A estrutura categorial repousa sobre a concepção de
ousia (essência ou substância) como o proprietário independente de propriedades, sugerindo que a ciência do ser enquanto ser é um discurso predicativo, ou seja, a asserção de propriedades da
ousia.
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No entanto, as categorias são, estritamente falando, irrelevantes para a explicação da apreensão do ser em seu sentido primário de eidos, pois não há conhecimento demonstrativo da essência.
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O conhecimento do eidos surge por intuição noética (noesis), enquanto o conhecimento do ser enquanto ser refere-se não ao eidos isolado, mas ao on (ente) consistindo de forma e matéria.
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A primeira categoria responde à questão da essência (o que é), enquanto as demais categorias classificam as propriedades acidentais, porém necessárias, que todo composto de forma e matéria deve possuir.
Aristóteles não traça uma distinção análoga à Diferença Ontológica de Heidegger, mas estabelece um dualismo entre a forma (eidos) e o ser enquanto ser, cuja confusão é a fonte do desenvolvimento subsequente da metafísica.
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A ambiguidade na afirmação de que “o ser se diz de muitas maneiras” (pros hen legomenon) gera a confusão de que as propriedades das categorias são ditas “ser” em relação à essência, quando, de fato, são ditas em relação à substância composta, enquanto a substância é que é dita “ser” primariamente em relação à sua essência.
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A apreensão do
eidos impõe um limite intransponível ao pensamento discursivo, pois a essência deve ser intuída de uma só vez como uma unidade, não sendo passível de montagem via enunciados predicativos nem de análise por divisão de gênero, dada a obscuridade das diferenças específicas.
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Não há predicação em uma definição e não há “antes e depois” nas propriedades essenciais; elas são uma unidade internamente articulada e totalmente dada, pertencendo a si mesmas e não a um substrato oculto.
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A tentativa de verificar discursivamente o conteúdo dessa intuição intelectual é impossível, pois a intuição é o fundamento pré-teórico de toda verificação científica; consequentemente, não há ciência demonstrativa do sentido primário de ser.
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A metafísica, ao tentar constituir-se como ciência demonstrativa de essências, torna-se dependente de uma asserção metadiscursiva da essência, o que resulta em sua dissolução histórica em duas vertentes fatais.
A história da filosofia, sob a ótica dessa dissolução da metafísica aristotélica, configura-se como o repúdio constante da experiência cotidiana dada em favor de modelos teóricos abstratos.
Tais modelos buscam apresentar as unidades ontológicas não como elas se mostram (phainomena), mas como “são” de acordo com paradigmas construídos para reconciliar inconsistências aparentes.
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Tanto a dialética especulativa de
Hegel quanto o pensamento originário de Heidegger, apesar de sua oposição à metafísica tradicional, revelam uma dependência estrutural e uma admiração por
Aristóteles, na medida em que ambos buscam uma ciência ou investigação da estrutura última do todo.
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Hegel substitui a metafísica pela “filosofia primeira” da Ciência da Lógica, enquanto Heidegger transforma a filosofia em uma investigação sobre o Ser, mantendo a ambição aristotélica de uma compreensão totalizante que estava ausente nos diálogos platônicos originais.
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Conclui-se que o “
Aristóteles da tradição” criou a metafísica ao ignorar as reservas platônicas quanto ao pensamento discursivo e ao substituir a doutrina mítica ou hipotética das Ideias pela doutrina científica das formas-espécie, inaugurando o historicismo fenomenológico e linguístico como consequência das fraquezas intrínsecas à sua apresentação textual da ciência do ser.