Imortalidade da Alma
A alma possui natureza eterna e imortal segundo a doutrina exposta no Fedon.
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Embora a distinção entre eternidade e imortalidade não seja explícita, ela se encontra indicada na referida obra.
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Os argumentos do diálogo concentram-se na incorruptibilidade substancial do princípio pensante.
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A alma preserva a individualidade eterna ao retornar à alma universal após a morte, sem ser absorvida ou perdida.
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A verdadeira imortalidade platônica exige não apenas a persistência da individualidade, mas a manutenção da personalidade e da consciência.
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Conforme as correspondências de Leibniz a Hansch, nada em Platão permite inferir que as almas não conservem a substância que lhes é própria.
A continuidade do eu depende da memória e da consciência de existências passadas.
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O esquecimento das formas transitórias é uma necessidade da metempsicose.
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Platão mantém o princípio da identidade do eu e a recordação da vida terrena mesmo na felicidade da vida divina.
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Sócrates espera que a alma carregue consigo todos os hábitos contraídos, implicando a persistência do sentimento do eu idêntico para fins de recompensa ou punição.
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A vida humana encontra na existência futura seu acabamento e a moral sua sanção.
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As provas acumuladas no Fedon focam na natureza simples, una e imaterial da alma, garantindo a permanência da substância.
A imortalidade apresenta-se como verossímil, embora desprovida de demonstração absoluta.
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A certeza repousa na promessa de Deus, configurando uma divina esperança que encanta o homem.
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O Demiurgo afirma no Timeu que, embora os seres nascidos não sejam imortais por natureza, não sofrerão a morte por determinação de sua vontade.
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O último diálogo de Socrates oferece uma lição de serenidade diante do desconhecido.
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A promessa de imortalidade feita às almas dos deuses sugere que a imortalidade humana dependa igualmente da potência divina.
A concepção moderna da alma como substância criada introduz a dificuldade de sua possível destruição pelo criador.
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A vida futura não é necessariamente eterna para servir de sanção à justiça absoluta.
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A crença na imortalidade reside em uma revelação interior e na confiança na bondade divina.
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O desejo de imortalidade gravado na alma é tomado como uma promessa universal e indestrutível.
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A doutrina platônica diverge da visão de criação ao propor almas preexistentes e eternamente individuais.
A esperança de Sócrates em reunir-se com homens virtuosos e deuses benevolentes constitui um ato de fé religiosa.
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A fé antiga do gênero humano sustenta que o destino pós-morte é superior para os bons.
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A filosofia de Platão aspira governar as almas e uni-las a Deus, exercendo papel análogo ao de uma religião.
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Platão satisfaz a necessidade do coração humano ao revelar o mistério da vida futura onde a razão falha.
A distinção entre a essência da alma e a do corpo é estabelecida pela consciência moral e pelas condições do conhecimento.
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A sobrevivência da alma é demonstrada inicialmente pelo argumento dos contrários.
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A observação revela que a vida nasce do que está morto, em um ciclo eterno de alternância.
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Aristóteles observa na Metafísica que o contrário destrói o contrário, sendo a destruição de um o nascimento do outro.
As essências imutáveis excluem seus opostos de maneira absoluta e eterna.
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A alma, como causa e princípio da vida, exclui a morte eternamente.
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O argumento estende-se ao que é portador de um contrário, assim como o três exclui o par por trazer consigo o ímpar.
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Sendo a alma o que vivifica o corpo, ela jamais admitirá a morte.
A lógica da exclusão dos contrários é questionada quanto à sua capacidade de provar a indestrutibilidade.
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A alma poderia simplesmente retirar-se e perecer diante da aproximação da morte, em vez de aceitar o contrário.
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Sócrates admite a objeção de que o ímpar poderia perecer para dar lugar ao par, a menos que se prove que a alma é imperecível.
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Santo Agostinho, nos Solilóquios, assinala o vício desse argumento ao comparar a alma à luz que se apaga, permitindo que a treva ocupe o lugar.
A teoria da reminiscência estabelece a preexistência da alma e sua independência em relação ao corpo.
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O fato de que os homens encontram a verdade em si mesmos prova a posse anterior de ciência e razão.
