Gemistos Plethon

Gemistos Plethon (1355-1452)

HLADKÝ, Vojtěch. The philosophy of Gemistos Plethon: Platonism in late Byzantium, between Hellenism and orthodoxy. Farnham: Ashgate, 2014.

George Gemistos Plethon ocupa posição de destaque entre as figuras mais importantes e enigmáticas da filosofia bizantina e renascentista, tendo contribuído diretamente ou indiretamente para a renovação do platonismo no Ocidente por meio de suas conferências florentinas, embora seu próprio platonismo e suas crenças religiosas ainda careçam de tratamento satisfatório na literatura especializada.

O Homem e sua Obra

George Gemistos, posteriormente cognominado Plethon, nasceu em Constantinopla provavelmente antes de 1360, filho de Demetrios Gemistos, pronotários de Santa Sofia, e desenvolveu sua trajetória intelectual e política entre a capital bizantina e Mistra, capital do Despotado da Moreia.

Gemistos participou como conselheiro leigo da delegação bizantina ao Concílio de Ferrara-Florença (1438—1439), onde proferiu suas célebres conferências sobre Platão e conheceu os humanistas italianos, antes de retornar ao Peloponeso, onde permaneceu até sua morte, ocorrida provavelmente em 1454.

Poucos anos após sua morte, Gemistos foi acusado de paganismo e politeísmo grego antigo por seu principal adversário filosófico e pessoal, Scholarios, que se apoderou e queimou sua obra mais importante, as Leis — descoberta postumamente — desencadeando condenações, mas também fascínio, entre pensadores bizantinos e renascentistas.

Gemistos deixou extensa produção textual abrangendo gramática, retórica, literatura, música, geografia, astronomia, história antiga, política, religião, filosofia e teologia, revelando o perfil de um verdadeiro polímato, embora o estudo em questão se concentre nos textos relevantes para sua filosofia.

Gemistos e a Scholarship

A literatura secundária sobre Gemistos é surpreendentemente rica e remonta à metade do século XIX, quando Wilhelm Gass e sobretudo Charles Alexandre publicaram textos fundamentais e estudos inaugurais — sendo a edição de Alexandre das Leis, acompanhada de textos correlatos, ainda hoje não superada.

François Masai, nos anos 1950, produziu as obras ainda consideradas mais importantes sobre a filosofia de Gemistos, reexaminando a tradição de transmissão dos textos e descobrindo manuscritos relevantes, trabalho que serviu de base para contribuições posteriores de outros estudiosos.

O que mais se faz necessário para a compreensão adequada do pensamento de Gemistos é uma visão global e sistemática de sua filosofia — um schizzo geral —, centrada sobretudo em seu platonismo e baseada primariamente em seus próprios textos, em vez de recorrer excessivamente a testemunhos externos.

A abordagem do estudo em questão é oposta: concentra-se primeiramente nos textos de Gemistos, oferecendo interpretação detalhada que os toma todos a sério — por mais que variem na expressão de suas convicções filosóficas e religiosas — antes de recorrer a testemunhos externos, sempre submetidos a exame cuidadoso.