BP
BCG57
Com o presente tratado do primeiro período (Vida 4, 49), passamos do problema da eternidade do cosmos para o da rotação da esfera celeste. Para compreender o sentido da solução plotiniana, é preciso começar por entender seu pano de fundo platônico, já que II 2 não passa de um aprofundamento na doutrina legada pelo mestre. Em uma passagem importante das Leis (897 a-899 d), Platão havia estabelecido dois pontos: a rotação celeste é uma imitação da rotação metafórica da inteligência, e a causa eficiente é uma Alma perfeita. Sobre a natureza da eficiência da Alma, Platão sugere três possibilidades: a Alma move os astros ou de dentro, viajando com eles, ou de fora, empurrando-os, ou de algum outro modo maravilhoso. Ora, Plotino aceita sem discussão os dois primeiros pontos: a causa exemplar da rotação celeste é a Inteligência, e a causa eficiente, a Alma cósmica. Das três sugestões relativas à natureza da eficiência da Alma, Plotino rejeita explicitamente a primeira, ignora a segunda e se propõe a encontrar a terceira: qual é esse modo maravilhoso com que a Alma faz girar a esfera celeste? Ele encontra a resposta no Timeu (36 e-37 a), onde a própria Alma do cosmos aparece girando à maneira de uma esfera, «em si mesma» e «voltada para si mesma». A rotação espacial do céu nada mais é do que a repercussão do movimento psíquico da Alma. Dessa forma, em Plotino encontramos três rotações: a do cosmos, a da Inteligência e, mediando entre ambas, a da Alma. Há um certo paralelismo com o problema da perpetuidade numérica do céu em II 1: em ambos os casos encontramos duas causas concomitantes: como causa principal, uma Alma perfeita, e como causa subordinada, um corpo perfeito.
APE
Este breve tratado (n.º 14 na ordem cronológica de Porfírio) possui um título alternativo, Sobre o Movimento Circular, na Vida (cap. 4. 49 e 24. 42), que é utilizado em algumas edições e traduções modernas. Trata-se de uma defesa da doutrina platônica (o movimento do céu é a expressão corporal do movimento espiritual da alma do universo) contra a concepção aristotélica do movimento por um motor imóvel e a explicação materialista dada pelos estóicos. Heinemann negou a autenticidade do tratado: mas suas palavras iniciais são citadas como sendo de Plotino por Proclo, Damáscio, Simplicio e Filopono (referências na edição de Henry-Sehwyzer e no comentário de Cilento): e os argumentos de Heinemann extraídos do conteúdo do tratado são adequadamente refutados por Brehier em sua introdução ao mesmo (Vol. II, pp. 17-19).
LPE
Este breve tratado inicial dedica-se a explicar o movimento circular dos céus como uma imitação da intelecção — uma tese já conhecida do *Timeu* e das *Leis* de Platão — embora sua abordagem dialética torne difícil avaliar suas conclusões. Este é também um tema ao qual Plotino retorna repetidamente ao longo de sua carreira (ver 2.1 (40).3.13–30; 3.2 (47).3.28–31; 3.7 (45).4.29–33; 6.4 (22).2.34–49; 4.4 (28).16.20–31) e, portanto, quaisquer resultados aqui identificados devem ser considerados à luz dessas observações posteriores.