Mundo Inteligível
REAL MEANING OF PLOTINUS’S INTELLIGIBLE WORLD (1949)
O historiador da filosofia precisa assumir a responsabilidade de declarar sua interpretação sobre a verdade de um pensador, mesmo sabendo que suas conclusões podem ser esquecidas no futuro.
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O autor reconhece que seu título é deliberadamente ambíguo, podendo referir-se tanto à intenção original do filósofo quanto à verdade subjacente que ele tentou expressar.
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Acredita-se que os grandes filósofos gregos frequentemente viam a verdade, mas a conceitualizavam de maneira inadequada ou enganosa.
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Para o autor,
Plotino se destaca entre os gregos por oferecer uma metafísica que é, acima de tudo, uma análise da experiência.
O Mundo Inteligível de Plotino
O Mundo Inteligível é a Segunda Hipóstase, procedente do Uno, sendo ao mesmo tempo Inteligência e Inteligível, um pensamento indissociável de seu objeto.
A multiplicidade das Ideias e a simplicidade divina
Pensadores católicos não aceitaram a solução plotiniana de graus descendentes de divindade, insistindo que Deus é Ser e Intelecto, aplicando a ele o que Plotino diz sobre sua segunda hipóstase.
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A doutrina das Ideias em Tomás de Aquino ou Boaventura é formulada de modo a salvaguardar a Simplicidade divina, fazendo com que as muitas Ideias sejam uma única coisa: o próprio Ser divino.
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A linguagem das Ideias é usada analogicamente para expressar a Plenitude divina, onde toda perfeição particular das criaturas se encontra de modo transcendente na única Perfeição divina.
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O autor nota que
Plotino admite certa vez que o Uno possui uma espécie de super-intelecto, implicando que tudo o que está no Intelecto divino está no Uno de modo eminente.
O Mundo Inteligível e a experiência humana
O Mundo Inteligível não transcende a experiência humana, pois o ser humano em seu nível mais elevado é o próprio Intelecto divino, sendo as Formas seus verdadeiros eus.
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Diferente de
Platão,
Plotino admite formas de indivíduos, tornando seu mundo inteligível e nossa intelecção muito menos abstratos.
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Chega-se ao mundo inteligível não por abstração, mas por um processo de contemplação intensificada, encontrando um mundo de vitalidade e variedade onde cada indivíduo está presente em sua perfeição particular.
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O princípio de que os inteligíveis não estão fora da inteligência significa que tudo ali, incluindo formas de coisas inanimadas, é vivo e inteligente, pois é da própria substância do Intelecto divino.
A unidade espiritual do Mundo Inteligível
Em um mundo de inteligência pura, sem limitações espaciais ou quantitativas, a parte não é uma parte no sentido de excluir que seja também o todo.
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Plotino insiste que não se deve pensar quantitativamente sobre o Mundo Inteligível, nem aplicar noções de todo e parte à sua unidade-na-diversidade.
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Cada inteligência ali, existindo na unidade completa de pensamento e objeto de pensamento, pensa o todo e, segundo os princípios da psicologia aristotélica, é o todo.
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O autor classifica essa unidade como poética ou espiritual, um tipo de todo em que cada parte está presente em cada outra parte.
A processão e o retorno no pensamento plotiniano
O pensamento de Plotino tem dois lados inseparáveis: é um relato tanto da processão de todas as coisas a partir do Uno quanto do retorno do espírito humano para lá.
As duas maneiras de abordar as criaturas
Há duas maneiras de lidar com as coisas criadas: tratá-las como matéria-prima para exploração ou contemplá-las e amá-las como mostrando, em imagens criadas, o próprio Ser divino que é Bondade, Verdade e Beleza.
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Acredita-se que é nas criaturas contempladas dessa maneira que se encontra o ponto de partida para o uso analógico da linguagem das Ideias sobre Deus.
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Não se pode contemplar as coisas em seu ser sem vê-las como imagens criadas ou participações de Deus, porque isso é o que elas realmente são.
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A consciência das coisas como imagens implica uma consciência obscura, mas direta, de Deus como distinto de suas imagens, o que protege contra a idolatria humanista que para nas criaturas.
A transposição cristã do pensamento plotiniano
Na transposição do pensamento plotiniano para termos cristãos, é necessário abolir o mundo espiritual como uma esfera separada e superior, encontrando o Mundo Inteligível neste mesmo mundo sensível.
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O autor enfatiza que não se abandona a crença em Deus como Espírito ou na existência dos anjos, mas se elimina a ideia de que o ser humano pertence propriamente a um mundo puramente espiritual e angélico.
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Acredita-se que se pode entrar no Mundo Inteligível não como espíritos puros, mas como corpos espiritualizados que pensam e percebem.
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Essa abolição preserva tudo de valor na tradição cristã platônica, insistindo na espiritualidade presente nas coisas e na necessidade de penetrar nela por meio da purificação.
A tensão entre a perspectiva platônica e a sacramental
Na história do pensamento católico, há uma tensão entre o enfoque platônico, que concentra a atenção na ascensão a Deus como espírito, e o enfoque encarnacional ou sacramental.
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O platônico, como católico, aceita obedientemente a economia sacramental, mas tem dificuldade em ver por que ela não é apenas necessária, mas também boa e desejável.
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Por outro lado, o sacramentalista tende a se impacientar com o platonismo católico, correndo o risco de cair num humanismo cristão ingênuo e demasiado mundano.
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O autor cita dois exemplos litúrgicos que mostram a inseparabilidade entre platonismo e sacramentalismo: o pós-comúnio do Segundo Domingo do Advento e a bênção do óleo e do bálsamo na Quinta-Feira Santa.
A reconciliação pessoal do autor
O artigo é apresentado como uma reconciliação pessoal entre as duas tendências, buscando uma maneira satisfatória de harmonizar a primazia do intelecto com a valorização do mundo sensível e da economia sacramental.
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O autor acredita que sua posição está de acordo com os elementos essenciais do pensamento de Tomás de Aquino, embora tenha chegado a ela por sua própria rota não ortodoxa como historiador da filosofia.
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Todo o pensamento do autor foi desenvolvido à luz do que ele conhece dos Padres da Igreja, especialmente Santo Agostinho.
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O autor menciona ter sido ajudado por Dom Mark Pontifex, Dom Illytd Trethowan e pelos livros de Père de Lubac e Père Bouyer, mas assume total responsabilidade por suas conclusões e processos mentais.