3 Dialética
GADAMER, Hans-Georg. Plato’s dialectical ethics: phenomenological interpretations relating to the Philebus. New Haven , Conn.: Yale Univ. Pr, 1991.
Sobre a Dialética de Platão
Parte I: A Conversação e o Modo Como Chegamos a uma Compreensão Compartilhada
Seção 3: Os Motivos de um Cuidado com a Coisa em Questão num Mundo Compartilhado (Logos e Dialética)
1. O discurso científico envolve pretensão específica à compreensibilidade: toda fala tem o caráter de “falar com alguém” e, como tal, pretende que aquilo de que fala seja compreendido tal como o discurso o torna visível, permanecendo, mesmo na ausência efetiva de ouvinte, o pressuposto de compreensibilidade por outros — pressuposto presente até no pensar não enunciado audivelmente, que se realiza numa língua que, como língua, remete a possíveis outros falantes que compreenderiam os pensamentos se pudessem “lê-los”.
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Todo “falar com alguém” fala ao outro visando uma resposta correspondente, ainda que esta não precise ter o caráter de fala.
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O logos da ciência faz, além disso, pretensão específica adicional de compreensibilidade e de resposta correspondente, constitutiva de seu modo característico de relacionar-se com a coisa em questão: toda asserção científica ou dispensa fundamentação por razões ulteriores ou dela necessita, tendo ela mesma o caráter de fornecer tal fundamentação na medida em que não apenas afirma um estado de coisas, mas o exibe como necessário por uma razão.
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Somente ao asserir uma razão a asserção científica afirma, ao mesmo tempo, a necessidade daquilo que a razão fundamenta, envolvendo essa pretensão de necessidade, simultaneamente, pretensão de evidência (Einsichtigkeit) e, com isso, pretensão ao acordo do outro, como algo que decorre puramente de seu acompanhar a apresentação fundamentada da realidade previamente descoberta.
2. Parte do sentido de dar razões consiste em que, ao acompanhar o discurso, o outro o faça livremente — concordando, mas também podendo contradizer —, podendo a contradição dirigir-se ou à evidência do estado de coisas dado como razão (presumido dispensar fundamentação ulterior) ou, na contradição propriamente dita, à pretensão de que esse estado de coisas seja de fato razão para o fato previamente reconhecido, isto é, à adequação à realidade da própria explicitação fundamentadora.
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No primeiro caso, a contradição impõe ao falante a tarefa de fundamentar a própria razão suposta, obtendo assim aceitação para a explicitação fundamentadora; no segundo, impõe-lhe a tarefa de encontrar razão mais exata (o oikeios logos, o logos próprio e adequado) para o fato em questão.
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Importa, porém, que a contradição se dirija não ao fato mesmo, mas às razões dadas para ele, tomando o caminho indireto das razões, de modo que a satisfação da pretensão de evidência, quando há acordo, significa que a explicitação fundamentadora é devolvida ao falante pelo outro e confirmada em sua pretensão.
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Tanto a fala quanto a contradição, como ações científicas, subordinam-se à mesma ideia diretriz de cuidado com a coisa em questão, que confere caráter à sua pretensão de necessidade e evidência.
3. Essa subordinação à ideia de simplesmente abrir acesso à coisa em questão acarreta restrição característica da própria função da fala: ao falar sobre algo, o Dasein sempre se exprime a si mesmo ao mesmo tempo, expressando a entonação e os gestos do falante, mais ainda que as próprias palavras ditas, seu humor e estado interior no momento.
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Ao compreender o que é dito e pretendido, o outro sempre compreende também essa condição interior do falante, o que modifica sua compreensão — sempre tingida por um ou outro humor — daquilo que foi dito.
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O fato de que se pretendeu e se tornou evidente pela fala do falante é assim concebido e compreendido não apenas em si mesmo, mas também naquilo a que o falante deu expressão em sua fala, intencional ou involuntariamente dito e sugerido por ela.
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O outro, por isso, não replica propriamente ao que foi dito como tal, mas replica à autoexpressão do falante, fazendo-o expressando-se, ele mesmo, de modo responsivo — padrão de mútua autoexpressão que constitui modo específico e possível de estar-junto, cuja ideia orientadora não é o alcançar acordo sobre a coisa discutida, nem assegurar a revelação dessa coisa, mas permitir que os participantes se tornem manifestos uns aos outros ao falar sobre ela.
