===== TRATADO 22 (VI, 4) - SOBRE A RAZÃO PELA QUAL O SER, UNO E IDÊNTICO, É POR TODA PARTE INTEIRO ===== //[[end6>4:|Enéada VI,4]]// //BP// Capítulo 1: Introdução: Como a alma está presente em todo o universo? 1-29. Duas soluções do Timeu e as aporias. 29-34. Como a alma, incorpórea e sem dimensão, se estende por todo o universo? Capítulos 2 a 6: Primeira explicação. Cap. 2. O universo sensível encontra-se no universo inteligível, do qual é uma imitação. Cap. 3. O inteligível está em toda parte, pois não pertence a nenhuma das coisas que o recebem de forma imperfeita, e não se encontra em um único lugar. Cap. 4. A multiplicidade dos intelectos e das almas explica-se pelo fato de que a multiplicidade e a unidade coexistem no inteligível. Cap. 5. A alma é grande, mas não no sentido de possuir massa e grandeza. Cap. 6. A alma pertence ao corpo que se aproxima dela; e cada corpo recebe uma alma diferente. Capítulos 7 a 16: Segunda explicação. Cap. 7. Metáfora da mão e metáfora da esfera luminosa. Cap. 8. Por ser incorpóreo, o inteligível não possui nenhuma das características dos corpos: o lugar, a divisibilidade, a passividade. Cap. 9. O inteligível não vem por si mesmo ao sensível, mas as potências deste mundo são imagens do inteligível e dependem de seu modelo. Cap. 10. A relação imagem-modelo, entre o sensível e o inteligível, implica a dependência da imagem em relação ao seu modelo. Cap. 11. Uma coisa participa do inteligível apenas na medida em que pode; é em virtude de sua diferença de potência que existe no inteligível um primeiro, um segundo e um terceiro. Cap. 12. Metáforas do ouvido, dos olhos, do som e do ar; como a alma total permanece em si mesma, enquanto o corpo se aproxima dela e se apodera de uma alma. Cap. 13. O sensível só pode participar do inteligível, isto é, daquilo que é diferente dos corpos. Cap. 14. A mesma alma basta a todos os seres vivos, pois é ilimitada no sentido de que contém todas as almas e todos os intelectos; sobre a verdadeira natureza do homem. Cap. 15. O corpo que se aproxima do inteligível recebe apenas o que lhe é próprio; nos seres vivos, o corpo pode dominar o inteligível; metáfora sobre a assembleia do povo. Cap. 16. Explicação do vocabulário empregado por Platão no decreto de Adrasteia (Fedro 248c-249b). //[[https://archive.org/search?query=Bouillet+Plotin&sort=-downloads|Ennéades]]// (I) A questão abordada neste livro é: como é que a Alma universal, que é incorpórea e sem extensão, pode se espalhar pelo espaço, seja antes da formação dos corpos, seja ao mesmo tempo em que eles se formam? (II-III) O Ser Primeiro é o verdadeiro universal. Princípio que faz subsistir e que move o mundo sensível, ele está em toda parte; mas, como ele próprio é esse XXXVI que se chama em toda parte, ele só existe em si mesmo. Enganados por uma ilusão grosseira, dizemos “em toda parte” ao falar do mundo sensível, e acreditamos que ele é grande; mas ele é, na verdade, pequeno. Por isso, ele precisa da presença do Ser Primeiro, que nunca está nem perto nem longe dele, já que não está contido em um lugar determinado, e que está sempre presente nas coisas que podem recebê-lo. O Ser Primeiro se espalha, de fato, por toda parte por meio de seus poderes, comunicando-os a cada coisa na medida em que cada coisa pode participar deles. Ele está, assim, presente em toda parte, embora permaneça separado: pois ele não seria mais o princípio universal presente em toda parte em sua totalidade, se se tornasse a essência de um ser particular e se estivesse circunscrito a um lugar determinado. Ele seria, então, divisível. Mas não se pode dividir a vida, a essência, a inteligência, porque elas não são uma quantidade como o corpo. (IV-V) O Ser Primeiro é um e idêntico em toda parte, mas sua unidade não impede a pluralidade dos seres. O Ser Primeiro gera essa pluralidade sem sair de si mesmo nem perder nada de sua universalidade. Da mesma forma, a Alma universal é uma, apesar da pluralidade das almas, e cada alma é uma, indivisível, presente em todo o corpo, apesar da pluralidade dos órgãos. Essa pluralidade das almas não resulta da divisibilidade própria dos corpos. Antes de haver corpos, já existiam a Alma