O projeto de Critias para responder ao voto de Sócrates
Distribuição dos papéis
Prelúdio
Oração
Notas preliminares
Princípios
Separação ontológica
Princípio da causalidade
Aplicação dos princípios
Ao mundo sensível
Ao conhecimento
O que fez a razão (29d-47e)
Pressupostos
O demiurgo
O Vivente-em-si
Consequências
O universo é um vivente
O universo é único
A) O Macrocosmo (31b-40d)
O corpo do mundo
Conteúdo
Ele foi fabricado a partir de quatro elementos
Ele contém a totalidade dos quatro elementos
Aspecto e movimento
É uma esfera, sem órgãos e sem membros, que gira sobre seu eixo
A alma do mundo
Recapitulação e transição
A alma é anterior ao corpo
A fabricação da alma do mundo
A divisão da alma do mundo em função de intervalos harmônicos
A fabricação do círculo do Mesmo e daquele do Outro, ele mesmo dividido para constituir os círculos sobre os quais se movem os planetas
Adaptação do corpo do mundo no interior da alma do mundo
A função cognitiva da alma do mundo
A função motriz da alma do mundo
O tempo, imagem móvel da eternidade
Os planetas, instrumentos do tempo
As quatro espécies de seres vivos
O movimento da terra
Evocação rápida dos movimentos dos outros corpos celestes
B) O Microcosmo (40d-47e)
A alma do homem
Os deuses tradicionais
Alocução do demiurgo aos outros deuses
A composição da alma humana. As leis do destino
As almas humanas “semeadas” na terra e sobre os planetas
A condição da alma novamente encarnada
O corpo do homem
Estrutura do corpo humano: a cabeça e os membros
Os olhos e o mecanismo da visão
As imagens em um espelho
Oposição entre as causas acessórias e a finalidade da visão e da audição
Onde se trata da necessidade (47e-69a)
A) A necessidade (47e-53b)
A necessidade, causa errante
O material
“Fogo”, “ar”, “água”, “terra”, etc., são os nomes de propriedades (49a-50a)
Descrição do material
O material não tem qualidade alguma própria
Os formas inteligíveis do fogo, do ar, da água e da terra
Descrição recapitulativa destes três fatores: a forma, a cópia e o material
Descrição do caos
B) Os quatro elementos e suas variedades (53b-61c)
Os triângulos primitivos e as superfícies de base
Construção das figuras dos quatro componentes elementares
Poderia ser que existam cinco mundos?
Relacionamento de sólidos regulares com os quatro componentes elementares
Transmutação dos componentes elementares
Modificação de aspecto
Modificação de lugar
Variedades dos corpos
Variedades dos componentes elementares
O movimento e o repouso relativos aos quatro elementos
Variedade dos corpos que dele resultam
fogo
ar
água
terra
C) Sensações e impressões (61c-69a)
O tocar
O prazer e a pena
Os sabores
Os odores
Os sons
As cores
Conclusão
A cooperação da razão com a necessidade (69a-81e)
Lembrança da ação do demiurgo
O trabalho de seus ajudantes
A) As partes mortais da alma humana (69a-73b)
A sede das partes mortais da alma no corpo
A alma mortal está situada no tórax
A parte agressiva está situada no coração
Descrição da estrutura e do papel
do coração
dos pulmões
A parte apetitiva da alma está situada no ventre
Descrição da estrutura e do papel
do fígado
do baço
dos intestinos
Resumo e transição
B) As outras partes do corpo humano (73b-76e)
A moela, o esperma e o cérebro
Os ossos, a carne e os tendões
A repartição da carne
A pela, os cabelos e as unhas
Anexo: As plantas (76e-77c)
C) Os aparelhos funcionais do corpo humano (77c-81e)
A irrigação que aporta a nutrição ao corpo
Aparelho respiratório
Mecanismo
Digressão. Outros fenômenos explicados pelo mesmo mecanismo
Como o sangue é formado com a ajuda da respiração e transportado através das veias
D) As doenças (81e-92c)
As doenças do corpo
As doenças devidas a um excesso, a uma falta ou a uma má repartição dos componentes elementares
As doenças dos tecidos (secundárias)
As doenças devidas
ao sopro
ao fleugma
à bile
às febres
As doenças da alma
Origem das doenças
A saúde se encontra no equilíbrio
O cuidado da alma
A retribuição: diferenciação dos sexos e aparição dos animais
Conclusão (92c)
Gredos
Diálogo introdutório (17a-27b).
