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Cronologicamente, este breve tratado pertence, juntamente com IV 2, IV 7 e IV 8, ao grupo dos oito primeiros tratados (Vida 4, 37) e constitui um novo indício da preocupação precoce do autor com os problemas da alma. Tematicamente, IV 9 é um antecipação inicial do primeiro dos problemas discutidos em IV 3-5: o da “unimultiplicidade” da Alma. A tese, em ambos os casos, acaba sendo a mesma: todas as almas encarnadas, tanto a do cosmos quanto as almas humanas, são almas particulares que provêm de uma única anterior a todas: a Alma superior; mas, em última análise, todas elas são uma só, formando juntas uma única Hipóstase “unimúltipla”, uma e indivisível em seu nível superior, ao mesmo tempo que múltipla e indivisivelmente dividida em seu nível inferior; e em ambos os tratados é invocada, como ilustração, a analogia da ciência. Em contrapartida, as objeções que o autor se propõe contra sua própria tese são distintas em ambos os casos: em IV 9, insiste-se mais nas dificuldades de natureza psicológica e moral que a tese acarreta. O caráter inicial deste tratado transparece, principalmente, na maior insegurança com que a tese é defendida, juntamente com um marcado esquematismo no tratamento do problema, em contraste com a segurança, complexidade e matização que revestem o desenvolvimento do mesmo problema em IV 3. A tese da unimultiplicidade da Alma é determinada em grande parte, por um lado, pela antiga crença na existência de uma Alma cósmica e, por outro, pela ausência do conceito de «pessoa» no horizonte da filosofia platônica. Mas, mesmo sem nos afastarmos totalmente desse horizonte, é uma tese dificilmente compatível com a experiência da unidade da consciência psíquica individual e com a intransferibilidade da responsabilidade moral de cada um.