Fazer e causalidade eficiente

DECK, John N. Nature, contemplation, and the one: a study in the Philosophy of Plotinus. Burdett, NY: Larson Publ, 1991.

A doutrina plotiniana da natureza como contemplação destina-se a ser um relato da produção, e a afirmação de que a contemplação é produtiva parece paradoxal — exige que se examine mais de perto o que é o fazer.

Plotino está perfeitamente ciente de que os homens fazem coisas, e não sugere em parte alguma de seus escritos que o fazer físico seja irreal — o pintor pinta o quadro, o escultor faz a estátua, os fabricantes de bonecos fazem bonecos, os arquitetos constroem casas.

Para Plotino, há outro e melhor modo pelo qual o conhecimento — neste caso no sentido próprio da palavra — pode produzir resultados no mundo sensível: o produzir “automático” das coisas sensíveis pelas contemplações que são o Noûs e a natureza.

A produção pelo Noûs não corresponde às noções cristãs de criação: não é livre, e chamá-la de livre seria, para Plotino, degradá-la.

Há intimações na atividade humana de um conhecimento imediatamente produtivo: Plotino dá o exemplo de geômetras que desenham figuras enquanto contemplam — sem uma “resolução especial”, como resultado “espontâneo” de sua contemplação.

A contemplação de que Plotino fala não é especulativa com relação às coisas sensíveis: o Noûs e a natureza não olham para as coisas sensíveis, mas têm — ou antes, são — conhecimento de si mesmos.

O contraste entre poiesis e praxis em Plotino é fundamentalmente distinto da oposição aristotélica entre fazer e agir (Ética a Nicômaco, VI, 4-5, 1140a1-b11).

A analogia do espelho ilustra bem o modo como o Noûs produz o mundo sensível: assim como o homem que se reflete num espelho não expende energia para causar seu reflexo, os seres verdadeiros não se expende sobre as coisas sensíveis que são seus reflexos.

A poiesis plotiniana não coincide exatamente com a causalidade eficiente aristotélica, mas como um genuíno fazer, análogo ao fazer ordinário e não coincidente com a causalidade formal ou final, pode ser chamada de causalidade eficiente real.