Sócrates realiza um resumo da conversação mantida no dia anterior (Critias) no que concerne ao estado ideal (17b-19a) e exprime o desejo de ouvir uma exposição que descreva o funcionamento concreto de um estado semelhante (19b-20c).
Crítias refere uma história que Sólon ouvira no Egito e que demonstra como a Atenas primordial repeliu a invasão dos atlantidas e libertou a Europa, a África e a Ásia (20d-26c).
Finalmente, distribuem-se as tarefas para a futura conversação: Timeu deve dissertar acerca do cosmos e do homem; Crítias descreverá a história da Atenas primordial.
O discurso de Timeu avança aqui descendendo do maior para o menor, do geral para o particular e da unidade para a multiplicidade.
Introdução (27d-30c).
Timeu esclarece quais devem ser os princípios fundamentais deste primeiro logos acerca da criação.
Distingue três âmbitos: o ser eterno, o devir que nunca é e nasce e morre continuamente, e a causa do devir (27d-28b).
Ao primeiro âmbito pertence o modelo eterno; ao segundo, o mundo sensível; e ao terceiro, o demiurgo inteligente (28b-30a).
Finalmente, o universo é caracterizado como um ser vivente dotado de razão, visto que o demiurgo, ao criá-lo em sua bondade, quis fazê-lo o melhor possível (30b-c).
Criação dos seres viventes eternos (30c-47e).
Criação do mundo (30c-34b).
O corpo do mundo (30c-34b).
O universo é um ser vivente perfeito, imagem do ser vivente inteligível (30c-d), é único (31a-b) e está constituído por quatro elementos: fogo, ar, água e terra (31b-32b), para possuir uma proporcionalidade adequada e indestrutível (32c-33b).
Sua forma é esférica e gira sobre si mesmo (33b-34b).
A alma do mundo (34b-36b).
A alma do mundo, embora possua prioridade ontológica, é tratada posteriormente no discurso de Timeu, o que não significa que tenha sido criada após o corpo (34b-c).
O demiurgo a compõe do mesmo, do outro e da mistura destes dois elementos, dividindo-a em um círculo do mesmo (a esfera das estrelas fixas) e do outro, que, por sua vez, é dividido em sete círculos interiores, desiguais entre si, que se movem com um movimento ordenado (35a-36d).
União do corpo e da alma do mundo (36d-38c).
O demiurgo estende a alma desde o centro do corpo do mundo até seus extremos, cobrindo-o completamente.
Esta, uma vez unida a ele, pode, pelas propriedades de seus componentes, chegar ao conhecimento de todos os objetos, sejam estes sensíveis ou inteligíveis (36d-37c).
O demiurgo cria o tempo para que o universo seja imagem móvel da eternidade (37c-38a).
Criação do restante dos seres divinos (38c-41a).
Os corpos celestes (38c-40c).
Timeu descreve a criação dos planetas e seus movimentos no céu nos sete períodos do círculo do outro (38c-39e), as estrelas fixas e sua esfera, correspondente ao círculo do mesmo da alma do universo (39e-40b), finalizando na criação da terra (40b-c).
Os deuses da mitologia (40d-41a).
O passo seguinte consistiria em ocupar-se da genealogia dos deuses mitológicos, mas Timeu aqui se atém ao narrado pelos poetas.
Criação do homem (41a-47e).
O último passo deste primeiro logos constitui-se pelo relato da criação do homem por parte dos deuses mais jovens.
Nele, a criação da alma serve de ponte entre a criação do gerado imortal e a do gerado mortal.
Encomenda do demiurgo aos deuses inferiores (41a-d).
O demiurgo, encarregado diretamente da criação dos seres divinos, encomenda agora a tarefa de engendrar o corpo humano aos deuses criados por ele.
A razão é o único elemento na alma humana que é obra sua.
Criação da alma humana (41d-42e).
Uma vez criadas as almas humanas com os restos da substância que servira para criar a alma do mundo, o demiurgo lhes mostra as leis do destino, que implicam sua transmigração conforme sua conduta nesta vida.
A obra dos deuses menores (42e-47e).
Criação do corpo e sua união com a alma (42d-44d).
Os deuses menores criam o corpo do homem ao qual unem a alma, imitando a ação do demiurgo.
A alma convulsiona ao entrar no corpo mortal.
Estrutura do corpo (44d-45b).
A estrutura do corpo é explicada teleologicamente.
A cabeça serve para abrigar a parte mais divina da alma, a inteligência; as funções das outras partes são esclarecidas a partir desta estrutura hierárquica.
