Uno-Poiesis

DECK, John N. Nature, contemplation, and the one: a study in the Philosophy of Plotinus. Burdett, NY: Larson Publ, 1991.

O Uno, autoconstituto, gera o Noûs permanecendo perfeitamente estável e inabalável, do mesmo modo que o sol gera a luz ao redor de si sem se inclinar adiante.

O Uno possui todo o poder e é precisamente a potência de produzir todas as coisas (V, 4, 2, 39-40), sendo senhor dessa potência exatamente no sentido de que não necessita das coisas que vêm depois dele.

O Uno, sendo perfeito, transborda como que por superabundância e, desse transbordar, faz surgir outro — e esse transbordar é um quasi-transbordar porque o Uno é e permanece perfeito e em si mesmo inabalado.

A expressão “de sua própria entidade” (ek tes auton ousias) deve ser entendida no sentido de fonte originativa, não de material, conforme esclarece a distinção entre o ato da entidade e o ato a partir da entidade (V, 4, 2, 27-39).

O que é inferior “vem em direção” ao superior para receber entidade, forma ou ordem — metáfora que chama a atenção para a relativa autocontinência de todos os princípios superiores e para sua indiferença em relação ao inferior.

A hipóstase dependente é imagem (eikon) do gerador — conceito que exprime a dependência completa do produzido em relação ao seu produtor e a relativa falta de realidade do inferior em relação ao superior.

Na geração do Noûs pelo Uno, todos os efeitos possíveis são realizados, e o produzir do Ser e dos seres é necessário.

A noção básica de produção em Plotino é a de que o produzir é melhor exatamente quando o agente produtor não sai de si mesmo e não exerce esforço (V, 3, 12, 27-33) — não apesar dessas condições, mas precisamente por causa delas.