===== TRATADO 43 (VI, 2) - AS CATEGORIAS DE PLOTINO ===== //[[end6>2:|Enéada VI,2]]// //BP// Capítulos 1-3. Questões preliminares sobre os gêneros do ser ou as categorias no inteligível. * Cap. 1, 1-5. A posição platônica. * Cap. 1, 5-16. Seis questões relativas a essa posição. * Cap. 1, 16-33. Resumo da distinção entre o ser e o devir. * Cap. 2-3. O ser é o uno-múltiplo da segunda hipótese da segunda parte do Parmênides. Capítulos 4-6. O método a adotar. * Cap. 4, 1-21. Partir da unidade e da multiplicidade dos corpos. * Cap. 4, 21 – 6, 20. Partir da unidade e da multiplicidade da alma. Capítulos 7 e 8. Os cinco gêneros primeiros. * Cap. 7, 1-24. O Movimento e o Ser. * Cap. 7, 24-45. O Repouso. * Cap. 8, 1-34. O Ser, o Repouso e o Movimento. * Cap. 8, 25-49. O Mesmo e o Outro. Capítulos 9 a 18. Não há mais do que cinco gêneros primeiros: os demais são eliminados. * Cap. 9-12. O ser único. * Cap. 13. A quantidade. * Cap. 14-15. A qualidade. * Cap. 16. A relação, o onde, o quando, a ação e a paixão, o ter, a posição. * Cap. 17. O bem. * Cap. 18, 1-8. O belo. * Cap. 18, 8-17. As virtudes. Capítulos 19 a 22. Os gêneros primeiros e suas espécies. * Cap. 19. Exposição do problema. * Cap. 20. O Intelecto universal e os intelectos particulares. * Cap. 21-22. Origem da multiplicidade no Intelecto. //[[https://archive.org/search?query=Bouillet+Plotin&sort=-downloads|Ennéades]]// (I) Após ter criticado as categorias de Aristóteles e dos estóicos no livro anterior, Plotino expõe aqui sua própria teoria, que apresenta como inteiramente conforme às ideias de Platão. OS GÊNEROS DO SER INTELIGÍVEL Para investigar quais são os gêneros do ser, é preciso, antes de tudo, admitir que o ser não é um, como Platão demonstrou junto com outros filósofos. Trata-se aqui do ser verdadeiro; é importante não confundi-lo com aquilo que contém e que se denomina geração. XXX (II-III) Visto que o ser é ao mesmo tempo uno e múltiplo, ele contém necessariamente vários elementos constitutivos, cujo conjunto forma a substância do mundo inteligível, substância que chamamos de ser. Esses elementos constitutivos são ao mesmo tempo princípios, porque constituem a totalidade do ser, e gêneros, porque cada um deles contém em si espécies subordinadas umas às outras. A pluralidade dos elementos que se encontram no ser, não sendo contingente, pressupõe o Um absoluto do qual procede. Se os gêneros primeiros se reduzem assim ao Um, não é porque este se afirma a partir deles como predicado; é porque todos juntos são elementos integrantes de uma única substância na qual nosso pensamento estabelece divisões. (IV-V) É fácil compreender como, nos corpos, a unidade contém uma pluralidade, e distinguir nela a qualidade, a quantidade e a substância. Mas, ao estudar os gêneros e os princípios da essência inteligível, é preciso abstrair-se de toda quantidade, de toda matéria sensível, para compreender a realidade e a unidade do ser. Nos corpos, os princípios estão separados; aqui, eles são apenas distintos. Não é, portanto, fácil compreender como a substância inteligível, que é uma, pode ser ao mesmo tempo uma e múltipla. Como os corpos contêm uma pluralidade e uma diversidade de elementos muito grande, eles não recebem imediatamente do Um absoluto a unidade que mantém suas partes unidas e as torna um todo; eles são formados pela Alma. Esta deve, portanto, ser uma pluralidade. Essa pluralidade consiste nas razões seminais que são o ato e a essência da alma; ela resulta também do fato de que a essência da alma contém várias potências. (VI) Na alma, a essência é o princípio de tudo o que ela é, ou melhor, a essência é tudo o que a alma é; ela é, portanto, a vida. A essência e a vida da alma formam uma unidade; mas essa unidade torna-se múltipla