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Imortalidade da Alma

Chaignet: Livro

A alma possui natureza eterna e imortal segundo a doutrina exposta no Fedon.

  • Embora a distinção entre eternidade e imortalidade não seja explícita, ela se encontra indicada na referida obra.
  • Os argumentos do diálogo concentram-se na incorruptibilidade substancial do princípio pensante.
  • A alma preserva a individualidade eterna ao retornar à alma universal após a morte, sem ser absorvida ou perdida.
  • A verdadeira imortalidade platônica exige não apenas a persistência da individualidade, mas a manutenção da personalidade e da consciência.
  • Conforme as correspondências de Leibniz a Hansch, nada em Platão permite inferir que as almas não conservem a substância que lhes é própria.

A continuidade do eu depende da memória e da consciência de existências passadas.

  • O esquecimento das formas transitórias é uma necessidade da metempsicose.
  • Platão mantém o princípio da identidade do eu e a recordação da vida terrena mesmo na felicidade da vida divina.
  • Sócrates espera que a alma carregue consigo todos os hábitos contraídos, implicando a persistência do sentimento do eu idêntico para fins de recompensa ou punição.
  • A vida humana encontra na existência futura seu acabamento e a moral sua sanção.
  • As provas acumuladas no Fedon focam na natureza simples, una e imaterial da alma, garantindo a permanência da substância.

A imortalidade apresenta-se como verossímil, embora desprovida de demonstração absoluta.

  • A certeza repousa na promessa de Deus, configurando uma divina esperança que encanta o homem.
  • O eu é compreendido como uma virtude comunicada por Deus à alma humana, conforme as interpretações de V. Cousin sobre o Timeu.
  • O Demiurgo afirma no Timeu que, embora os seres nascidos não sejam imortais por natureza, não sofrerão a morte por determinação de sua vontade.
  • O último diálogo de Socrates oferece uma lição de serenidade diante do desconhecido.
  • A promessa de imortalidade feita às almas dos deuses sugere que a imortalidade humana dependa igualmente da potência divina.

A concepção moderna da alma como substância criada introduz a dificuldade de sua possível destruição pelo criador.

  • A vida futura não é necessariamente eterna para servir de sanção à justiça absoluta.
  • A crença na imortalidade reside em uma revelação interior e na confiança na bondade divina.
  • O desejo de imortalidade gravado na alma é tomado como uma promessa universal e indestrutível.
  • A doutrina platônica diverge da visão de criação ao propor almas preexistentes e eternamente individuais.

A esperança de Sócrates em reunir-se com homens virtuosos e deuses benevolentes constitui um ato de fé religiosa.

  • A fé antiga do gênero humano sustenta que o destino pós-morte é superior para os bons.
  • A filosofia de Platão aspira governar as almas e uni-las a Deus, exercendo papel análogo ao de uma religião.
  • Platão satisfaz a necessidade do coração humano ao revelar o mistério da vida futura onde a razão falha.

A distinção entre a essência da alma e a do corpo é estabelecida pela consciência moral e pelas condições do conhecimento.

  • A sobrevivência da alma é demonstrada inicialmente pelo argumento dos contrários.
  • A observação revela que a vida nasce do que está morto, em um ciclo eterno de alternância.
  • Aristóteles observa na Metafísica que o contrário destrói o contrário, sendo a destruição de um o nascimento do outro.

As essências imutáveis excluem seus opostos de maneira absoluta e eterna.

  • A alma, como causa e princípio da vida, exclui a morte eternamente.
  • O argumento estende-se ao que é portador de um contrário, assim como o três exclui o par por trazer consigo o ímpar.
  • Sendo a alma o que vivifica o corpo, ela jamais admitirá a morte.

A lógica da exclusão dos contrários é questionada quanto à sua capacidade de provar a indestrutibilidade.

  • A alma poderia simplesmente retirar-se e perecer diante da aproximação da morte, em vez de aceitar o contrário.
  • Sócrates admite a objeção de que o ímpar poderia perecer para dar lugar ao par, a menos que se prove que a alma é imperecível.
  • Santo Agostinho, nos Solilóquios, assinala o vício desse argumento ao comparar a alma à luz que se apaga, permitindo que a treva ocupe o lugar.

A teoria da reminiscência estabelece a preexistência da alma e sua independência em relação ao corpo.

