BP
BCG57
O fato de a vida aqui ser um mal e a morte um bem (I, 7, 3) não implica que o suicídio seja justificável. Ao abordar, neste brevíssimo tratado da primeira etapa (Vida 4, 53), o problema do suicídio, tema clássico nas escolas antigas, a postura de Plotino está mais próxima de Platão do que dos estoicos. Seu interesse não se concentra em determinar por quais razões, se é que existem, e em que circunstâncias, se é que existem, o suicídio pode ser um ato razoável, mas, pelo contrário, em acumular razões para desaconselhá-lo (a não ser em circunstâncias excepcionais, e como um mal menor) a partir de uma perspectiva escatológica alheia ao estoicismo. Por isso, os títulos deste pequeno tratado nos dois catálogos da Vida representam um desvio, pois respondem à preocupação estoica mais do que à de Plotino. Notemos, finalmente, que aqui, assim como em sua conversa dissuasiva com Porfírio (Vida 11. 11-15), Plotino se dirige ao filósofo ou ao aspirante a filósofo. Isso é importante na hora de comparar I 9 com I 4[6].
APE
ESTE breve tratado pertence ao grupo inicial (n.º 16 na ordem cronológica), tendo sido escrito antes de Porfírio se juntar a Plotino; por isso, não pode apresentar os argumentos que Plotino utilizou para dissuadir Porfírio do suicídio (Vida, cap. 11). Creuzer supôs que se tratasse de um resumo extraído da edição de Eustoquio; Heinemann, de uma paráfrase ou resumo (e impreciso) de Porfírio que substituiu o texto original: mas não parece haver razão suficiente para não acreditar, com Brehier, Harder, Henry e Schwyzer, que se trata do tratado genuíno de Plotino que ocupava este lugar na edição de Porfírio.
LPE
Neste breve tratado — ou talvez nota —, Plotino aborda uma questão que surge ao longo da história da filosofia antiga, a saber, a justificabilidade do suicídio. A visão de Plotino está, sem surpresa, em consonância com o argumento apresentado no Fédon de Platão, mas acrescenta também reflexões sobre como, se é que de alguma forma, as doutrinas peripatéticas e estoicas poderiam influenciar a proibição do suicídio. Na editio minor de Henry e Schwyzer, há um apêndice a este tratado com um trecho da Introdução à Filosofia de Elias, um aluno de Olimpiodoro, que supostamente cita Plotino sobre o suicídio. Henry e Schwyzer rejeitaram posteriormente a autenticidade desse fragmento, embora, como sugere Armstrong, ele possa ter origem nos ensinamentos orais de Plotino.
Em suma, a retirada violenta da alma do corpo é injustificável. Esse tipo de retirada sobrecarrega a alma que parte com as paixões corporais. O suicídio também priva os seres humanos da possibilidade de progresso moral.