A problematização do acesso ao bem é central e decisiva em Platão, cujo esforço visa tematizar uma perspectiva que torne possível a constituição de uma perícia (techne) a partir da qual se possa identificar o alvo (skopos) que, tido em vista, permite interpretar os fenômenos patológicos nos seus limites prazer (hedone) e sofrimento (lype).
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Ao ter em vista o alvo viver bem, é possível interrogar as movimentações determinadas pela estrutura patológica, indo além da mera reação espontânea de fuga (phyge) ou de perseguição (dioxis).
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A perícia que tem em vista o alvo viver bem é responsável pela libertação do instante patológico para a liberdade de escolher a direção da ação, tendo em vista o seu autêntico sentido.
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No esforço de tematização platônica, procura-se determinar concomitantemente o sentido da excelência especificamente humana (anthropeia arete), cujo desvirtuamento provoca uma desordem generalizada.
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O motivo antropológico que está na origem da pergunta platônica pela excelência (arete) deixa de ter um papel preponderante, passando a pergunta a incidir sobre o sentido (logos) e a forma de manifestação (eidos) fundamental de cada coisa.
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Aristóteles visa, pelo contrário, reconduzir a pergunta pela excelência (arete) ao horizonte especificamente humano, partindo do pressuposto segundo o qual a forma de acesso a essa possibilidade radica numa forma de desocultação especificamente humana.
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Em
Platão, a pergunta pela excelência leva à descoberta do horizonte da situação humana (praxis) como um novo campo de investigação em contraposição à natureza (physis), mas a pergunta pelo estatuto da organização (taxis) traz consigo um esbatimento dos contornos entre esses dois horizontes.
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Com
Aristóteles, a pergunta pela excelência (arete) passa a platonizar-se, ao ser reconduzida ao horizonte do caráter (ethos) do humano, abandonando a pergunta pelo sentido ontológico do ser enquanto ser para experimentar um interesse antropológico ou ético.