TRATADO 44 (VI, 3) - AS CATEGORIAS DE SENTIDO PRÓPRIAS DE PLOTINO
Enéada I,1
Brisson & Pradeau
BP
Capítulos 1 a 3. Introdução. Os gêneros do ser ou as categorias no sensível.
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Cap. 1. Problema geral.
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Cap. 2. Questões de método.
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Cap. 3. Classificação das qualidades sensíveis em relação aos cinco gêneros do ser no mundo sensível.
Capítulos 4 a 10. A realidade.
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Cap. 4 a 8. Unidade da realidade sensível como gênero.
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Cap. 4, 1-36.
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Cap. 4, 1-7. O caráter comum não é o de ser substrato; ver a objeção (4, 26-36).
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Cap. 4, 7-26. O caráter comum: não é o de ser predicado de nada.
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Cap. 5. Os caracteres que acabaram de ser mencionados são caracteres comuns, mas não caracteres próprios.
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Cap. 6. A realidade é o ser tomado absolutamente, ou seja, o inteligível do qual participa o sensível.
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Cap. 7. É preciso, portanto, abandonar a análise aristotélica da realidade em forma, matéria e misto.
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Cap. 8. A realidade sensível é apenas uma sombra da realidade inteligível.
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Cap. 9 e 10. Divisão da realidade sensível em espécies.
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Cap. 9, 1-18. Critérios possíveis para a divisão.
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Cap. 9, 18-42. Crítica à divisão da realidade em “primeira” e “segunda”.
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Cap. 10. Novos critérios de divisão.
Capítulos 11 a 15, 23. A quantidade.
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Cap. 11 a 14. Extensão da quantidade.
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Cap. 11. Não pertencem à quantidade o lugar e o tempo, mas o grande e o pequeno.
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Cap. 12. O discurso não pertence à quantidade, mas ao movimento.
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Cap. 13. Sobre o número.
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Cap. 14. Sobre a figura.
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Cap. 15, 1-23. O igual e o desigual são próprios da quantidade.
Capítulos 15, 24 a 20, 42. A qualidade.
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Cap. 15, 24-16, 7. O que ela é: uma “razão” (lógos).
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Cap. 16, 7-47. Dificuldades relativas à explicação da qualidade pela razão.
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Cap. 17 e 18. Que divisões introduzir na qualidade sensível?
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Cap. 19. Novos problemas.
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Cap. 20. Certas qualidades não têm contrário.
Capítulos 21 a 27. O Movimento.
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Cap. 21, 1-4. Introdução.
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Cap. 21, 5 a 27. Desenvolvimento
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Cap. 21, 5-21. Não se reduz aos outros gêneros?
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Cap. 21, 5-9. Não se reduz à substância, à qualidade ou ao agir e ao sofrer?
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Cap. 21, 9-21. Não se reduz à relação ou à quantidade?
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Cap. 21, 21 a 23, 33. Não há um gênero anterior ao movimento?
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Cap. 21, 21-47. A mudança não é um gênero anterior ao movimento.
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Cap. 22-23. O que é o movimento?
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Cap. 24-27. As espécies de movimento.
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Cap. 24. Movimento local.
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Cap. 25, 1-24. Associação e dissolução.
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Cap. 25, 24-41. Alteração.
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Cap. 26. Critérios de divisão entre os movimentos.
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Cap. 27. Repouso.
Capítulo 28. Conclusão [de Porfírio?].
Bouillet
(I) No mundo sensível, existem gêneros do ser análogos aos que existem no mundo inteligível. Para determiná-los, é preciso separar claramente a alma do corpo.
(II) Ao ser verdadeiro e inteligível corresponde a natureza corporal, que também é chamada de essência, mas que deve ser propriamente denominada geração, pois implica a ideia de um fluxo perpétuo. Ao examiná-la, percebe-se que a divisão dos gêneros do ser sensível não corresponde à dos gêneros do ser inteligível.
(III) Tudo o que se encontra no mundo sensível pode ser reduzido a cinco gêneros: substância, quantidade, qualidade, movimento e relação.
SUBSTÂNCIA
(IV-V) Entende-se por substância a matéria, a forma e o composto. O caráter geral da substância nessas três coisas é ser o sujeito ou substrato dos acidentes, e não afirmar-se a partir de nada. A substância é, por si mesma, o que é. Ela é o princípio de onde emanam e pelo qual existem as outras coisas, aquele a quem se referem as modificações passivas e de quem emanam as ações. Ela é aquilo que não está em um sujeito, a menos que com isso se entenda fazer parte de um sujeito, ou contribuir com ele para manter uma unidade. Há nisso uma analogia entre os dois princípios homônimos: a substância corporal e a substância inteligível.
