A definição da natureza intermediária da alma é emprestada do
Timeu, ao testemunho do qual
Plotino acrescenta ainda uma expressão do
Parmênides (155e5) que caracteriza o que se costuma chamar de terceira hipótese do
Parmênides (155e3-157b4) – a qual, em sua interpretação da segunda parte do diálogo, corresponde à Alma –, para afirmar que a alma é também una e múltipla ao mesmo tempo.
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Isso significa, como precisa o segundo capítulo, que a alma não é mais absolutamente divisível do que é absolutamente indivisível: ela não perde sua unidade ao multiplicar sua atividade nos corpos, mas não é absolutamente una e indivisível como seria uma realidade que consistisse apenas em um único ponto.
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Esse é um privilégio que o final do tratado, se a última frase é bem autêntica, reserva ao “que é o mais elevado”, isto é, ao princípio do qual a alma provém, o Intelecto.
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Plotino introduz então, associando o motivo da divisibilidade ao da multiplicidade, um duplo critério que lhe permite ao mesmo tempo distinguir e comparar diferentes níveis de realidade.
As metáforas tópicas que
Plotino emprega situam, no mais elevado, o princípio do qual a alma provém e que é um; abaixo dele, a própria alma, ao mesmo tempo una e múltipla; e, por fim, seus produtos, que são uma multiplicidade.
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Os tratados ulteriores darão a essa hierarquia uma figura mais complexa e mais precisa, ao menos situando em seu topo um princípio ainda mais eminente do que aquele do qual a alma provém, “o Um”.
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Os tratados ulteriores conservarão o uso desse duplo critério: o que distingue entre si todas as realidades ou todos os modos de existência possíveis são os diferentes graus de unidade em que cada um deles consiste.
Gredos
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Utilização de um novo método para o aprofundamento da investigação ulterior sobre a essência da alma.
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Inspiração nos diálogos Platônicos Fedon e
Fedro para a tese de que a alma é substância transcendente, simples, imortal, ingênita e imperecedera.
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Diferenciação do ser da alma em relação ao corpo corruptível e a necessidade de distinção frente à segunda Hipóstase.
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Inspiração no
Timeu para a aplicação de uma subdivisão dicotômica dos graus de ser estabelecidos por
Platão.
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Estabelecimento de uma escala de quatro grados de ser mediante uma dupla bipartição que contra-distingue este tratado de IV 7 e IV 1.
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Exclusão do Uno-Bem como supra-ser e da matéria como infra-ser na perspectiva desta divisão quatripartita.
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Adoção do critério de divisão quantitativa para definir a Inteligência como absolutamente indivisa, ainda que considerada uni-múltipla.
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Equiparação da fórmula do
Timeu indivisa e dividida com a expressão uma e múltipla presente no
Parmênides.
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Ordenação descendente dos quatro graus na recapitulação final: o Ser supremo ou Inteligência é somente uno e absolutamente indiviso.
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Caracterização da alma como uma e múltipla por ser primariamente indivisa e secundariamente divisível.
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Definição das qualidades somáticas como múltiplas e umas, sendo primariamente divisíveis e secundariamente indivisas.
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Classificação dos corpos como somente múltiplos em razão de sua divisibilidade absoluta.