Dialética Não Escrita

GADAMER, H.-G. Dialogue and Dialectic: eight hermeneutical studies on Plato. New Haven: Yale Univ. Pr, 1980.

1. As obras produzidas por Schadewaldt e seus seguidores em Tübingen serviram para lembrar-nos da importância da tradição indireta, os relatos secundários da filosofia platônica, na interpretação do pensamento de Platão, dedicando-se a uma questão agudamente disputada sobre a qual nem os filólogos clássicos concordam, mostrando essa falta de unanimidade, de modo mais marcante, o caso extremo de Cherniss, que chega a questionar o próprio relato aristotélico, tendo também filósofos contestado as tentativas de reconstrução das doutrinas platônicas na tradição indireta, tanto porque os resultados da reconstrução tubingense soam demasiado próximos da Schulphilosophie do século XVIII, quanto porque o que se discerne das doutrinas platônicas por essa via permanece singularmente esquelético e escasso.

2. A controvérsia aqui desenvolvida tem longa história, tendo uma de suas fontes no fato de termos avançado muito, nos últimos cinquenta anos, usando métodos de Formanalyse nos diálogos platônicos, abordagem que os classicistas aprenderam a aplicar de modo cada vez mais refinado, favorecendo naturalmente tal análise, que enfatiza a forma em que algo é dito e seu contexto, a tradição direta sobre a indireta, remontando essa preferência, em última instância, a Schleiermacher, inspirado pela ênfase romântica no diálogo como tal, que, em sua disputa com Herrmann, concentrou sua interpretação filosófica de Platão nos diálogos.

3. Há ainda outra tendência histórica de longa data cujo efeito na controvérsia presente não é menos importante: a disputa em princípio com a filosofia sistemática, disputa originada no romantismo tardio, sendo Kierkegaard talvez quem melhor a representa, tendo desempenhado papel importante de novo quando o neokantismo entrou em colapso ao fim da Primeira Guerra Mundial, influenciando a pesquisa platônica alemã quando os classicistas passaram a enfatizar o chamado “Platão político”, tendência iniciada pelos estudos platônicos de Wilamowitz.

4. Para assegurar um ponto de partida e encontrar direção razoável a seguir, deve-se excluir completamente da discussão conceitos como doutrina esotérica ou mesmo doutrina secreta, formulações que enfatizam indevidamente os pontos contestados do problema investigado, podendo-se certamente concordar que, em geral, Platão dava instrução oral apenas aos do círculo íntimo de sua “escola”, trocando pensamentos apenas com eles.

5. Seja como for, pode-se concordar que há enorme diferença de tipo entre o conteúdo do ensino oral platônico e o que se apresenta na forma dos diálogos, visão que ninguém sério contestaria, resultando a questão do que, nesse caso, devemos tomar como ponto de partida.

6. Isso certamente não significa que a tradição direta dos diálogos seja a única tradição a considerar, devendo-se obviamente trazer à tona toda fonte tradicional minimamente confiável, sendo devedores, especialmente pela unilateralidade da pesquisa platônica alemã dos anos 1920 e 1930, dos trabalhos dos classicistas de Tübingen por enfatizarem que os diálogos são intencionalmente reservados no que pretendem comunicar, fato que a leitura de um único deles já deveria ter tornado evidente a todos.

7. Chego assim à questão hermenêutica real derivada da preferência inevitavelmente devida aos diálogos literários sobre as doutrinas construídas a partir da tradição indireta: os primeiros são uma totalidade de discurso, sendo a prioridade dos diálogos na tradição de significado metodológico decisivo, como se pode evidenciar por breve observação hermenêutica.

8. Isso não significa, é claro, que a tradição indireta não nos diga respeito, mas, no sentido explicado, deve ser compreendida apenas com base no que nos é conhecido, devendo, se a filosofia só pode ser compreendida como a realização, no próprio pensamento de cada um, da construção do objeto, fazer da tarefa de vestir a tradição indireta com carne viva, se me é permitida tal imagem, preencher esse esqueleto que estala, nosso objetivo, partindo da arte socrática de discussão.