(VI) A existência não se afirma no mesmo sentido da substância e do acidente. Quando se diz: “O ser é”, o ser afirma ser simplesmente, ser por si mesmo. Quando se diz: “O ser é branco”, a existência é um acidente para a brancura, assim como a brancura é um acidente para o ser; o ser não está na brancura, é a brancura, ao contrário, que está nele. Assim, a substância possui a existência primariamente; o acidente, posteriormente, por participação. A substância sensível existe, assim, por si mesma em relação aos seus acidentes, mas não em relação à substância inteligível: pois dela recebe a existência.
(VII) Há na matéria um grau de ser menor do que na forma, porque a forma é uma razão (ou essência), enquanto a matéria tem apenas uma sombra de razão.
(VIII) Ao tratar da substância sensível, é melhor estudar as substâncias compostas (onde a matéria e a forma estão reunidas). Sua característica é ainda a de não estarem em sujeitos e de serem elas mesmas sujeitos no restante. Mas, bem diferente da substância inteligível, a substância sensível pressupõe a presença de certos acidentes próprios: pois consiste na união de qualidades e da matéria. Além disso, o fundamento da substância sensível (a matéria) é estéril e, tendo apenas a aparência do ser, não pode dar existência ao resto como o faz o ser verdadeiro.
(IX-X) A substância sensível, sendo corpórea, pode ser dividida em espécies de acordo com a distinção entre corpos brutos e corpos organizados, corpos quentes e corpos secos, etc., ou ainda de acordo com as formas das plantas e dos animais, etc. — Quanto à distinção feita por Aristóteles entre substâncias primeiras e substâncias secundárias, tal como o fogo e o fogo universal diferem entre si pelo fato de um ser individual e o outro universal, mas não há entre eles diferença substancial.
QUANTIDADE
(XI-XII) A Quantidade compreende o número sensível e a extensão corporal. O lugar, considerado como contendo os corpos, e o tempo, como medida do movimento, pertencem ao gênero da Relação.
O grande e o pequeno (τὸ μέγα καὶ τὸ μίκρον) referem-se ao gênero da Quantidade, porque são coisas simples e absolutas; mas menor, maior, mais belo, remetem ao gênero da Relação. Quanto ao belo, ele pertence à Qualidade.
Na Quantidade, grande e pequeno, muito e pouco, são opostos como contrários. De fato, a multiplicidade é uma extensão do número; a escassez é uma contração. Há uma razão que determina a grandeza e a pequenez, e cuja participação torna um objeto grande ou pequeno. Quanto ao alto e ao baixo, são relativos.
XXXIV (XII-XIV) A quantidade discreta e a quantidade contínua pertencem ao mesmo gênero como quantidades. Na primeira, as diversas espécies são determinadas pela diferença entre o par e o ímpar. Na segunda, as diversas espécies são determinadas pela diferença entre a linha, a superfície e o sólido. A linha reta e a linha curva pertencem ao gênero da Quantidade, e não ao da Qualidade, porque é essencial à linha ser reta ou curva. A mesma observação se aplica a todas as figuras.
(XV) O gênero da Quantidade admite apenas a igualdade e a desigualdade. A semelhança e a dissemelhância são próprias da Qualidade.
As qualidades essenciais ou diferenças específicas são acidentes que completam a substância sensível e não devem ser propriamente chamadas de qualidades. Como constituem o que se denomina semelhança ou dissemelhância nas figuras, elas não lhes retiram o caráter de quantidades iguais ou desiguais.
QUALIDADE
(XVI) A Qualidade é um caráter que se designa pelos termos “tal”, “qual”, “desse tipo”, como a beleza corporal. Por esse exemplo, vê-se que há analogia entre as qualidades sensíveis e as qualidades inteligíveis. Devem ser incluídas entre as qualidades sensíveis as artes relacionadas aos corpos, as virtudes práticas que consistem no simples cumprimento dos deveres cívicos, as razões seminais e as paixões da alma, mas não a própria alma considerada separada da matéria.
