No corpus platônico, o Menéxeno ocupa um lugar à parte, que não se deve apenas à sua brevidade. Sócrates encontra na rua um jovem de sua conhecência e inicia uma conversa. Mas quase imediatamente a conversa toma um rumo desconcertante: ao saber que um funeral cívico deve ser organizado em breve, Sócrates faz um elogio exagerado e irônico dos discursos fúnebres que são recitados durante essas cerimônias. Desafiado por Menexeno a proferir ele mesmo um, acaba por fazê-lo, mas alegando, como faz com Diotima no Banquete, retomar as palavras de Aspasia, que foi primeiro companheira e depois esposa de Péricles. Depois disso, os dois amigos se separam, não sem antes prometerem se rever em breve.
Eis, portanto, uma discussão durante a qual nenhuma investigação dialética parece se iniciar, nem mesmo para culminar, como em muitos diálogos, na constatação compartilhada de um impasse. Na verdade, o Menexeno é uma crítica à democracia ateniense e, mais especificamente, como é o caso no Gorgias e no Fedro, ao instrumento do poder no Tribunal e na Assembleia, ou seja, à retórica, aplicada aqui ao gênero mais político que existe, a saber, o discurso fúnebre (o epitáphios lógos).
O discurso fúnebre encerrava uma importante cerimônia, sem dúvida anual, que se estendia por vários dias, em um período difícil de precisar, mas que ocorria aproximadamente — se é que tinha data fixa — no decorrer do nosso mês de outubro, logo após a suspensão das hostilidades imposta pela chegada da estação fria. Essa cerimônia permitia à cidade, de certa forma, apropriar-se dos mortos de seus cidadãos para conferir-lhes um sentido cívico capaz de distanciá-los do luto pessoal e da pura lamentação. Esse trabalho de interpretação era, para a cidade democrática, a oportunidade de apresentar aos seus membros, mas também perante testemunhas estrangeiras, uma espécie de autorretrato idealizado, uma relembrança dos valores que deveriam animá-la, e de fazer valer seus títulos à hegemonia sobre as outras cidades gregas. É, portanto, à imagem que a cidade oferece de si mesma, tanto internamente quanto externamente, que Sócrates se volta no Menéxeno, que se insere nessa crítica à democracia ateniense testemunhada, em particular, pela República e pelas Leis.