Cronologicamente, IV 7 é o segundo (Vida 4, 24); formalmente, é o mais “escolar” dos tratados1; e, tematicamente, constitui uma tomada de posição inequívoca em defesa da concepção platônica da alma frente às outras escolas. O capítulo 1 levanta a questão de saber se o homem individual é ou não imortal; mas como “a alma é o próprio homem” (1, 24-25), a questão da imortalidade do homem se reduz à questão da imortalidade da alma, o que leva Plotino a abordar o problema que, conforme indicado no início do capítulo 2, constitui o tema central do tratado: qual é a natureza da alma?2. O desenvolvimento desse tema divide-se em duas grandes seções, das quais a primeira (capítulos 2-85) é refutativa: a alma não é nem um conglomerado de átomos, contra os epicuristas, nem um pneûma corporal, contra os estoicos, nem uma harmonia, contra os pitagóricos, nem uma atualidade inseparável, contra os peripatéticos³. A segunda, que ocupa o restante do tratado, é uma defesa da tese platônica da alma como substância real, transcendente, divina, simples e imortal. A grande lacuna dos códices eneádicos4 pôde ser felizmente suprida graças a EUSEBIO DE CESARÉIA, que, em duas seções distintas de sua Praeparatio Evangelica (XV 22, 1-67, e XV 10, 1-9), transcreve IV 7, 1-84 e IV 7, 85, respectivamente. A primeira dessas duas transcrições é precedida pelo seguinte epígrafe: «Contra os estoicos, que a alma não pode ser corpórea, do primeiro livro de Plotino sobre a alma»5. A segunda transcrição é precedida por outro epígrafe: «Do segundo livro de Plotino sobre a imortalidade da alma contra Aristóteles, que disse que a alma é atualidade.» Isso indica que Eusébio dividia IV 7 em dois livros ou que o encontrou assim dividido na edição de seu uso6. Por sua vez, o texto dos códices de Eusébio pôde ser corrigido em três passagens graças aos Plotiniana arabica⁷.