Pierre Pellegrin

PLATON. Apologie de Socrate. Paris: Nathan, 1991.

1. A “Apologia de Sócrates”, de Platão, pertencente ao seu primeiro período de obras e não sendo um diálogo, relata os discursos que Sócrates teria proferido perante seus juízes; embora não seja a única obra do gênero, a palavra “apologia” significa defesa, e a opinião predominante atualmente é a de que Sócrates foi uma vítima inocente e os atenienses, algozes injustos.

2. Não há prova de que a “Apologia” de Platão seja a primeira de seu tipo, havendo divergências entre especialistas sobre sua data de composição, que é seguramente anterior aos grandes diálogos da fase “média”, como o “Fédon” e o “Banquete”, e provavelmente anterior ao “Górgias” e ao “Mênon”.

3. A visão da “Apologia” como relato exato das palavras de Sócrates foi abandonada, pois Platão visava transmitir uma mensagem filosófica; embora não seja uma ficção literária pura, pois contemporâneos de Sócrates a leriam, ela é, acima de tudo, uma defesa de Sócrates composta por Platão, e não a defesa que Sócrates fez de si mesmo.

4. O CONTEXTO HISTÓRICO DO JULGAMENTO DE SÓCRATES: VICISSITUDES DA DEMOCRACIA ATENIENSE

5. AS ACUSAÇÕES CONTRA SÓCRATES

6. As acusações “novas”, contidas na denúncia de Mêleto, são vistas como um disfarce para motivos políticos mais profundos, e a análise da figura de Ânito, um democrata moderado que participou da restauração da democracia, sugere que a motivação religiosa pode não ter sido a principal.

7. POR QUE, ENTÃO, SÓCRATES FOI JULGADO E CONDENADO À MORTE?

8. SÓCRATES E A DEMOCRACIA

9. SÓCRATES ÍMPIO? SÓCRATES ATEU?

10. Por fim, a “Apologia” de Platão não é um relato judiciário fiel, pois ele toma liberdades com a prática ateniense ao dar ênfase à refutação dialética de Sócrates, que é a própria essência de sua missão filosófica, em vez de apelar para testemunhas, como era o costume.

11. Mais do que a defesa de um homem, Platão, na “Apologia”, constrói um retrato de Sócrates como o paradigma do sábio, imagem que perdurou na história, e define os contornos de uma filosofia que ele, na época, atribuía a Sócrates, centrada na refutação de falsos saberes e na busca pela verdade e pelo cuidado da alma.