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Tal conversa não se torna menos fecunda pela incapacidade de chegar a acordo sobre a coisa, desde que permita a cada um tornar-se explicitamente visível, em seu ser, ao outro — permanecendo, contudo, importante a questão de saber se esse modo de compreender o outro representa um genuíno modo de estar-junto, questão que constitui problema-chave da existência num mundo compartilhado.
4. Questiona-se se esse modo de compreender outras pessoas através da autoexpressão sobre algo não constitui forma degenerada, possibilitada pela autorreflexão, do estar-junto: quem julga compreender outra pessoa que o contradiz de algum modo, e compreendê-la sem concordar com ela, protege-se, por esse mesmo meio, da contradição alheia.
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Ao compreender-se a si mesmo — compreensão que sempre envolve essencialmente contrastar-se com os outros desse modo — rigidifica-se de maneiras que tornam, precisamente, inalcançável pelo outro.
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O genuíno estar-junto dificilmente pode fundar-se em compreensão que assim afasta o outro, devendo antes fundar-se num modo de estar com ele que se abstém de reivindicar esse tipo de compreensão do outro e de si mesmo.
5. Contrapõe-se a essa ideia de chegar a uma compreensão compartilhada, surgida de tendência específica de autorreflexão no estar-junto, a ideia de chegar a uma compreensão compartilhada puramente substantiva, e o modo como essa ideia se realiza na conversação científica: o cuidado da fala científica com a coisa em questão não a impede, também ela, como fala, de ser autoexpressão do estado do falante, mas a pretensão que a fala científica faz à compreensão e à resposta correspondente exige precisamente que se desconsidere o que também é expresso sobre o Dasein ao falar da coisa em questão, exigindo igualmente quem responde desconsideração semelhante quanto ao aspecto não-substantivo também expresso em sua resposta.
6. A atitude própria desse modo de conversar não se caracteriza adequadamente apenas pela qualidade meramente negativa de desconsiderar o que também se exprime ao atender à coisa a que a fala se refere, pois nessa espécie de conversação que busca acesso à coisa em questão encontra-se expressa não apenas aquilo a desconsiderar segundo a ideia de cuidado com a coisa, mas também uma disposição positiva característica do Dasein, que não precisa ser desconsiderada — por ser compartilhada pelo interlocutor — e que tampouco pode sê-lo, por constituir a base humana efetiva desse cuidado da conversação com a coisa em questão: essa disposição positiva é a disponibilidade compartilhada para questionar, constituindo, como estado compartilhado característico, o tipo de chegar a um entendimento que insiste em razões e ouve razões.
7. Esse modo de chegar a um entendimento visa inteiramente ao acordo substantivo a alcançar: dentro desse puro abandonar-se à coisa em questão, o potencial real de falar com outros consiste em deixar que o outro auxilie no processo de acesso à coisa em questão, partilhando o falante com o outro uma compreensão antecedente dos entes e reivindicando, ao designá-los mediante a exibição de razões, sustentar essa mesma compreensão com razões.
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A medida em que essa pretensão se justifica num caso particular decide-se essencialmente por saber se o modo como o fato é compreendido é realmente sustentado pela razão dada, isto é, se o fato é designado naquilo que o torna, necessária e sempre, o que previamente se compreendia que era.
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Na conversação, isso se decide pelo acordo ou desacordo do outro — decide-se precisamente quando se expõe a própria asserção à resposta alheia, pois, sendo possível contradizê-la, a pretensão é refutada; ao mesmo tempo, toda contradição contém novo insight e, assim, indicação de relato correto.
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A produtividade substantiva da conversação consiste em deixar que tais contradições indiquem a direção da busca; sob a perspectiva da tendência mais característica da conversação, a incapacidade de chegar a compreensão compartilhada jamais é resultado final, indicando apenas que não se logrou concluir o processo de compreensão, exigindo retomada da conversa, cujo sentido característico é ser repetível e capaz, precisamente por repetir-se, de avançar rumo ao acesso à coisa em questão e, portanto, ao acordo.