em relação aos outros seres, assim que desenvolve suas potências e tenta contemplar-se. (VIII) Visto que na alma há essência e vida, e que a vida consiste na inteligência e implica movimento, há ali dois gêneros: o Ser e o Movimento. Mas o Ser implica a Estabilidade ainda mais do que o movimento; é preciso, portanto, fazer dele um gênero distinto. (VIII) Descobre-se igualmente esses gêneros ao considerar a Inteligência. Ela pensa, eis o Movimento; ela pensa o que está nela, eis o Ser. O Ser é o termo a que chega o pensamento, eis a Estabilidade. Ao distinguir esses três gêneros pelo pensamento, percebe-se que cada um deles existe separadamente: isso é a Diferença. Ao considerá-los reunidos em uma única existência, reduz-se-os a uma mesma coisa: isso é a Identidade. Tais são os cinco gêneros das coisas inteligíveis. (IX-XI) Resta provar que existem apenas esses cinco gêneros primeiros. O Um não é um gênero primeiro. — O Um absoluto, superior ao Ser e à Inteligência, não constitui um gênero, porque não se afirma em relação a nada e, em virtude de sua simplicidade, não contém diferenças que possam gerar espécies. A unidade considerada no Ser não é o primeiro Um, uma vez que há acima dela o Um absoluto; ela não pode, portanto, ser um gênero primeiro. O Um absoluto é o princípio do Ser. A unidade, considerada como atributo que se une ao Ser, o XXXI aproxima do Um: pois o que se volta para o Um absoluto é o Ser uno; o que é inferior é o Ser uno e múltiplo. A unidade no Ser é indivisível e simples; mas cada ser, cada gênero é múltiplo tanto quanto é uno. A unidade pode, portanto, ser encontrada no Ser, como o ponto na linha em qualidade de princípio, mas não é um gênero. Além disso, todo gênero contém diferenças que geram espécies; ora, a unidade não tem nem diferenças nem espécies. Por fim, a realidade do ser e a unidade não se encontram no mesmo grau nas coisas sensíveis e nas coisas inteligíveis. Elas também não estão sempre em razão direta uma da outra, enquanto a unidade está sempre em razão direta da bondade. Tudo o que participa do Um absoluto participa do Bem no mesmo grau. O Um absoluto é, de fato, o princípio do qual tudo provém, o fim ao qual tudo aspira; consequentemente, ele é o Bem do universo. Portanto, a unidade é algo distinto do Ser e não pode constituir um gênero. (XIII) A Quantidade não é um gênero primeiro. Em primeiro lugar, o número é posterior ao Ser, ao Movimento, etc. Em seguida, a extensão é ela própria posterior ao número. Ao procurar a que se deve referir a quantidade discreta (o número) e a quantidade contínua, descobre-se que o número consiste em uma certa mistura de movimento e repouso, que a extensão é produzida pelo movimento que, ao avançar até o infinito, é detido e limitado pelo repouso. (XIV-XV) A Qualidade não é um gênero primeiro. Ela é posterior à essência e, consequentemente, a ela está subordinada como espécie. As propriedades constitutivas da essência são verdadeiros atos, embora sejam impropriamente chamadas de qualidades. As propriedades que são posteriores à essência e que lhe vêm do exterior são modificações passivas e merecem, por si sós, o nome de qualidades. De acordo com essa definição, o Movimento, a Estabilidade, a Identidade e a Diferença são princípios constitutivos e não qualidades do Ser. Somente ao descer do Ser primeiro para as coisas sensíveis é que se encontram a qualidade e a quantidade; elas são, então, gêneros, mas não gêneros primeiros. (XVI) A Relação, o Lugar, o Tempo, a Situação, a Posse, a Paixão e a Ação não são gêneros primeiros: pois essas categorias indicam coisas relativas e contingentes. (XVII) O Bem não é um gênero primeiro. Se, por essa palavra, se entende o próprio Bem, esse princípio é superior à essência