Sensação – Crença – Imaginação ...

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A sensação consiste na faculdade de adquirir conhecimentos ou experimentar impressões por meio da interação entre os sentidos e as coisas exteriores.

Platão estabelece no Timeu a distinção entre as impressões que afetam o corpo inteiro e aquelas restritas a órgãos específicos.

A sensação térmica de calor é explicada pela ação de corpúsculos ou átomos triangulares invisíveis que compõem a matéria.

A dureza e a moleza dos corpos são definidas pela capacidade ou dificuldade da carne humana em vencer a resistência do objeto.

A transmissão sensorial ocorre quando um movimento recebido por um órgão móvel é comunicado sucessivamente até atingir o princípio pensante.

A sensação exige obrigatoriamente a impressão física, a mobilidade para comunicá-la e a efetiva transmissão do movimento à alma.

Existem sensações que, embora acompanhadas de percepção, não provocam prazer ou dor.

O sistema sensorial é composto por cinco sentidos: tato, paladar, olfato, audição e visão.

Paladar e olfato geram frequentemente impressões de prazer ou desprazer baseadas em processos fisiológicos.

A visão e a audição são os sentidos mais eficazes na transmissão de estímulos por possuírem órgãos ricos em ar e fogo.

A visão é produzida pelo encontro e união de uma luz interna do olho com a luz emanada dos objetos.

O som é uma impressão transmitida à alma pelo ar, atravessando o cérebro e o sangue.

O processo da sensação em Platão divide-se em movimento físico, sentimento de prazer ou dor e reflexão da alma.

O movimento do outro na alma permite a compreensão da diversidade e das coisas particulares e divisíveis.

Para que o conhecimento seja fixo e durável, ele deve basear-se em um universal ou em uma ideia.

A origem das ideias é dupla, pois as ideias gerais precedem logicamente as sensações, mas são despertadas por elas cronologicamente.

A sensação declara claramente a existência das coisas e contém em sua essência um julgamento afirmativo.

O conhecimento sensível é classificado como opinião incerta e duvidosa por lidar com o que é mutável e imperfeito.

A opinião engloba dois modos distintos de conhecimento: a crença e a imaginação.

A imaginação é definida como a memória de um objeto sensível anteriormente percebido, mas atualmente ausente.

A imaginação confunde-se por vezes com o sonho, surgindo quando as agitações internas geram representações sem estímulo externo imediato.

Platão vislumbrou o papel superior da imaginação como potência criadora capaz de transformar ideias em imagens.

O estado emocional das imagens depende da natureza dos pensamentos enviados pela inteligência ao fígado.

A faculdade de adivinhação e o entusiasmo poético são associados por Platão à alma vinculada ao fígado e ao delírio divino.

A crença constitui a confiança da alma na sinceridade do testemunho sensorial e na realidade dos objetos perpercebidos.

A teoria platônica da sensação oscila entre a afirmação da realidade externa e o reconhecimento de sua instabilidade substancial.

Platão buscou o equilíbrio entre o imobilismo dos Eléatas e a mobilidade infinita dos Ionianos na definição da realidade.

A alma é composta por proporções numéricas e intervalos musicais que simbolizam a harmonia de suas faculdades.

O erro nasce quando a proporção ideal entre as essências da alma é rompida por influências externas ou corporais.

A sensação não erra ao afirmar a existência bruta do que aparece, mas falha em julgamentos comparativos.

Platão refuta Protágoras, argumentando que se o homem fosse a medida de tudo, a própria sensação e a dialética pereceriam.

A ciência real consiste no conhecimento direto das causas e das essências pela própria alma, sem o auxílio dos sentidos.

A dificuldade de Platão em explicar o erro reside em sua premissa de dar realidade exterior a tudo o que o espírito pensa.