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BCG57
Aristóteles havia rejeitado a Ideia do Bem da República de Platão, não vendo nela mais do que um conceito supostamente unívoco e um universal arbitrariamente hipostatizado (Ética a Nicómaco 1096 a 11-1097 a 13). Mas ele próprio havia admitido a existência de um Bem real e transcendente, Deus, como fundamento último da atividade imanente da alma e da ordem imanente do cosmos. Só que ele concebia Deus como Ser supremo e Inteligência suprema. Partindo de pressupostos comuns ao platonismo e ao aristotelismo, Plotino contra-ataca Aristóteles e reivindica o Bem onitranscendente de Platão, argumentando, em parte ad hominem, que o Bem primário, como princípio de toda atividade, deve estar além da inteligência, mesmo da Inteligência transcendente, e, como fundamento de todos os Seres, deve estar além de todos os seres, até mesmo dos seres transcendentais. Em seguida, estabelece uma escala de bens análoga à das belezas de I 6, e conclui com uma avaliação da vida e da morte. Cronologicamente, I 7 é o último tratado (Vida 6, 24). A breve meditação do capítulo final, escrita sob os efeitos da doença que logo o levaria à sepultura, ganha assim um tom emocionado de despedida da vida, ou melhor, de saudação de boas-vindas à vida que aguarda a alma pura após a morte.
APE
Este breve tratado é o último que Plotino escreveu antes de sua morte; nele encontramos os fundamentos de seu ensinamento moral e religioso em sua forma mais simples. No primeiro capítulo, ele estabelece brevemente a necessidade de aceitar o Bem platônico transcendente, refutando a rejeição de Aristóteles a ele com base nos próprios princípios de Aristóteles. Em seguida, após afirmar que a vida é uma forma de participar do Bem e, portanto, um bem, ele mostra que a morte, a morte que ele próprio via se aproximando, é um bem maior do que a vida no corpo.
Sinopse
Se, como diz Aristóteles, o bem próprio de uma coisa é sua plena atividade natural, então aquilo para o qual a alma dirige sua melhor atividade será o Bem Absoluto; este não tem atividade direcionada a outras coisas, mas é a fonte e o fim de todas as atividades; é, em um sentido mais verdadeiro do que o Motor Imóvel de Aristóteles, o objeto supremo do desejo (cap. 1). Unidade, existência, forma, vida, intelecto são, todos em seu grau, formas de participar do Bem, e a alma se aproxima do Bem por meio de sua vida e intelecto (cap. 2). Mas se a vida, então, é um bem, a morte não é um mal? Não, pois a vida no corpo só é boa na medida em que a alma se separa do corpo por virtude, e a morte, a separação da alma e do corpo, leva a alma a uma vida melhor (cap. 3).
LPE
Este é, aparentemente, o último tratado que Plotino escreveu antes de sua morte. Trata-se de uma espécie de apêndice ao 1.4 (46), “Sobre a Felicidade”, que se concentra nos fundamentos metafísicos de sua filosofia ética. Aqui, ele insiste, em oposição a Aristóteles, que esse fundamento deve ser uma Ideia do Bem absolutamente transcendente.