As sensações (45b-47c).
O relato conclui com o tratamento de duas sensações sob uma perspectiva ideológica: a vista (45b-47c; mecanismo de visão, 45b-d; visão em sonhos, 45d-46c; reflexos em superfícies, 47a-c) e o ouvido (47c-e).
Existe um excurso sobre as causas auxiliares destes fenômenos e sua explicação teleológica (47a-c).
A contribuição da necessidade (47e-69c).
O logos avança nesta parte do discurso da indeterminação para a determinação.
Introdução (47e-48d).
O relato recém-finalizado oferece apenas uma visão incompleta.
Deve ser completado pela explicação da causalidade da necessidade, pois o mundo é o produto da mistura de inteligência e necessidade (48a 1-3).
É necessário esclarecer os princípios do que devém (48e-52c) a partir de uma nova perspectiva e introduzir um novo princípio, o receptáculo (48e-51d), no qual se refletem as ideias e que, em constante mudança, adota as distintas formas do mundo ideal e dá lugar ao mundo fenomênico circundante.
As ideias funcionam à maneira de um pai sobre esta mãe que é o receptáculo (50c-52d).
Os elementos (52d-61e).
A situação antes da criação (52d-53b).
Antes da ordenação da matéria, esta se encontrava em um contínuo movimento caótico que apresentava vestígios dos elementos primordiais: fogo, ar, terra e água.
Estrutura dos elementos (53c-61c).
Os elementos são constituídos por triângulos retângulos e isósceles, que explicam não apenas a diferença, mas também a mutação de um elemento em outro (53c-57d).
Nesta transformação constante, produzem-se movimentos dos elementos de e para suas regiões próprias no universo (56c-57c), originando subespécies e formas mistas (58c-61b).
As qualidades sensíveis (61c-68d).
Os objetos constituídos pelos elementos possuem qualidades sensíveis percebidas por todo o corpo (61d-65b), como a relação calor-frio (61d-62b), duro-mole (62b-c), pesado-leve (62c-63e), áspero-suave (63e-64a), prazeroso-doloroso (64a-65b), ou por órgãos especiais (65b-68d), como os sabores (65b-66c), odores (66d-67a), sons (67a-c) e cores (67c-68d).
Conclusão (68e-69a).
Constata-se o que o demiurgo tomou da necessidade na criação do mundo; por conseguinte, é necessário reconhecer dois tipos de causas: o necessário e o divino.
A mistura de inteligência e necessidade (69b-92c).
Em seu terceiro movimento, o logos discorre do superior para o inferior.
Introdução (69b-c).
O final do discurso descreve a obra conjunta da razão e da necessidade.
A divindade introduz ordem e proporção, iniciando pelos elementos; após criar o mundo e os deuses, encarrega a estes a criação do homem.
O homem (69c-90d).
Anatomia (69c-77c).
A alma (69c-72e).
Os deuses criam primeiramente as partes mortais da alma: o irascível e o concupiscível (69c-70a).
A primeira localiza-se no tórax (70a-d), enquanto a segunda ocupa a zona do ventre (70d-72e).
O corpo (72e-79a).
Timeu descreve as partes do corpo criadas pelos deuses: ventre e intestinos (72e-73a), ossos e medula óssea (73b-74a), carne, nervos e tendões (74a-75d), boca (75d-e), pele e pelos (75e-76d), unhas (76d-e) e sistema circulatório (77c-79a).
Inclui-se um excurso sobre as plantas (76c-77c).
Fisiologia (79a-81e).
Descrevem-se dois aspectos da fisiologia humana: a relação entre circulação, respiração e alimentação (79a-80c); e a alimentação e o sangue, com sua significação para o crescimento, envelhecimento e morte (80d-81e).
Patologia (81e-87b).
A exposição desemboca no tratamento das diversas enfermidades que podem acometer o corpo (81e-86a) e a alma (86b-87b).
Terapêutica (87c-90d).
As propostas curativas para as disfunções do corpo e da alma centram-se na relação correta entre ambos os elementos (87c-89d) e no cuidado das três espécies de alma (89d-90c).
O apartado encerra-se com um elogio ao intelecto (90a-d).
O restante dos animais (90e-92c).
Explica-se o mecanismo das leis do destino, que povoam o mundo de animais, visto que os homens incapazes de respeitar a ordem natural são condenados a reencarnar em uma vida subsequente como um animal inferior: mulher (90e-91d), aves, quadrúpedes, répteis e vermes, peixes e moluscos (91d-92c).