DECK, John N. Nature, contemplation, and the one: a study in the Philosophy of Plotinus. Burdett, NY: Larson Publ, 1991.
A alma não está propriamente no corpo; antes, a alma, como realidade superior, contém o universo sensível: ou seja, o universo sensível está na alma. A alma em si mesma é uma e múltipla, isto é, sua multiplicidade não decorre do corpo ou da extensão, mas precede os corpos. Originalmente, as muitas almas são muitas e estão todas em ato na alma única, mas são “particulares sem serem particulares”, pois seu ato não se dirige a um corpo particular (VI, 4,4,36-40; VI, 4,16,33). As inteligências ou conhecedores no Noûs, embora possam ser mencionados no plural, estão intimamente unidos. Na alma, a unidade é mais flexível. A alma única é suficiente para cada uma e para todas, porque contém todas as almas. É um princípio de vida que possui uma infinidade de vidas (V, 4,14,1-9).
A alma como uma só, chamada de “alma total” ou “alma inteira”, contém tanto as almas individuais quanto a Alma do Mundo como suas quase-partes (IV, 3,8,1-9). A Alma do Mundo é chamada de Alma do Todo, isto é, a alma do todo sensível, do universo sensível, e, portanto, deve-se fazer distinção entre “alma total” (“alma inteira”) e a Alma do Todo (Alma do Mundo). Uma alma humana individual é composta de duas partes (II, 1, 5; IV, 3, 27) e, às vezes, três (II, 9, 2, 4-10). A descrição da natureza como a parte inferior da Alma do Mundo indica que a Alma do Mundo possui partes superiores e inferiores. Assim, os textos de Plotino indicam certas distinções dentro desse um e desses muitos, mas muitas vezes elas não devem ser consideradas rígidas e imutáveis. Plotino reitera que todas as almas são uma só. Em alguns contextos, a distinção entre a alma universal e a Alma do Mundo (Alma do Todo) parece não ter importância e, consequentemente, é difusa — embora em outros contextos seja necessário mantê-la. Além disso, qualquer alma está em algum tipo de continuidade com a alma total, e a alma humana, especialmente, é capaz de realizar sua plena articulação com a alma total. O reino da alma não é precisamente estratificado ou dividido.
Vamos tentar um recurso interpretativo de valor limitado: reformular a doutrina da alma de Plotino em termos aristotélicos. Plotino está dizendo que a “alma” é um universal, aplicável aos princípios de vida de diversos seres? Não, a alma é uma hipóstase, uma entidade. A expressão necessariamente imprecisa de seu pensamento nesta linguagem seria que a alma é tanto um universal subsistente quanto a totalidade dos seres aos quais esse universal se aplica.
“Alma-inteira” significa, portanto, ao mesmo tempo, a qualidade subsistente da alma (e, portanto, a alma mais elevada e melhor) e todas as almas na medida em que são almas. Ela tanto inclui quanto é superior às “outras” almas. A própria comparação de Plotino é com gênero e espécie: “As almas também devem ser muitas e uma, e da alma única devem surgir as muitas, que são diferentes, assim como de um gênero surgem muitas espécies…” (IV, 8,3, 10-12).