BP
BCG57
O presente tratado do segundo período (Vida 5, 37) é uma confirmação do que nos diz Porfírio: que Plotino se interessava pelos problemas da óptica (ibid. 14, 8-9). Como é sabido, Heráclito havia afirmado que o sol mede um pé de largura[1], e os epicuristas haviam se expressado com semelhante ingenuidade sobre as magnitudes e distâncias do sol, da lua e das estrelas[2]. Plotino, neste tratado, não se propõe refutar essa teoria, mas, partindo do pressuposto de que os objetos distantes parecem menores e os próximos, maiores, tenta explicar a razão desse duplo fenômeno. A solução por ele adotada não é tirada do estudo do mecanismo da visão, mas da psicologia das sensações adaptada à sua intenção. Na sensação da visão, é possível distinguir duas classes de sensíveis: o próprio, que é a cor, e o incidental, que é a magnitude. Ora, quando os objetos estão distantes, ocorre em ambas as classes de sensíveis uma diminuição que se traduz, no primeiro caso, em um empalidecimento da cor e, no segundo, em um encolhimento da magnitude[3].
APE
Este tratado muito breve (n.º 35 na ordem cronológica de Porfírio) é a única evidência que nos resta do estudo de Plotino sobre óptica, mencionado por Porfírio no capítulo 14 da *Vida*. Trata-se de uma discussão acadêmica, baseada provavelmente na leitura dos *problemas* peripatéticos (sobre isso, e para evidências da origem das visões apresentadas, ver a introdução de Bröhier). A questão de por que os objetos distantes parecem menores do que realmente são foi muito discutida nas escolas filosóficas, e Plotino apresenta cinco visões diferentes. A primeira é estoica (a luz se contrai proporcionalmente ao tamanho do olho); a segunda, aparentemente, é aristotélica (percebemos a forma sem a matéria e, portanto, sem o tamanho — mas, como Plotino observa de passagem, o tamanho é uma forma); a terceira (necessidade de ver cada parte para perceber o tamanho) é epicurista; a quarta é aristotélica (percebemos a cor primariamente, e o tamanho apenas incidentalmente). Esta é a solução que Plotino prefere; ele a desenvolve com certa extensão, com uma digressão sobre os sons. A quinta é a explicação matemática pelo ângulo de visão menor, que Plotino parece achar mais interessante do que qualquer uma das três primeiras, mas que, mesmo assim, rejeita.
LPE
Em sua Vida de Plotino (§14), Porfírio relata que Plotino se dedicou intensamente à óptica, entre outros assuntos. Talvez esse relato tenha um tom um tanto hagiográfico, mas este tratado demonstra que Plotino se interessava por pelo menos um problema muito discutido na óptica: por que os objetos distantes parecem menores. Ele nos apresenta um total de cinco soluções para esse problema (§1.4–6, §1.6–9, §1.9–12, §1.12ff. e §2 passim), que provavelmente foram extraídas de seus predecessores filosóficos, embora o tratamento sucinto que recebem aqui torne difícil a identificação definitiva de algumas das fontes de Plotino. Plotino demonstra uma preferência inequívoca pela quarta solução, que é claramente inspirada em Aristóteles.