9. Para a tarefa filosófica de compreender o pensamento filosófico platônico, outra questão me parece da maior importância, questão que a escola de Tübingen trouxe a foco agudo por sua reconstrução dos ensinamentos indiretos platônicos: a questão do chamado desenvolvimento (Entwicklung) de Platão.

10. A Julius Stenzel se deve o crédito de ter elaborado esse ponto de vista, que dominou a pesquisa platônica desde então, opondo-se a esse esquema de “desenvolvimento” a tese defendida há mais de trinta anos, aqui apresentada apenas como hipótese: que, desde muito cedo nos diálogos, há referências ao que, numa palavra, se poderia chamar a estrutura arithmos do logos.

11. Não deve haver disputa quanto a ser a tradição indireta insuficiente sem os diálogos, sabendo-o Porfírio, que declarou inescrutáveis as cópias da preleção “Sobre o Bem”, na qual se baseia toda a nossa tradição indireta, confessando nada poder fazer delas sem o Filebo, tampouco podendo nós fazer nada da tradição indireta sem o Hípias Maior, o Fédon ou o livro 4 da República, devendo, mesmo tratando-se de doutrinas como a dos números ideais, conhecida só pela tradição indireta, não perder de vista, pelas razões metodológicas aduzidas, que o caminho pelos diálogos permanece a via regia para compreender Platão.

12. Gostaria de ilustrar, em dois aspectos, como vislumbro a solução do nosso problema, o fechamento da lacuna no círculo das tradições indireta e direta: o fato de o relato aristotélico ser a única parte da tradição indireta relacionada conosco no contexto de uma filosofia unificada em si mesma, que lida explicitamente com seu próprio conjunto de problemas, dá a esse relato prioridade definida sobre as demais fontes.

13. Pode-se mostrar que, desde muito cedo nos diálogos, o conceito de hen está bastante intimamente ligado ao conceito de agathon, encontrando-se o conceito de hen sobretudo no contexto do problema da arete, discutido desde o Protágoras e explicitado positivamente no livro 4 da República.

14. Isso fornece um ponto de partida firme de onde começar a pensar e compreender como o conceito de hen se conecta com o de agathon como o μέγιστον μάθημα (a mais importante doutrina), embora nada aqui implique obviamente a concepção neoplatônica de unidade.

15. Prova segura dessa afirmação encontra-se no Hípias Maior, que desenvolve a conhecida teoria da “participação” do que existe na ideia, segundo a qual a ideia é o que as existências particulares têm em comum, sendo cada uma delas o que é na medida em que participa da ideia, desenvolvendo-se, além dessa relação, a relação bem diferente do número “comum” às diferentes unidades numa soma (300 ss.).

16. Qualquer um pode ver que aquilo que unifica um gênero também pode ser predicado de cada um dos exemplares desse gênero, sendo nessa medida o um também múltiplo, enfatizando Platão repetidamente que, corretamente entendida, essa unidade e multiplicidade, a unidade que possibilita aos muitos particulares participar da única ideia, não conduz a enredamento infrutífero em pseudocontradições.

17. Não há menção a tudo isso no Hípias, mas será inteiramente coincidental a distinção ali feita entre o que é comum aos membros de um gênero e o que é comum às coisas contadas numa soma? O tópico aqui é o Belo, não sendo insatisfatório ver precisamente o Belo, ou o Bem, por sinal, como universal no sentido de κοινὸν γένος (gênero comum)? E não vale isso igualmente para τὸ ὄν (o Ser) e todos os “gêneros supremos”, que não reúnem o conteúdo de uma classe, mas antes, como as “vogais” do discurso, tornam o próprio discurso possível?