e, consequentemente, aos gêneros do Ser. Se se entende a Bondade, trata-se de uma qualidade. As coisas a possuem em diversos graus porque todas procedem do Um. Assim, o bem do Ser primeiro consiste no ato pelo qual ele aspira naturalmente ao Um, ato que é sua vida e seu movimento. (XVIII) A Beleza, a Ciência, a Inteligência e a Virtude se reduzem aos cinco gêneros primeiros que já reconhecemos. (XIX) Resta apenas determinar a relação de cada um dos cinco gêneros primeiros com as espécies que eles contêm. Para isso, é preciso estudar a inteligência, pois ela compreende todos os seres. (XX) Considerada em si mesma e em sua essência, a Inteligência universal é, em ato, todas as inteligências juntas, e, em potência, cada uma delas tomada separadamente. Ao contrário, estas são, em ato, inteligências particulares, e em potência, a inteligência universal. Vê-se, assim, que o gênero, enquanto gênero, é, em potência, todas as espécies que contém, enquanto as espécies, na medida em que existem no gênero que as contém, são esse gênero em potência. (XXI) Se examinarmos como a Inteligência, embora permaneça uma, produz as coisas particulares, vemos como dos gêneros primeiros provêm os gêneros inferiores. 1° Ao contemplar-se, a Inteligência vê em si todas as coisas que contém: ela possui, assim, o Número, porque é uma e várias. 2° Ela é múltipla nesse sentido de que possui potências numerosas, inalteráveis, infinitas: ora, a infinitude é a Grandeza. 3° Ao contemplar essa grandeza, a beleza da essência, vemos a Qualidade desabrochar. 4° A união da Qualidade e da Quantidade nos revela a Figura. 5° A divisão que a Diferença introduz na Quantidade e na Qualidade gera as diferenças das figuras e as outras qualidades. 6° A Identidade introduz a igualdade, e a Diferença a desigualdade no número e na grandeza: daí os números pares e ímpares, os círculos e as figuras compostas de elementos desiguais. — Assim, por meio de sua vida intelectual, a Inteligência contém em si mesma e abrange com um único olhar todas as essências, que a razão discursiva descobre sucessivamente e de forma imperfeita. Visto que a Inteligência é a unidade onde existem conciliadas em uma síntese universal todas as essências eternas, todas as coisas vivas e animadas, ela é em si mesma um Animal perfeito; e, para o ser que ela engendra, ela é o inteligível quando se revela a ele. (XXII) Esta doutrina está em conformidade com o que Platão ensina sobre este assunto no Timeu e no Filebo. //BCG57// I. Questões preliminares (capítulos 1-3). 1. Tema (1, 1-5). 2. Seis hipóteses (1, 5-16). 3. Distinção fundamental entre o Ser e o devir (1, 16-33). 4. Unimultiplicidade do Ser (capítulos 2-3). II. Método (capítulos 4-6). 1. A partir da unimultiplicidade do corpo (4, 1-17). 2. A partir da unimultiplicidade da alma (4, 17-6, 20). III. Os cinco primeiros gêneros (cap. 7-8). 1. Movimento e Ser (7, 1-24). 2. Repouso (7, 24-45). 3. Ser, Repouso e Movimento (8, 1-24). 4. Identidade e Alteridade (8, 25-49). IV. Não há mais gêneros primeiros: eliminação dos demais (capítulos 9-18). 1. O Ser Único (capítulos 9-12). 2. A quantidade (capítulo 13): não é um gênero primeiro. 3. A qualidade (capítulos 14-15). 4. Relação, onde, quando, ação, paixão, ter e jaz (cap. 16). 5. O bem (cap. 17): não é um gênero primário. 6. A beleza (18, 1-8). 7. Virtudes (18, 8-17). V. Os gêneros primários e suas espécies (capítulos 19-22). 1. Abordagem (capítulo 19). 2. A Inteligência — gênero, universal — e as Inteligências particulares (capítulo 20). 