(XVII-XVIII) As diferenças entre as coisas sensíveis distinguem-se umas das outras, não por outras diferenças, mas por seus elementos constitutivos. Da mesma forma, as qualidades são discernidas não por outras qualidades, mas por seus caracteres intrínsecos ou por alguns de seus modos de existência; a sensação capta seus sinais, e a inteligência os penetra por meio de uma simples intuição, sem precisar sempre encontrar nos objetos razões seminais para qualificá-los.
(XIX) O gênero da Qualidade compreende as hábitos (expressos por um substantivo, rubor; por um adjetivo, vermelho; por um advérbio, bem), mas não as simples disposições que indicam a passagem de um estado para outro (como corar). As negações, quando não implicam uma qualidade real oposta a outra, devem ser referidas ao gênero da Relação.
(XX) Devem ser consideradas como contrárias não apenas as qualidades que estão separadas por muitas qualidades intermediárias, mas também aquelas que, embora pertençam à mesma classe, não possuem, no entanto, nenhum caráter específico em comum.
Entre as qualidades, aquelas que têm uma certa amplitude admitem graus; as outras não admitem e só podem ser possuídas na íntegra.
MOVIMENTO
(XXI) Deve-se considerar o Movimento como um gênero, pois não é possível enquadrá-lo em nenhum dos gêneros anteriores. O movimento é, aliás, mais geral do que a mudança e a alteração; pois movimento significa não apenas que uma coisa toma o lugar de outra, mas também que ela passa do que lhe é próprio para o que não lhe é próprio, como na translação de um lugar para outro.
(XXII) O movimento é a passagem da potência para o ato daquilo de que XXXV é a potência. Se uma coisa que estava inicialmente em potência chega a assumir uma forma, o movimento é a produção de uma forma. Se uma coisa passa ao ato, o movimento é uma simples forma da potência. O movimento é, portanto, uma forma ativa e, quando produz alguma outra coisa, é causa das outras formas. O caráter comum da alteração, do aumento, da geração e do deslocamento no lugar é tornar o objeto diferente do que era.
(XXIII) O movimento, imagem da vida nas coisas sensíveis, as estimula e as impele a mudar incessantemente de estado, de ação, de modificação, de forma. A força motriz é invisível e só se revela por meio de seus efeitos. O movimento não está exclusivamente nem no motor nem no móvel, mas sai do motor para passar para o móvel. O movimento deve, portanto, ser estudado não apenas nas coisas em que é produzido, mas também naquelas que o produzem ou o transmitem.
(XXIV) As diferenças que o movimento de deslocamento admite decorrem de circunstâncias externas (como subir, descer) ou da figura que ele descreve (movimento retilíneo, circular).
(XXV) A composição, que consiste em aproximar uma coisa de outra, e a decomposição, que implica sua separação, são movimentos de um gênero especial. Encontram-se nelas, porém, sob certos aspectos, tanto o movimento de deslocamento, quanto a alteração, ou a rarefação e a condensação; ; (XXVI) A divisão do movimento em espécies deve basear-se na natureza das forças, que se distinguirão em animadas e inanimadas, ou no modo de sua produção, que implica a natureza, a arte ou a vontade.
(XXVII) A estabilidade é própria do mundo inteligível. Nas coisas sensíveis, só se encontra o repouso, que não é senão a privação e a negação do movimento, o qual, aqui, é a única coisa positiva. Já se disse acima que a ação e a paixão são movimentos.
RELAÇÃO
Quanto à Relação, trata-se de um hábito, uma maneira de ser de uma coisa em relação a outra. Pode-se dividir os relativos seguindo o método dos antigos.
Igal
BCG57
I. Introdução (capítulos 1-3).
1. Problema geral (1, 1-7).
2. Problemas de método (1, 7-2, 33).
3. Método correto de classificação (capítulo 3).
II. Substância (cap. 4-10).
1) Unidade da substância sensível como gênero (cap. 4-8).
a) A nota comum não é a de “base” e “assento” (= substrato) (4, 1-7).
b) Uma nota comum a toda substância: que não se predica de outra (4, 7-26).
c) Outro traço comum da substância é o de “substrato” (4, 26-5, 7).
d) Outro traço: o de “não estar em um sujeito”, desde que bem compreendido (5, 7-39).
2) Divisão da substância sensível em espécies (capítulos 9-10).
a) Critérios provisórios de divisão (9, 1-18).
b) Crítica à divisão das substâncias em primeiras e segundas (9, 18-42).
c) Novos critérios de divisão (cap. 10).