18. O aspecto talvez mais marcante da ideia do Belo é que a unidade indivisível da essência não é paradigmática para pensá-la, servindo antes o número como modelo, pois é de fato mistério do número que um e mais uma vez sejam dois sem que nenhuma das unidades, cada uma delas uma, seja dois, e sem que os dois sejam um, tornando isso claro Teopompo, contemporâneo de Aristófanes, em verso cômico à custa de Platão: “Pois um não é de modo algum um. / E dois? O dois dificilmente pode ser um, como diz Platão.”

19. Esse enigma é apresentado primeiro no Hípias Maior sem conclusões positivas extraídas dele, sendo usado apenas na crítica de uma tentativa de definir algo, devendo-se, por isso, supor que Platão, ao referir-se à estrutura especial do número como soma, aludia a algo de significado maior em outro contexto — talvez já então a estrutura arithmos do logos que tinha em mente.

20. Em Platão o problema do Dois e sua relação com o Um aparece cedo e repetidamente dentro do desenvolvimento dos temas decisivos para ele, lembrando-se aqui o enigma do Fédon sobre como se chega ao número dois — somando algo a algo mais ou dividindo o que é um — enigma que teria forçado Sócrates a mudar de pensamento e ocasionado sua célebre fuga para os logoi (96e ss.), desenvolvendo-se ali a hipótese da ideia precisamente a partir da pergunta sobre o que é “dois”.

21. Mesmo deixando de lado a questão da relatividade da aisthesis, o problema da participação da multiplicidade de coisas no único eidos ainda conduz à multiplicidade das ideias e sua correlatividade e interconexão, demonstrado no Parmênides pelo modo como o Um necessariamente se transforma no Múltiplo e o Múltiplo no Um.

22. Só no Parmênides e no Filebo o problema da methexis se desenvolve tão radicalmente que a participação dos muitos particulares na ideia única se converte na participação das ideias umas nas outras, implicando, porém, essa mesma solução o papel desempenhado pela hipótese do eidos no argumento do Fédon.

23. Para bem avaliar o significado desse ponto, deve-se primeiro livrar-se da suposição de que é o principium individuationis, a individuação no espaço e no tempo, que a participação das ideias umas nas outras pretende explicar, tendo essa suposição sua origem na concepção sistemática hegeliana e fichteana da filosofia e na interpretação neokantiana dos diálogos tardios, interpretação que dominou nosso pensamento desde Natorp.

24. Esses quatro gêneros ou eide do Filebo não são obviamente seleção aleatória da totalidade das ideias, mas os eide básicos a toda determinação ideacional, tendo mostrado em 1931 quão complexa é a distinção no Filebo entre o gênero do limite, de um lado, e o gênero do que é limitado, de outro, acrescentando hoje que nessa distinção se descobre uma das inovações mais importantes do pensamento platônico.

25. O método próprio parece ser interpretar o que se pode conjecturar dos diálogos platônicos correlacionando-o com o desenvolvimento subsequente do pensamento platônico na Academia, sendo importante tarefa filológica separar, ao reconstruir os ensinamentos orais platônicos, tanto quanto possível, o que pode ser atribuído ao próprio Platão daquilo que seus discípulos, em particular Espeusipo, Xenócrates e Aristóteles, desenvolveram com base nesses ensinamentos.

26. O que Xenócrates entende por alma do mundo, ou melhor, pelo arithmos que se move a si mesmo, deve ser visto contra exatamente esse pano de fundo, já implicando a conhecida definição platônica e euclidiana da soma como πλῆθος μονάδων (plenitude de unidades) a natureza misteriosa do arithmos, na medida em que, no número-soma, uma multiplicidade se reúne numa unidade de tipo especial.

27. Podemos tirar conclusões específicas quanto ao significado da alma do mundo no Timeu, partindo do pressuposto de que a alma deve ser pensada tal como o foi primeiro na tradição grega mais antiga, como expressando a essência da vida.

