Ético

CASSIN, Barbara. Jacques le Sophiste: Lacan, logos et psychanalyse. Paris: EPEL, 2012.

O ético entra na linguagem com a exigência de sentido — e essa estrutura (sentido, consenso, exclusão) vem se repetindo desde Aristóteles até Apel, Habermas e Rorty, com exigências decrescentes mas com o mesmo tipo de outros indesejáveis a excluir.

A Cena Original

Aristóteles demonstra o princípio de não-contradição não diretamente, mas por refutação — tornando o adversário responsável pela prova ao exigir que ele ao menos “signifique algo para si e para o outro”.

A responsabilidade do pensamento: Heidegger

Heidegger repete, com modificações, a relegação aristotélica do homem contraditório — confirmando a leitura de que a estrutura sentido/exclusão persiste ao longo da cadeia temporal.

A reiteração da estrutura: Karl-Otto Apel

Apel, Habermas e provavelmente Rorty têm em comum o desejo de salvar a ética do irracionalismo quando a autonomia kantiana não mais parece suficiente, buscando universalidade na regulação da linguagem concebida como comunicação.

Apel, embora se apresente como divergindo de Aristóteles, repete o gesto aristotélico, duplamente: no gesto fundacional de natureza transcendental e nos conteúdos da fundação, ou seja, na exigência de sentido.

O que está em jogo no cotidiano: Habermas

Habermas recua da necessidade transcendental na raiz do consenso, recusando ver uma fundação nas regras do jogo transcendental da linguagem — mas apenas torna mais formidável o problema da exceção ao universal.

Sócrates, ou A Conversação Segundo Rorty

O recuo de Rorty é aparentemente tão grande que poderia levá-lo de volta a uma posição sofística — e de fato sua obra é às vezes refutada com o desprezo habitualmente reservado aos sofistas.

Examinar Apel, Habermas e Rorty em sequência revela que cada vez menos é exigido para escapar à condição de vegetal — entrar no jogo transcendental da linguagem, sobreviver, falar por falar —, enquanto o mundo do sentido constantemente engole o que está fora dele.