O juramento de vingança de Zeus traduz a passagem do conflito pontual para uma política de punição duradoura.
A ordem a Hefesto para moldar uma mulher de argila, animada pelos quatro Ventos e adornada por todas as deusas, produz uma figura construída como artefato, isto é, como criação técnica dirigida à finalidade de castigar.
Pandora é definida como a mais bela já criada, e a beleza aparece como componente essencial de sua eficácia enquanto presente, pois o dom deve seduzir para cumprir sua função destrutiva.
O envio de Pandora a Epimeteu, escoltada por Hermes, torna o presente uma operação oficial do Olimpo, unindo mensageiro e armadilha.
A recusa inicial de Epimeteu, por ter sido advertido a não aceitar presentes de Zeus, evidencia que a prudência de Prometeu pretendeu estender-se ao irmão como defesa contra a vingança divina.
A intensificação da ira de Zeus conduz ao castigo direto: Prometeu é acorrentado nu a um pilar no Cáucaso, configurando exposição, impotência e isolamento como elementos da pena.
O abutre que devora diariamente o fígado institui uma tortura que se renova sem término, porque o órgão se recompõe a cada noite, de modo que a dor é convertida em ciclo sem consumação.
O frio noturno, somado ao suplício diurno, amplia o castigo para além da violência corporal imediata, fazendo da própria alternância temporal um instrumento de sofrimento.