III. Quantidade (11, 1-15, 23).
1. Extensão da quantidade (capítulos 11-14).
2. A igualdade e a desigualdade são propriedades da quantidade (15, 1-23).
IV. Qualidade (capítulos 15, 24-20, 42).
1. Natureza (15, 24-16, 7).
2. Extensão da categoria «qualidade» (Problemas de delimitação) (16, 7-47).
3.Divisão da qualidade (cap. 17-18).
4.Extensão da qualidade: novos problemas (cap. 19).
5.Propriedades da qualidade (cap. 20).
V.Movimento (cap. 21-27).
1. Introdução (21, 1-4).
2. Não é redutível a outro gênero (21, 5-21).
a) Não é redutível à substância, nem à qualidade, nem à ação, nem à paixão (21, 5-9).
b) Não é redutível à relação nem à quantidade (21, 9-21).
3. Não há um gênero anterior que se predique dele (21, 21-23, 33).
a) A mudança não é um gênero anterior ao movimento (21, 21-47).
b) O que é o movimento (cap. 22-23).
4. Espécies de movimento (cap. 24-27).
a) Movimento local (cap. 24).
b) Combinação e dissolução (25, 1-24).
c) Alteração (25, 24-41).
d) Critérios de divisão (cap. 26).
e) Repouso (cap. 27).
f) Relação (cap. 28).
Armstrong
APE
VI. 3
As categorias do mundo sensível são, analogamente, as mesmas que as do mundo inteligível, ou são diferentes? Problemas de classificação no mundo sensível (cap. 1). Substância sensível: matéria, forma e composto: as categorias inteligíveis platônicas não podem ser aplicadas, nem mesmo analogamente, à substância sensível (cap. 2). Discussão sobre matéria, forma e composto continuada: relação de outras categorias com elas. Sete, cinco ou, possivelmente, apenas duas categorias do mundo sensível (cap. 3)? O que matéria, forma e composto têm em comum para que as coloquemos na categoria de “substância” (cap. 4)? Substância e substrato (cap. 4-5). O que significa “é” no mundo sensível (cap. 6)? Não é da matéria que as coisas aqui abaixo derivam seu ser (cap. 7). Substância sensível como uma combinação de qualidades e matéria (cap. 8). Como o gênero “substância sensível” deve ser dividido em espécies (cap. 9-10)? Quantidade no mundo sensível (cap. 11-15). Qualidade no mundo sensível (cap. 16-20). Movimento no mundo sensível (cap. 21-26). A quietude no mundo sensível deve ser distinguida da categoria platônica de Repouso no inteligível (cap. 27). Conclusão resumida, com algumas observações sobre a Relação (cap. 28).
Lloyd
LPE
6.3
6.3 (44) passa a aplicar as lições de 6.2 às coisas que vêm a ser. O que o devir tem em comum com o ser? Existem, analogamente, os mesmos gêneros, primariamente no ser e, secundariamente, no vir a ser. A §2 passa a argumentar contra uma visão aristotélica do que é comum entre os gêneros maiores e a substância aristotélica. A §3 tenta deduzir os cinco gêneros primários aplicáveis ao devir: substância, relações, quantidade, qualidade e movimento. Os capítulos seguintes discutem esses cinco gêneros: substância §§4–10, quantidade §§11–15, qualidade §§16–20, movimento §§21–27, relativos §28.
§1. O que o devir tem em comum com o ser? Existem, por analogia, os mesmos gêneros, primariamente no ser e, secundariamente, no devir.
§2. Argumento contra uma visão aristotélica do que é comum entre os gêneros maiores e a substância aristotélica.
§3. Tentativa de deduzir os cinco gêneros primários aplicáveis ao devir: substância, relações, quantidade, qualidade e movimento. As seções a seguir discutem esses cinco gêneros: substância §§4–10, quantidade §§11–15, qualidade §§16–20, movimento §§21–27, relações §28.
§4. Forma, matéria e composto são substância. A substância não é meramente o substrato dos atributos, é a fonte de outras coisas e da produção; em suma, aquilo por causa do qual existem outras coisas.
§5. Nos inteligíveis, ser o substrato é dito de maneira diferente, a saber, homonimicamente. Não estar em mais nada também pode ser dito do tempo ou do lugar.
§6. No caso dos elementos, o seu ser é simples, enquanto que, no caso de atributos como o pálido, o ser é acidental.
