta à sagacidade humana, requer discriminação daemônica; conhecimento de oportunidades favoráveis
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Sócrates impelido naturalmente ao bem, necessitava ser recordado em impulsos inoportunos
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Daemon de Sócrates de poder catártico e fonte de vida indefectível, arranjado sob potência de Apolo, presidindo toda purificação
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Separava Sócrates de comércio excessivo com o vulgo, conduzia às profundezas de sua alma, energia indefectível por naturezas subordinadas
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Recordar = retirar da multidão para energia interior; peculiaridade da purificação
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Analogia órfica: monada apolínica sobre o rei Baco, recordando-o de progressão em multidão titânica; daemon análogo a Apolo, intelecto de Sócrates à progênie do poder de Baco
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