Logos

DECK, John N. Nature, contemplation, and the one: a study in the Philosophy of Plotinus. Burdett, NY: Larson Publ, 1991.

A doutrina do logos, tal como aparece nas Enéadas, especialmente em III, 2, deve muito aos estoicos, mas Plotino a aclimata à sua filosofia tratando-o como princípio imaterial e articulando a noção com o esquema das hipóstases.

LOGOS — NOÛS

O Noûs é como que um único logos que contém muitos logoi, e sua influência sobre seus inferiores é um fluir-para-fora do logos que faz o Noûs estar presente em todas as coisas.

A alma é o logos do Noûs, mas, como imagem do Noûs, é um logos obscuro — e os logoi que nela residem estão como que mais relaxados e prontos para a implantação no cosmos sensível.

A providência, para Plotino, é simplesmente a intelectualidade do universo, a presença do logos nele e sua governança pelo logos como representante do Noûs — não um cuidado antropomórfico do mundo pelas hipóstases superiores.

A entidade da alma é a potência dos logoi, e quando age, segundo sua entidade, em direção ao Todo sensível, seu ato é “logoi” (VI, 2, 5, 12-15) — o que significa que seu produzir do Todo sensível é um “logizar”, um ordenar segundo a razão.

O universo visível é o encontro do logos com a matéria: a matéria, não-ser, é a raiz tanto do acaso cego quanto da necessidade cega — ambos são alogia, “irracionalidade” — e o logos domina a matéria na direção da ordem e do bem.

O logos não é um intermediário entre alma e matéria, mas sempre um aspecto da alma — sempre a Alma do Todo ou uma alma individual como portadora de uma intelectualidade proliferante e diminuída.

O logos é a intelectualidade na sua sucessiva implicação com a multiplicidade em sua descida até a multiplicidade última do cosmos visível, e aparece em estágios sucessivos: em sua forma mais elevada no Noûs, diminuído e com maior proliferação na alma, imitado e ainda mais disperso na natureza e no Todo sensível.