universal e as almas particulares. Por um lado, as almas particulares existem em ato na Alma universal, e são distintas umas das outras, não pelo lugar que ocupam, mas por sua diferença essencial. Por outro lado, todas elas estão contidas na Alma universal, porque ela é infinita. Ora, a Alma universal é maior do que o mundo sensível no que diz respeito à potência, mas não no que diz respeito à quantidade: pois ela não é uma grandeza. (VI) A Alma universal vivifica, em conjunto com as almas particulares, os corpos que estão no mundo sensível. Em cada um deles, a Alma universal e a alma particular diferem por seus atos intelectuais. (VII-VIII) A Alma universal, embora contenha e vivifique a pluralidade das almas, permanece uma, idêntica, indivisível, tal como a força motriz da mão, se a considerarmos independentemente do órgão sobre o qual exerce sua ação, ou ainda como a luz, considerada independentemente dos corpos que ilumina. Mas a luz, sendo relativa aos corpos, tem uma origem local que é fácil de indicar. Não é o mesmo que acontece com a Alma universal: sendo imaterial, ela não ocupa um lugar determinado; antecipando-se ao corpo, ela não pertence nem a um deles, nem a todos, seja como modo, seja como forma; consequentemente, é indivisível, pois não tem extensão. Para compreender a presença da unidade na pluralidade, é preciso bem conceber que a unidade subsiste inteiramente em si mesma e em cada uma das coisas onde se percebe. (IX-X) Foi dito acima que o Ser universal está presente em toda parte por meio de suas potências. Ora, sendo a potência inseparável da essência, as almas que formam as partes da Alma universal são ao mesmo tempo potências e essências conformes entre si, mas inferiores ao princípio do qual procedem. Como elas não poderiam subsistir se estivessem separadas dele, resulta que, também sob esse ponto de vista, a Alma universal está presente em toda a sua totalidade em toda parte, sem sofrer nenhuma divisão. Ela está com as almas individuais na mesma relação que o modelo com as imagens que produz, e sendo o modelo aqui eterno, as imagens são elas mesmas imortais. (XI) Embora o Ser inteligível esteja presente em toda a sua totalidade em toda parte, ele se comunica em graus diversos, e sua presença não é local, mas inteligível, como a da ciência na alma. Como, aliás, as essências se distinguem suficientemente umas das outras por suas diferenças, nada impede que subsistam juntas, e o Ser inteligível que as contém todas é ao mesmo tempo simples e variado, uno e múltiplo. (XII-XIII) Assim como uma voz se faz ouvir por inteiro em toda parte, a Alma universal penetra e vivifica tudo, sem ter extensão local. Ela é idêntica em si mesma e nas coisas; comunica-lhes seu poder único e indivisível assim que elas se aproximam para participar dele, para entrar no mundo da vida. Este mundo não tem extensão. Se tivesse extensão, os corpos não precisariam participar dele. (XIV-XV) A existência da Alma universal não destrói a individualidade das almas particulares. A Alma universal abrange em sua unidade todas as almas, todas as inteligências particulares, mas estas se distinguem umas das outras por suas diferenças essenciais, sem qualquer separação local. É por isso que, antes de entrarmos na geração, éramos almas puras, inteligências unidas ao mundo inteligível. Ainda hoje não estamos separados dele; mas o corpo que nos foi dado, estando disposto para ser animado, recebeu aquilo para o qual era apto. Embora a Alma universal esteja inteiramente presente em nosso corpo, ele não a recebeu na totalidade; participou dela de acordo com sua capacidade natural. Ele não possui em si uma parte da Alma universal, mas um poder que dela deriva, que constitui a natureza animal e que engendra as paixões produzidas pela união da alma e do corpo. (XVI) Resta demonstrar que esta doutrina está de acordo com a dos antigos. Dizer que a alma desce ao corpo significa que este participa da alma e da vida, seja qual for, aliás, o modo dessa participação. Dizer que a alma sai do corpo significa que ela deixa de fazê-lo participar de sua natureza. Se se afirma que a união da alma e do corpo é má, é porque, de universal que era, a alma torna-se particular e não aplica mais sua atividade ao mundo inteligível, embora continue a pertencer a ele; como aquele que, possuindo a ciência inteira, fixaria seu espírito em uma das noções particulares que ela contém, em vez de considerar o conjunto. Por fim, quando se diz que a alma está no inferno, isso significa que a alma está separada da Alma universal e unida ao corpo. Mas, após a destruição do corpo, a alma, tendo retornado à sua pureza original, vive inteiramente no mundo inteligível; apenas sua imagem desce ao inferno. //BCG57// I. Introdução: a onipresença da alma é natural ou acidental? (VI 4, 1). 