Além dos dois interlocutores, Sócrates e Sísifo de Farsala, sobre os quais nada se sabe, são mencionadas outras duas figuras, que também permanecem desconhecidas. Onde ocorre a conversa? Não muito longe de Farsala, uma cidade na estrada para Larissa, na Tessália, pois Sísifo havia deliberado ali na véspera com seus concidadãos. Esse é, aliás, o tema do diálogo: a deliberação em comum.
Sísifo explica que não pôde ouvir Estratônica no dia anterior, pois participava com seus concidadãos de uma deliberação em Farsala; isso permite que Sócrates inicie a discussão (387b-e). A deliberação em comum seria apenas improvisação, conjectura, adivinhação? Sísifo replica que deliberar é buscar o que deve ser feito, conhecendo apenas uma parte da questão, mas não o restante. Portanto, prossegue Sócrates, deliberar é buscar o que não se sabe. Mas então por que buscar o que não se sabe, em vez de ir informar-se junto a um especialista (387e-390c)? Admitamos que a deliberação é outra coisa que não a adivinhação; como se poderá distinguir entre bons e maus conselheiros? Se é verdade que a deliberação diz respeito ao que se deve fazer, ela diz respeito ao que vai acontecer e não ao que é. Mas como buscar o que não é? A distinção entre bons e maus conselheiros não se sustenta, portanto (390c-391d). O assunto exige que se reflita ainda mais sobre ele (391e).
O autor deste texto conhece bem a obra de Platão. Mas, apesar de algumas semelhanças com o Menon, não é possível associar o Sísifo a nenhum diálogo específico, pois ele apresenta os mesmos defeitos que Sobre o Justo e Sobre a Virtude: um estilo monótono, uma argumentação enfadonha. Nada permite, portanto, situar com precisão sua composição no tempo, mas pode-se pensar em um exercício de escola retórica bastante antigo, pois Diogênio Laércio considera o diálogo como inautêntico.