8. O fato de o fracasso em alcançar compreensão compartilhada, mesmo em conversas voltadas à coisa em questão, ser por vezes interpretado como resultado positivo — indicativo de diferença entre pressupostos não discutíveis — não lança dúvida sobre o cuidado diretriz com a coisa em questão, mas antes o confirma, pois tal “interpretação” implica abandonar a intenção da fala de obter acesso à coisa.
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Ao afirmar-se a irredutibilidade de uma divergência de opinião, evita-se enfrentar a contradição alheia como algo pretendido substantivamente.
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Ao “compreender-se” o desacordo do outro — explicando-o como resultado da diferença entre seus pressupostos e os próprios pressupostos não discutíveis, em vez de tornar precisamente esses pressupostos objeto da conversa —, exclui-se o outro em sua função positiva, como alguém a cujo acordo substantivo e compreensão compartilhada se faz pretensão, deixando então a conversa de ser o que era: processo de chegar a uma compreensão compartilhada sobre a coisa em questão.
9. O mesmo abandono e a mesma exclusão ocorrem também do lado do outro, caso este contradiga a afirmação sem estar disposto a responder por sua contradição, ou apresente apenas aparência de acordo — para livrar-se da conversa — sem realmente concordar com o desenvolvimento da coisa em questão.
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Nesses casos, é o outro quem se exclui da intenção compartilhada de chegar a um entendimento sobre a coisa, ao não aceitar o que é dito como a opinião substantiva que é e não fazer dela objeto de sua resposta, mantendo tacitamente o olhar sobre pressupostos do interlocutor que julga “compreender” — fechando-se, precisamente por isso, à opinião substantiva do parceiro.
10. Fica claro, positivamente, que na conversação científica o outro é necessário unicamente em vista de chegar a um entendimento sobre a coisa em questão, isto é, na medida em que é capaz e disposto a ouvir razões e a responder com razões: na medida em que compartilha a compreensão antecedente da coisa em pauta e possui essa disponibilidade ao exame substantivo, seu acordo substantivo é o único critério suficiente da adequação do logos à coisa em questão, e não o preconceito de uma opinião dominante.
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Isso significa, ao mesmo tempo, que em cada caso essa pessoa que assim responde por sua resposta é decisivamente importante, pois chegar a um entendimento com ela autentica a “verdade”: que a razão cuja descoberta se compartilha com ela é realmente a razão que permite exibir e explicar o fato em sua existência e caráter necessários.
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O outro com quem se busca chegar a acordo não é, assim, de modo algum diferente de qualquer outra pessoa — ou melhor, é necessário apenas nos aspectos em que precisamente não difere dos demais, razão pela qual seu acordo testemunha a verdade daquilo com que concorda: como ele, qualquer outro que participasse da mesma conversa teria de concordar com o resultado alcançado.
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Se a primeira pessoa recusa concordar e dá razões para seu desacordo, não há sentido em envolver outra pessoa em seu lugar na conversa, pois, se ela pode discordar com razões, também outros podem, com as mesmas razões, refutando-se, nesse caso, aquilo com que discordam.
11. A tendência inerente à intenção de chegar a um entendimento é querer fazê-lo precisamente com a pessoa cuja opinião prévia mais agudamente contradiz a própria tese, sendo tanto mais segura a tese confirmada por acordo final quanto mais radical a contradição — tornando-se claro, à luz dessa ideia de conversação substantiva, que tal conversação não é forma de fala essencialmente alheia ao logos pelo qual a ciência desvela a coisa em questão, mas antes o que possibilita a esse logos desenvolver-se em processo de desvelamento e apropriação cognitivos.
12. É a estrutura dessa ideia de chegar a um entendimento que explica por que é possível avançar, mesmo sem falar com outra pessoa, num processo científico e fundamentador de desvelamento e apropriação, chegando-se ao logos real, pois o pensamento não expresso também é fala, sendo apenas que o outro com quem se fala é, nesse caso, si mesmo.
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A única razão pela qual isso é possível é que, mesmo numa conversa real, o outro não é necessário para nada além do que se pode fazer por si mesmo: retornar a uma explicitação dada e testá-la contra a própria compreensão da coisa em questão.
