BP
BCG57
A alma humana, que é bipolar (I 2, 4, 13), debate-se entre os dois pólos opostos da procissão plotiniana: o Bem e o Mal. Do primeiro, que centrou nossa atenção nos dois tratados anteriores (I 6-7), passamos agora ao segundo. No presente tratado são traçadas, efetivamente, as três grandes coordenadas da concepção plotiniana do mal. Diante do dualismo radical, que postula dois princípios positivos, um bom e outro mau, Plotino identifica o mal com o não-ser. Mas, ao contrário de Aristóteles, esse não-ser não é um concomitante acidental da matéria, mas a própria matéria constituída no Mal em si, ao mesmo tempo que na origem primeira de todos os males. Com isso, o mal e a origem do mal ficam excluídos, em oposição ao gnosticismo, da esfera do divino. Em Platão, encontramos dois temas principais: no Teeteto, a necessidade da existência do mal juntamente com a possibilidade de a alma evitá-lo; e no Timeu, a maneira de conhecê-lo por meio da negação, de forma análoga àquela por que, segundo esse diálogo, se conhece o espaço. Cronologicamente, I 8 é um dos últimos tratados (Vida 6, 18).
APE
Este é, mais uma vez, um tratado muito tardio (n.º 51 na ordem cronológica de Porfírio). Seu objetivo principal parece ser fornecer uma base metafísica sólida para o ensinamento moral de Plotino sobre a necessidade de purificar a alma, separando-a do material: isso é feito demonstrando que o mal não é uma imperfeição ou fraqueza da alma, mas possui uma quase-existência independente e é idêntico à matéria. O tratado divide-se em três partes; a primeira (capítulos 1–5) tem como objetivo mostrar que existe um mal absoluto e que ele é idêntico à matéria, à absoluta ausência de forma; a segunda (capítulos 6-7) é um comentário sobre o texto favorito de Plotino do Teeteto (176A), acompanhado no capítulo 7 por outros do Timeu (47E-48A e 41B), nos quais duas importantes objeções à ideia de um contrário absoluto ao bem, extraídas da lógica de Aristóteles, são refutadas; elas são: que a existência de um termo não implica necessariamente a existência de seu contrário e que a substância não tem contrário; a terceira parte (capítulos 8 a 15) trata de uma série de objeções à ideia da matéria como mal absoluto, provenientes de várias fontes, principalmente aristotélicas e estoicas.
A autenticidade de várias partes do tratado foi contestada por Thedinga e Heinemann. Brehier refuta seus argumentos de forma sucinta, mas adequada, na introdução ao tratado em sua edição.
LPE
Neste tratado, Plotino aborda o problema da existência do mal, dada a onipotência do Bem. Ele refuta a interpretação de Platão segundo a qual o mal seria, de alguma forma, um princípio independente do Bem, o que estabeleceria o que Plotino considera um dualismo injustificável. Ele defende aqui extensivamente a identificação do mal com a matéria, rejeitando de forma decisiva a distinção de Aristóteles entre potência e privação. A matéria é tanto potência pura quanto privação incondicional, o que a desqualifica de ser um princípio separado, embora, ao mesmo tempo, a torne um resultado inevitável do fluir do universo a partir do Bem ou do Um. Onde cessa todo vestígio de inteligibilidade, aí deve estar a matéria.