1. Prazer (hedone) e angústia (lype), medo (phobos) e coragem (tharre, andreia), desejo (epithymia) e aversão (apostrophe), onde estas afetividades e experiências se assentam? Claramente, somente na alma (psyche), ou na alma no emprego do corpo (soma), ou em alguma terceira entidade derivando de ambos. Para esta terceira entidade, consequentemente, existem dois modos possíveis: poderia ser uma combinação ou uma forma distinta devida à combinação. E o que se aplica às afetividades (pathos) se aplica também aos atos, físicos ou mentais, que delas brotam. Temos, portanto, que examinar a razão-discursiva (dianoia) e a ação mental ordinária (doxa) sobre objetos dos sentidos (pathe), e investigarmos se estas têm seu assento com as afetividades e experiências, ou talvez algumas vezes este assento, outras vezes outro. E devemos considerar também nossos atos de intelecção (noesis), o modo deles e o assento deles. E este princípio investigativo, que investiga e decide nestas matérias, deve ser levado à luz. Primeiramente, qual o assento da percepção-dos-sentidos (aisthanesthai tinos)? Este é obviamente o início posto que as afetividades e as experiências (aisthesis) são ou sensações de alguma espécie ou, pelo menos, nunca ocorrem aparte da sensação.
Prazeres e dores, sentimentos de medo e ousadia, apetites e aversões e sentimentos de angústia – a que pertencem? De fato, eles pertencem à alma ou a uma alma que usa um corpo ou a uma terceira coisa que surge de uma combinação destes. E isto pode ser entendido de duas maneiras: como uma mistura ou como algo diferente que surge da mistura. É o mesmo para o que surge destes estados, a saber, ações e crenças. Portanto, devemos investigar o pensamento discursivo e a crença para determinar se eles pertencem àquilo a que os estados pertencem ou se alguns deles são assim e outros não. E também devemos refletir sobre como os atos de intelecção ocorrem e a que pertencem, e de fato qual é a coisa que está considerando a investigação destas questões e fazendo o julgamento. Mas antes disso, devemos perguntar: qual é o sujeito da percepção sensorial? É apropriado começar a partir daí, pois os estados (acima) são ou atos de percepção dos sentidos ou então não ocorrem sem percepção dos sentidos. (Tratado 53)