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Se a verdade reside na alma, ela deve ser imortal e anterior à forma humana.
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A substância espiritual da alma não está sujeita à dissolução que atinge o que é material e composto.
A simplicidade da substância intelectual é confirmada pela natureza do conhecimento sensível e inteligível.
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A percepção exige um sujeito uno e indivisível para unificar as impressões dos órgãos.
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A alma assemelha-se à ideia e ao divino ao contemplar o que é puro e imutável.
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A intuição suprassensível demonstra que a essência da alma é idêntica à das formas que ela contempla.
A hipótese da alma como harmonia ou relação entre elementos corporais é rejeitada por Simmias e refutada por Sócrates.
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A harmonia não pode existir antes da lira, enquanto a alma preexiste ao corpo pela reminiscência.
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A alma comanda o corpo, ao passo que a harmonia obedece aos elementos que a produzem.
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Se a alma fosse harmonia, a distinção entre vício e virtude seria impossível.
A alma é definida como uma substância dotada de força e movimento próprio.
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Leibniz define a substância das coisas pela potência de agir ou sofrer ação.
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O movimento da alma identifica-se com o pensamento, sendo o motor do corpo.
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O movimento circular dos astros é a imagem visível do pensamento perfeito que retorna sobre si mesmo.
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Aristóteles critica essa teoria, propondo que a alma seja um motor imóvel e o pensamento um repouso.
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Kepler atribui às planetas uma alma diretriz para conduzi-las em curvas savantes.
A natureza imaterial e simples da alma impede sua dissolução e morte.
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A alma é distinta do princípio vital, que carece de pensamento e imortalidade.
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A nutrição da alma divina consiste na contemplação do divino, seguindo a lei de que o semelhante busca o semelhante.
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A mortalidade que poderia atingir aspectos da alma refere-se apenas à perda da personalidade e da consciência.
A eternidade das almas implica a preexistência e a impossibilidade de criação ou destruição de novas substâncias.
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Jâmblico afirma que o número de almas permanece constante, sem nascimentos ou extinções.
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Antes da queda na matéria, as almas possuem existência pura na alma universal.
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A metempsicose explica o movimento incessante da vida através de migrações infinitas.
O ciclo de purificação e retorno à dignidade primitiva ocorre em intervalos de tempo determinados.
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O Timeu descreve que almas virtuosas retornam aos seus astros, enquanto as más sofrem transformações punitivas.
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Filósofos sinceros podem recuperar suas asas após três mil anos de escolhas consistentes.
O destino das almas após a vida terrena é decidido por julgamento e sorteio diante da Necessidade.
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Er, o Armênio, relata que o azar no sorteio das escolhas pode condenar uma alma a condições infelizes.
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A justiça exige que todas as almas recuperem eventualmente a igualdade e a pureza original.
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A imperfeição humana é inerente e faz com que a alma perca sua contemplação divina.
A visão das essências é limitada pela natureza perturbada da alma humana.
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Mesmo as almas que mais se assemelham aos deuses têm dificuldade em contemplar a totalidade do ser.
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Os próprios deuses desfrutam da visão da justiça e sabedoria apenas durante períodos específicos.
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Ficino e de Serres comentam que a condição de permanecer ileso é impossível se a contemplação não for constante.
A beatitude das almas purificadas pela filosofia é temporária dentro do ciclo das grandes revoluções.
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O termo para o fim das provações é seguido por nova revolução, conforme Plotino.
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O sistema platônico exige o retorno das almas à vida para evitar o aniquilamento do mundo.
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A fatalidade nivela as diferenças entre seres de substância idêntica ao fim de cada ciclo.
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O conceito da grande grande ano, mencionado por Cícero e Macróbio, prevê a repetição infinita de todos os eventos.
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Ravaisson nota que a alma se une à alma universal para reiniciar o curso invariável de seu destino.
A doutrina reafirma a vida anterior pela reminiscência e a reviviscência eterna pelo princípio dos contrários.
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A vida nasce necessariamente da morte, sustentando a renovação perpétua.
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A análise das faculdades da alma constitui a sequência necessária desta investigação metafísica.