28. Há igualmente pouca necessidade de explicar por que a alma se move a si mesma, sendo precisamente o movimento que distingue o corpo vivo do corpo inanimado deixado após a morte, conduzindo essa observação antiga e convincente sobre o que distingue o vivo do não vivo e do já não vivo a pensar a alma como arche de kinesis, tornando-se claro por que Platão chama a alma de essência da physis (Leis 892c).

29. Isso nos coloca em melhor posição para determinar o sentido preciso da alma do mundo no Timeu, pois mesmo que se tomasse apenas a afirmação geral de que a alma é “anterior” ao corpo, aponta-se o caminho para interpretar o diálogo.

30. O fato de Platão tomar o conceito de mistura (mixis) como ponto de partida para sua definição da alma do mundo determina toda a construção do afresco do Timeu, dizendo-se que a alma consiste numa mistura, o que não surpreende quem conhece o Filebo ou o Político, sendo a “mistura” um dos modelos básicos em que Platão concebe o Ser.

31. O único problema reside no fato de que a ordem do movimento em nosso universo, tal como se apresenta ao olho humano, também é descrita nesses termos de mistura, sendo o célebre X tecido pelos círculos de Identidade e Diferença pensado como algo real, não originando-se em nosso pensar e falar e existindo só ali, mas espelhando a própria ordem do movimento no universo, sendo imagem da eclíptica, a inclinação da rotação da terra em seu eixo em relação à órbita solar.

32. Quando o Timeu retrata a alma, a verdadeira realidade do Todo automovente, como o entrelaçamento de Mesmidade e Diferença, percebe-se ao fundo a doutrina geral do movimento conhecida das Leis, onde se retrata um modo de movimento inteiramente determinado pela Mesmidade: o movimento estável de algo girando em seu eixo enquanto permanece parado, sendo esse movimento tão idêntico a si mesmo que nele nenhuma diferença é visível, nem mesmo aquelas intrínsecas ao movimento como tal.

33. A base invisível da constância e alteração no cosmos, que Platão chama alma, também pretende ser alma que conhece, exigindo expressamente a doutrina da alma no Timeu que a pensemos como conhecedora, conduzindo a mistura de Ser, Mesmidade e Diferença, se orientada para o Mesmo, ao conhecer sob a forma de insight e ciência, e, se orientada para o Diferente, ao conhecer sob a forma de opiniões e convicções (δόξαι καὶ πίστεις) ou percepção (Timeu 37b), implicando isso que Mesmidade e Diferença têm o mesmo significado básico para a realidade que têm para o conhecer.

34. A exposição no Timeu explica como a ordem constante dos movimentos nos céus de nosso universo, embora sempre idêntica a si mesma, produz, ainda assim, os fenômenos e processos múltiplos que mantêm em movimento o mundo que conhecemos, sendo natural, porque as constelações sempre repetem suas revoluções regulares em meio a alteração constante, pensar a ordem matemática complexa que rege o movimento estelar como a essência verdadeira do mundo.

35. Como se chega daqui à outra definição da alma como não apenas o que move, mas também o que conhece? Isso deve ser entendido contra o pano de fundo da doutrina platônica do logos, devendo-se analisar a natureza da Diferença, novamente usando a antecipação anaxagórica de Platão como guia.

36. Essa é a evidência a que Platão se refere em sua análise do complexo estrutural de Unidade e Multiplicidade, Mesmidade e Diferença, evidência que sustenta todo o seu pensamento sobre o assunto, sendo diferenças relações possíveis, sendo sua separação segundo sua natureza — como o “cortar a carcaça de um cervo nas articulações” — a essência do conhecer, ou dialética, como Platão a chama.

37. Se nos perguntarmos que meios conceituais Platão poderia aplicar para apreender o caráter especial da alma que conhece desse modo, parece eminentemente razoável que recorresse ao número como soma, sendo esse o paradigma próprio.

38. O exemplo platônico da “escrita” serve bem para ilustrar o estado de coisas aqui: temos letras, sílabas, palavras e frases, bastando para nossos propósitos até a diferença grosseira entre o sentido das palavras e o das letras, pois o que cada letra significa por si mesma já não significa quando combinada com outras para formar uma palavra.

