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BCG57
Este tratado foi redigido na sequência de I 2 (Sobre as virtudes) como complemento deste, e assim deve ter entendido Porfírio, que, neste caso, fez coincidir a ordem sistemática com a cronológica. Se as virtudes superiores do tratado anterior nos deixavam às portas da Inteligência, agora é preciso dar o salto das virtudes superiores para o Ser e do Ser para o Bem. Mas ainda não se trata do acesso ao Bem pela via da união mística, mas pela via prévia do discurso racional. Tal é a missão da dialética, considerada aqui como disciplina e como virtude. Plotino segue de perto Platão em sua concepção do Bem como meta, na escolha dos candidatos à ascensão, na distinção das duas etapas do itinerário e em sua descrição do objeto e do método próprios da dialética (capítulos 1-5). Mas em sua avaliação da dialética como disciplina fundamental, por um lado, e como virtude suprema, por outro, em sua relação, respectivamente, com os outros ramos da filosofia e com as outras virtudes, ele parece inspirar-se em Aristóteles (cap. 6). Deste ponto de vista, a dialética ocupa uma posição análoga à filosofia primeira e à sabedoria teórica ou sophia do estagirita.