  • O fato de que os homens encontram a verdade em si mesmos prova a posse anterior de ciência e razão.
  • Se a verdade reside na alma, ela deve ser imortal e anterior à forma humana.
  • A substância espiritual da alma não está sujeita à dissolução que atinge o que é material e composto.

A simplicidade da substância intelectual é confirmada pela natureza do conhecimento sensível e inteligível.

  • A percepção exige um sujeito uno e indivisível para unificar as impressões dos órgãos.
  • A alma assemelha-se à ideia e ao divino ao contemplar o que é puro e imutável.
  • A intuição suprassensível demonstra que a essência da alma é idêntica à das formas que ela contempla.

A hipótese da alma como harmonia ou relação entre elementos corporais é rejeitada por Simmias e refutada por Sócrates.

  • A harmonia não pode existir antes da lira, enquanto a alma preexiste ao corpo pela reminiscência.
  • A alma comanda o corpo, ao passo que a harmonia obedece aos elementos que a produzem.
  • Se a alma fosse harmonia, a distinção entre vício e virtude seria impossível.

A alma é definida como uma substância dotada de força e movimento próprio.

  • Leibniz define a substância das coisas pela potência de agir ou sofrer ação.
  • O movimento da alma identifica-se com o pensamento, sendo o motor do corpo.
  • O movimento circular dos astros é a imagem visível do pensamento perfeito que retorna sobre si mesmo.
  • Aristóteles critica essa teoria, propondo que a alma seja um motor imóvel e o pensamento um repouso.
  • Kepler atribui às planetas uma alma diretriz para conduzi-las em curvas savantes.

A natureza imaterial e simples da alma impede sua dissolução e morte.

  • A alma é distinta do princípio vital, que carece de pensamento e imortalidade.
  • A nutrição da alma divina consiste na contemplação do divino, seguindo a lei de que o semelhante busca o semelhante.
  • A mortalidade que poderia atingir aspectos da alma refere-se apenas à perda da personalidade e da consciência.

A eternidade das almas implica a preexistência e a impossibilidade de criação ou destruição de novas substâncias.

  • Jâmblico afirma que o número de almas permanece constante, sem nascimentos ou extinções.
  • Antes da queda na matéria, as almas possuem existência pura na alma universal.
  • A metempsicose explica o movimento incessante da vida através de migrações infinitas.

O ciclo de purificação e retorno à dignidade primitiva ocorre em intervalos de tempo determinados.

  • O Timeu descreve que almas virtuosas retornam aos seus astros, enquanto as más sofrem transformações punitivas.
  • O retorno ao estado incorpóreo exige um período de dez mil anos, conforme o Fedro e a República.
  • Filósofos sinceros podem recuperar suas asas após três mil anos de escolhas consistentes.

O destino das almas após a vida terrena é decidido por julgamento e sorteio diante da Necessidade.

  • Er, o Armênio, relata que o azar no sorteio das escolhas pode condenar uma alma a condições infelizes.
  • A justiça exige que todas as almas recuperem eventualmente a igualdade e a pureza original.
  • A imperfeição humana é inerente e faz com que a alma perca sua contemplação divina.

A visão das essências é limitada pela natureza perturbada da alma humana.

  • Mesmo as almas que mais se assemelham aos deuses têm dificuldade em contemplar a totalidade do ser.
  • Os próprios deuses desfrutam da visão da justiça e sabedoria apenas durante períodos específicos.
  • Ficino e de Serres comentam que a condição de permanecer ileso é impossível se a contemplação não for constante.

A beatitude das almas purificadas pela filosofia é temporária dentro do ciclo das grandes revoluções.

  • O termo para o fim das provações é seguido por nova revolução, conforme Plotino.
  • O sistema platônico exige o retorno das almas à vida para evitar o aniquilamento do mundo.
  • A fatalidade nivela as diferenças entre seres de substância idêntica ao fim de cada ciclo.
  • O conceito da grande grande ano, mencionado por Cícero e Macróbio, prevê a repetição infinita de todos os eventos.
  • Ravaisson nota que a alma se une à alma universal para reiniciar o curso invariável de seu destino.

A doutrina reafirma a vida anterior pela reminiscência e a reviviscência eterna pelo princípio dos contrários.

  • A vida nasce necessariamente da morte, sustentando a renovação perpétua.
  • A análise das faculdades da alma constitui a sequência necessária desta investigação metafísica.
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