Uno-Gnosis

DECK, John N. Nature, contemplation, and the one: a study in the Philosophy of Plotinus. Burdett, NY: Larson Publ, 1991.

O Uno não possui conhecimento no sentido próprio do termo, pois atribuir-lhe conhecimento seria torná-lo dual — o conhecedor e o Bem.

Dizer que o Uno não se conhece não significa, para Plotino, que o Uno seja ignorante de si mesmo, pois a ignorância, como o conhecimento, implica dualidade — o Uno está propriamente além do conhecimento.

Segundo uma interpretação plausível de uma passagem, o Uno possui, em lugar do conhecimento, um autocontato.

Falando “incorretamente”, Plotino reúne as duas noções do autocontato do Uno e de seu estar voltado para si numa frase que especifica essa atitude como um fazer.

Há várias indicações no contexto geral dessa passagem de que Plotino intende o sentido positivo de superconhecimento, e não meramente o de algo acima do conhecimento.

O conhecimento, que aparece de algum modo na natureza, mais plenamente na alma e perfeitamente no Noûs, não está ausente da mais elevada “natureza”, o Uno — a continuidade do conhecimento não é abruptamente rompida na ascensão do Noûs ao Uno.

A instância primária do conhecimento no universo de Plotino é, portanto, o superconhecimento do Uno, e a instância primária da geração é a geração do Noûs pelo Uno — tomadas em conjunto, constituem o análogo primário do produzir contemplativo da natureza.