autores:aubenque:prudencia
Phronesis, dualidade em Aristóteles
AUBENQUE, Pierre. La Prudence chez Aristote. Paris: PUF, 1997.
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O emprego aristotélico do termo phronesis em diversos tratados identifica-se com o saber imutável do ser imutável em oposição à instabilidade da opinião ou da sensação.
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Platão admite a teoria das ideias para salvaguardar esse saber diante do fluxo heraclitiano do sensível.
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Heráclito postula que o sensível está em perpétuo movimento.
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Se se quer que exista ciência e saber de algo, episteme tinos kai phronesis, é necessário admitir a existência de coisas além das sensíveis.
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Os eleatas são reconhecidos no De Caelo por descobrirem que sem a existência de naturezas imóveis não pode haver conhecimento ou saber, gnosis e phronesis.
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A dianoia conhece e sabe, epistasthai kai phronein, não por gênese, mas graças à quietude e ao repouso conforme a Física.
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O indivíduo torna-se sapiente e conhecedor, phronimon kai epistemon, pelo retorno da alma à calma após a agitação natural.
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Os exercícios dialéticos nos Tópicos auxiliam a busca pelo conhecimento e pelo saber filosófico, pros te gnosin kai ten kata philosophian phronesin.
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Phronesis designa a ciência do imutável e do supersensível, assemelhando-se ao conceito de sophia descrito na Metafísica como ciência primeira e arquitetônica.
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Aristóteles qualifica a sophia como phronesis por ser ela um fim em si mesma e não existir em função de outrem.
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A Ética Nicomaqueia opera uma transição semântica onde a phronesis deixa de ser uma ciência para se tornar uma virtude dianoética voltada ao contingente.
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A alma racional subdivide-se em uma parte científica, epistemonikon, voltada ao necessário, e outra calculativa, logistikon, ou opinativa, doxastikon, voltada ao que pode ser de outro modo.
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Phronesis designa a virtude própria da parte calculadora ou opinativa da alma em vez de integrar a parte científica.
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O saber deixa de ser desinteressado e livre para se tornar atributo daqueles que buscam os bens humanos, anthropina agatha.
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Homens prudentes são capazes de reconhecer os seus próprios interesses, ta sympheronta eautois.
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Sophia concerne ao necessário e ignora o que nasce e perece, sendo imutável como o seu objeto.
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Phronesis volta-se ao contingente e varia segundo os indivíduos e as circunstâncias.
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É absurdo pensar que a prudência seja a forma mais elevada do saber, pois o homem não é o que de mais excelente existe no universo.
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Existem outros seres muito mais divinos que o homem, como os corpos que compõem o universo.
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A terminologia aristotélica apresenta uma coexistência problemática de acepções opostas para o mesmo vocábulo sem que haja uma justificativa explícita para tal oscilação.
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A tradição latina transmitiu ao ocidente cristão o conceito de phronesis sob o nome de prudência, isolando o seu significado prático.
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Aristóteles utiliza a mesma palavra para designar tanto o saber filosófico supremo quanto a virtude do saber oportuno e eficaz.
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A desenvoltura terminológica abrange conceitos essenciais como a natureza do saber humano e as relações entre teoria e prática.
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A relação do homem com o mundo e com Deus está implicada nessa dualidade de sentidos da phronesis.
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