§7. Se os seres sensíveis têm o seu ser a partir da matéria, surge a questão de onde esta adquire o seu ser, uma vez que não é primária.
§8. A substância (sensível) não são os elementos, mas um conjunto de qualidades ou formas na matéria.
§9. As substâncias sensíveis são, então, mais ou menos materiais — elementos, plantas, animais — suas espécies, tanto os indivíduos quanto os universais. Os indivíduos são anteriores a nós, na medida em que nos são mais conhecíveis, mas naturalmente anteriores são aqueles que são mais gerais, ou seja, as espécies.
§10. É possível dividir as substâncias pelo acoplamento de qualidades simples ou, então, por uma qualidade, ou seja, sua forma no caso das substâncias orgânicas.
§11. A quantidade que constitui os exemplos de quantidade reside tanto no número quanto na magnitude.
§12. Existem contrários na quantidade – grande–pequeno, muitos–poucos. Há quantidade quando uma unidade ou ponto se estende. A magnitude da quantidade depende do comprimento dessa extensão.
§13. A magnitude contínua deve ser distinguida da discreta pela posse de um limite. Linha, plano e sólido são espécies de magnitude.
§14. A linha reta é, por exemplo, uma espécie de linha e, portanto, de quantidade. Mesmo que as magnitudes sejam distinguidas por qualidades, elas permanecem magnitudes.
§15. A identidade na magnitude é qualidade, mas as diferenças da quantidade devem, na verdade, ser colocadas junto com as coisas das quais são diferenças. Da mesma forma, as diferenças das substâncias são, antes, substâncias do que qualidades.
§16. Uma qualidade é o que se diz de algo, além de sua substância, e indica que tipo de coisa é, como a virtude ou a baixeza na alma. Algumas dessas características estão no inteligível, e outras no sensível. As artes relacionadas ao corpo são qualidades sensíveis, enquanto outras artes são inteligíveis.
§17. Assim, algumas qualidades são psíquicas e outras são corporais. As qualidades aqui também podem ser distinguidas pelos diferentes tipos de percepção sensorial. Isso nos leva à questão de como as qualidades que se enquadram em uma forma de percepção sensorial, por exemplo, pálido e escuro, diferem.
§18. Mas não há diferenças entre diferenças; e as qualidades são diferenças.
§19. As privações de qualidades são qualidades; mas o processo de adquirir uma qualidade não o é.
§20. Em alguns casos, há contrariedade entre qualidades quando há uma mudança máxima entre os dois extremos. Em outros casos, há contrariedade onde não há nada que medie.
§21. O movimento não pode ser reduzido a nenhum outro gênero. O vir a ser não é um movimento, uma vez que o movimento pressupõe que algo já exista. Ele inclui como espécie a mudança, a saber, aquele movimento que vai além do que algo é.
§22. A alteração é movimento quando se trata de algo diferente. O movimento, em termos gerais, é um caminho da capacidade para aquilo de que ela é capaz. É uma forma ativa, e não estática. O que é comum a todo movimento é o fato de algo não estar no mesmo estado em que se encontrava anteriormente.
§23. Nas coisas sensíveis, o movimento provém de fora da coisa movida. O movimento está, então, na coisa movida. A qualidade de um movimento é determinada não apenas pelo que nele está, mas também pelo que o provocou e pelo que o realiza.
§24. O que unifica os casos de movimento local para cima e para baixo é algo sendo levado ao seu lugar natural. Os movimentos locais também podem ser distinguidos pela forma geométrica do percurso.
§25. A combinação e a separação são, ou formas de movimento local (afastamento ou aproximação de uma coisa de ou para outra), ou então a mistura e seu contrário; no segundo caso, há movimento local, mas algo mais se sobrepõe. E a combinação e a separação não podem ser reduzidas à alteração, embora esta também seja iniciada pela combinação e pela separação em muitos casos.
§26. Os movimentos podem ser divididos de acordo com o fato de serem causados pela alma ou não, ou de acordo com o fato de serem causados pela natureza, pela arte ou pela escolha.
§27. O repouso é a remoção do movimento, nas coisas cuja natureza é mover-se, enquanto a estabilidade entre os inteligíveis é inteiramente compatível com o movimento.
§28. Produzir movimento e ser afetado podem ser reduzidos ao movimento. E os outros gêneros foram reduzidos a estes.