39. Um exemplo como o dado no Sofista, “Teeteto voa”, sobre o qual se gastou torrente de tinta, só pode, em última análise, ser explicado se se pensa a essência dessa afirmação usando o modelo do número como soma, necessitando o contexto que pensemos o problema aqui como incompatibilidade entre ideias.

40. A definição é derivada, em Platão, pelo procedimento de dihairesis, que, como Stenzel viu décadas atrás, fornece confirmação indireta da função paradigmática do número, sendo toda dihairesis uma divisão em dois (no Filebo também se menciona divisão em três, evidentemente com referência a sistemas racionais específicos).

41. Essa explicação dá, ao menos, o esboço de como a função paradigmática do número indicada nos diálogos pode ser correlacionada com a doutrina dos números ideais que conhecemos da tradição indireta, havendo paralelo estrutural geral entre número e logos.

42. Característico de uma proporção é que seu valor matemático é independente dos fatores dados nela, desde que mantenham a mesma proporção entre si, podendo a mesma relação existir mesmo quando os números nela mudam, transcendendo a universalidade da relação como tal seus componentes.

43. A razão pela qual Aristóteles e nossas outras fontes indiretas da tradição nada dizem de preciso sobre quais números devem ser coordenados a quais ideias dificilmente pode ser incerteza a esse respeito, tendo Aristóteles obviamente boas razões para dizer que a correlação de números a ideias específicas não é importante (Metafísica 1090b24).

44. A analogia entre o conhecimento das ideias e a geração dos números pode também ser esclarecida assim: a inconclusividade e a infinitude são obviamente características não só de nossa penetração finita e discursiva das ideias no conhecer, mas também da geração de uma série de números ao contar, dependendo ambas as “gerações” dos princípios do Um e do Dois indeterminado.

45. Se de fato nos é proibido buscar sistema fixo de dedução nas doutrinas platônicas, e se, ao contrário, a doutrina platônica do Dois indeterminado estabelece precisamente a impossibilidade de completar tal sistema, então a doutrina platônica das ideias revela-se teoria geral de relação da qual se pode convincentemente deduzir que a dialética é interminável e infinita.

46. Também é verdade da dihairesis que, na determinação da essência ou definição de uma coisa, variedade de “deduções” possíveis se apresenta, não implicando isso, decerto, que a seleção de uma base comum aceitável, o gênero com o qual a dedução da coisa questionada começa, seja meramente gratuita, mas tampouco existindo sistema classificatório fixo e completamente unívoco que prescreveria uma definição.

47. O sistema platônico de relações ideacionais poderia estar estruturado de modo que cada relação individual possível dentro dele possa ser trazida à tona e expressamente posta em algum momento dado, mas sendo posição simultânea e presença de todas as relações fundamentalmente impossível, dificilmente se podendo dizer que Platão subordinou o domínio das ideias a uma mente divina como a mônada central leibniziana, na qual está presente tudo o que é, tudo o que pode ser verdadeiro.

48. Há variedade de evidências de que Platão pensava nas linhas aqui indicadas, sendo a “causa” apeiron do Filebo, por exemplo, obviamente destinada a restringir o sucesso da vida humana, não podendo, por causa do apeiron, a vida humana jamais ser absolutamente bem-sucedida, correndo antes sempre o risco de fracassar e devendo ser eternamente arrancada de sua tendência a afundar numa desmesura tão extrema quanto a da vida inconsciente e torporosa de uma ostra (Filebo 21d).

49. A tradição indireta que nos informa sobre os princípios na doutrina platônica não é evidência de algum dogma que se oculte por trás da obra escrita platônica e que pudesse solapar nossa compreensão da dialética platônica, articulando e confirmando, ao contrário, a limitação de todo saber humano, e mostrando por que a mais alta possibilidade de tal saber deve chamar-se não sophia, mas philosophia.