Parmênides

O texto de V, 1, 8 das Enéadas dá o tom da interpretação plotiniana do Parmênides e enuncia a posição de Plotino como exegeta das doutrinas antigas — cujo caráter platônico é o fundamento de toda a metafísica neoplatônica.

Plotino lê no Parmênides a doutrina platônica dos três Unos, identificando-os com as três primeiras hipóteses do diálogo, examinadas sob o ângulo especial do Uno e do múltiplo.

O primeiro Uno — o Uno-em-si — é absolutamente incompatível com o múltiplo e transcende qualquer número ou quantidade, sendo o princípio superior por excelência.

O segundo Uno — a unidade múltipla — é o Uno-que-é da segunda hipótese do Parmênides, onde o múltiplo coexiste com o Uno e dele literalmente jorra.

O terceiro Uno — uno e múltiplo — corresponde à terceira hipótese do Parmênides, centrada no instante como mediador instável entre os dois contrários, e é na Alma que Plotino vê as condições dessa evanescência.

Os três modos do Uno não são simplesmente o mesmo Uno com três funções diferentes, mas três “unos” que diferem essencialmente por sua natureza — e essa é a tese da exegese plotiniana do Parmênides.

A relação de Plotino com o filósofo Parmênides de Eleia é explicitamente evocada em V, 1, 8, onde Plotino situa a doutrina eleática como antecedente necessário e imperfeito do Parmênides platônico.

A exegese plotiniana do Parmênides identifica os três Unos com as três hipóstases — o Uno, o Intelecto, a Alma —, o que pode suscitar a suspeita de que Plotino projeta suas próprias ideias sobre o texto de Platão.