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Isso depende do fato de que a compreensão articulada naquilo que chamamos “pensamento” é mantida fixa, exatamente como se mantém fixa uma explicitação enunciada, sendo assim repetível e passível de retomada.
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A possibilidade de confrontar-se livremente com a contradição encerra dificuldade peculiar: exige saber libertar-se de si mesmo e das tendências da própria compreensão à medida que se fixam, ouvindo o que a coisa em questão tem a dizer em resposta a nova interrogação.
13. Uma conversa real já exige, ela mesma, atentar apenas à intenção substantiva do que é dito, e não ao que a fala exprime, além disso, sobre o Dasein, contribuindo de fato motivos “não-substantivos” para a descoberta e enunciação de argumentos opostos — a competição, motivo fundamental nas situações de convívio, aguça a percepção do que pode ser dito contra a tese alheia mesmo em conversas substantivas —, satisfazendo-se, contudo, a pretensão de substantividade da conversa enquanto as razões substantivas, e não esses motivos contingentes, forem o objeto do debate, tomando o outro, a quem se contradiz com tais razões, apenas em seu conteúdo substantivo.
14. O pensamento que consigo mesmo se aconselha enfrenta a mesma exigência, devendo excluir todos os motivos dessa espécie para avançar substantivamente: confrontar o próprio logos de modo probatório, orientado para o livre acordo ou a livre oposição, exige desconsiderar inicialmente que se trata do próprio logos.
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Na prática, essa desconsideração se realiza mantendo à vista a possibilidade de contradição por outros, vendo-os, contudo, esse antever pensante, não como outros específicos sobre os quais se desejaria prevalecer, mas como portadores anônimos de possível contradição substantiva — o que significa ver também a própria tese apenas em seu conteúdo substantivo.
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Esse cuidado com a coisa em questão se apresenta como disponibilidade para questionar e duvidar, sendo também precondição da possibilidade de fazer objeções genuínas às próprias teses — objeções que não permanecem, em princípio, aquém do que a tese afirma, não orientadas desde o início para resguardá-la, nem consistindo apenas em considerações previamente vistas como refutáveis e vazias.
15. O cuidado com a coisa em questão que caracteriza a pretensão que o logos científico faz ao outro é também a razão pela qual apenas tal logos pode realmente ser ensinado, sendo o ensino modo derivado do falar uns com os outros que procede expondo o assunto com razões substantivas.
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No ensino, o falante é, especificamente, um mestre, e o outro, um aprendiz, sendo em princípio a mesma a pretensão de compreensão que o mestre faz em relação ao aprendiz e aquela feita no processo recíproco de chegar a um entendimento sobre a coisa em questão.
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Ainda que o mestre já disponha, com base em saber real, do que ensina, não é a questão de sua própria compreensão substantiva que o leva a cuidar da compreensão e do acordo do estudante; também este deve concordar por livre insight na exposição fundamentadora e nas razões dadas, não para poder repeti-la, mas para ser conduzido, pela exposição substantiva, a dispor ele mesmo, cognitivamente, sobre a coisa em questão.
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É essencial ao ser-ensinável de algo que não seja algo que só esta pessoa — e não aquela — possa aprender, o que significa que o aprendiz não é convocado em sua alteridade, mas na identidade que mestres e aprendizes têm em comum, decorrendo assim a ensinabilidade do saber da pretensão do logos científico de designar a coisa em questão em sua necessidade, mostrando como decorre de razões.
16. Essa função do outro dentro da tendência da conversação a chegar a um entendimento substantivo constitui a própria essência do dialético: uma contradição dialética de uma tese não é simplesmente uma tese contrária que alguém opõe, como sua opinião, à opinião enunciada.
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Não há contradição dialética quando uma opinião se opõe a outra; ela se constitui precisamente quando uma mesma e única faculdade da razão tem de conceder validade tanto à opinião quanto à opinião contrária.
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Não é contradição em sentido dialético quando outra pessoa fala contra algo, mas apenas quando a própria coisa fala contra ela, seja outra pessoa, seja o próprio enunciador quem o tenha afirmado.