3. Gênese da multiplicidade na Inteligência (capítulos 21-22). //APE// VI. 2 Os gêneros platônicos. Gêneros e Princípios. Ser e Devenir (novamente, o absurdo do “algo” estoico) (cap. 1). O Ser é um e muitos: seus gêneros co-iguais são também princípios (cap. 2). A causa transcendente Única dos gêneros: os gêneros na unidade do Ser Único: inadequação da razão discursiva para apreender isso (cap. 3). Ser corpóreo e inteligível: a Alma como um exemplo prático do inteligível (cap. 4). A unidade e a multiplicidade da Alma, e do Ser Único (cap. 5 e 6). O movimento como vida na Alma e no Intelecto. Necessidade também do gênero Repouso (cap. 7). O discernimento por visão direta do Ser, do Movimento e do Repouso no Intelecto: isso traz consigo o discernimento do Mesmo e do Outro (cap. 8). Existem mais gêneros? Por que o Um transcendente não é um gênero (cap. 9). Por que o Um no Ser Único não é um gênero: como esse Um está no Ser (capítulos 9-11). Todas as coisas, incluindo as entidades matemáticas, que parecem não ter alma, tendem para o Um e o Bom (capítulos 11-12). Quantidade e número são posteriores e derivados dos cinco gêneros platônicos (capítulo 13). O mesmo vale para a qualidade: no mundo inteligível, ela é a atividade da substância (cap. 14). O Ser e os outros quatro gêneros platônicos (cap. 15). Não há lugar para as outras categorias aristotélicas no inteligível (cap. 16). O Bom não é um gênero: a atividade, a vida ou o movimento do Ser Único em direção ao Bom transcendente é o seu bem (cap. 17). O Belo pertence à Substância, o Conhecimento é Movimento. O Intelecto não é um gênero, mas tudo o que verdadeiramente existe: e as virtudes são suas atividades (cap. 18). Os gêneros e suas espécies: universal e particular no Intelecto (cap. 19 e 20). A grande visão do Intelecto, na qual, derivando dos gêneros primários e juntamente com eles, são discernidas a Qualidade, a Quantidade, o número e a figura. A onnicompreensão do Intelecto (cap. 21); Exegese de Timeu 39E (a Criatura Viva Completa) em termos desta doutrina, com textos confirmatórios de Parmênides e Filebo (cap. 22). //LPE// **6.2** 6.2 (43) aborda a questão de quais são os gêneros do ser, e a resposta desenvolvida por Plotino baseia-se nos cinco gêneros maiores do Sofista de Platão. A primeira questão a ser resolvida é o que é um gênero do ser (§§1–3). Eles devem ser primários, ou seja, não subordinados uns aos outros nem a qualquer outro gênero. §1. Os gêneros platônicos. §2. O Ser é um-muitos. §3. Os gêneros do ser são secundários, causados pelo Um. §4. E são seres inteligíveis, em vez de devir, ou seja, não são corpo. §5. A alma, por outro lado, é um princípio que produz as coisas, por ser a fonte de seus princípios expressos (λόγοι). §6. Embora a alma seja uma, de fato uma única alma, ela é a fonte das formas que produzem todos os corpos. §7. Na alma, encontramos o Ser, a Vida e o pensamento, que, em termos dos gêneros mais amplos, fornecem a Plotino o Ser, o Movimento e a Estabilidade. Esses gêneros estão situados no Intelecto: seu modo de pensar deve ser compreendido em termos de Ser, Movimento e Estabilidade. §8. Visto que cada um deles é idêntico a si mesmo e diferente dos outros, são acrescentados mais dois gêneros: Identidade e Diferença. §§9–18. Esses cinco gêneros não podem ser ampliados, especialmente não pelo Um, que não é um gênero, nem pela quantidade (§13), nem pela qualidade (§§14–15), nem pelos gêneros relativos ou outros gêneros peripatéticos (§16). Outros candidatos também são excluídos: o Bem (§17), o Belo e as virtudes (§18). §19. Mas como os gêneros supremos se relacionam com suas espécies? O Ser, isto é, o Intelecto, produz os intelectos particulares e também a alma. §20. A maneira como os intelectos particulares são produzidos pelo Intelecto. §21. O Intelecto também produz coisas particulares. §22. Por fim, Plotino relaciona sua exposição com a de Platão – Timeu 39E, Parmênides 144 a.C., Filebo 16E. ---- {{indexmenu>.#1|tsort nsort nocookie}}