1. As duas alternativas (1, 1-8). 2. Objeções contra a onipresença natural (1, 8-13). 3. Objeções contra a onipresença acidental (1, 13-29). 4. Problema (1, 29-34). II. Primeira fundamentação da onipresença (VI 4, 2-10). 1. Onipresença do Ser: natural, total e imediata (capítulos 2-3). a) Onipresença natural (2, 1-39). b) Onipresença total (2, 39-49). c) Onipresença imediata (capítulo 3). 2. Onipresença e unimultiplicidade (cap. 4-6). a) No Ser (4, 1-26). b) Na Alma (4, 26-6, 20). 3. Onipresença e identidade indivisível (cap. 7-10). a) Das analogias (cap. 7). b) Onipresença e participação (cap. 8-10). III. Objeções e respostas (VI 4, 11-16). 1. Primeira aporia: Onipresença, multiplicidade e participação (cap. 11-12). 2. Segunda aporia: Onipresença e indivisibilidade (cap. 13). 3. Terceira aporia: Unimultiplicidade da Alma (cap. 14-15). 4. Quarta aporia: Escatologia tradicional (cap. 16). IV. Nova fundamentação da onipresença (VI 5, 1-10). 1. Argumento 1.º: Crença universal na onipresença de Deus (cap. 1). 2. Argumento 2.º: Natureza do Ser verdadeiro (capítulos 2-3). 3. Argumento 3.º: a onipresença, atributo da divindade (4, 1-13). 4. Argumento 4.º: Infinitude: «infinito, logo imenso» (4, 13-17). 5. Objeção contra a onipresença imediata e resposta (4, 17-24). 6. Unimultiplicidade e onipresença: novas precisões (cap. 5-10). 7. Onipresença e articipação: novas precisões (cap. 8). 8. Unimultiplicidade e onipresença da Alma: novas precisões (9, 1-10, 40). 9. Conclusão (10, 40-52). V. Resolução de dificuldades (VI 5, 11-12). 1. Problema 1 (cap. 11). 2. Problema 2 (12, 1-15). 3. Problema 3 (12, 15-36). //APE// A onipresença da alma: por não ser um corpo, ela está presente como um todo em todo o corpo (cap. 1). O universo inteligível, que é o que realmente existe, não se encontra em mais nada, mas em si mesmo; sua imagem, o universo sensível, está no inteligível (cap. 2). O universo inteligível está presente apenas por meio de seus poderes? Não, onde seus poderes estão, ele próprio está imediatamente presente como um todo, embora não em um lugar (cap. 3). Os muitos seres, intelectos e almas de que fala Platão são todos um só na unidade do Ser-Intelecto ou da Alma (cap. 4). A grandeza do Ser não é uma questão de volume material (cap. δ). Quantos corpos chegam e participam da única alma (cap. 6). A unidade do poder imaterial; crítica à imagem da emanação (cap. 7). A participação do sensível no inteligível não envolve divisão do inteligível: ele está presente para cada participante como um todo (cap. 8-10). O mundo sensível é uma imagem natural, não artificial, do inteligível (cap. 9-10). Participação de acordo com a capacidade do participante (cap. 11). O único som ou visão e os muitos ouvintes ou videntes; a alma não “vem” para o corpo, mas o corpo para a alma (cap. 12). O estendido participa do não estendido (cap. 13). A unidade na diversidade do Intelecto e da Alma: mas quem somos nós? O “outro homem” que veio e se ligou ao nosso verdadeiro eu original, que estava e está na unidade na diversidade do inteligível (cap. 14). O que se aproxima é o corpo vivo, já com uma participação na alma; nosso eu superior e inferior, como o Senado e a multidão (cap. 15). A “descida” da alma como autolimitação e particularização; sua libertação é o retorno ao todo e a separação de sua imagem (cap. 16). //LPE// §1. Discussão sobre como a alma está presente em todo o cosmos, primeiro com duas soluções do *Timeu* e, em seguida, com o enigma fundamental de como algo sem extensão pode se estender por todo o mundo sensível. §§2–6. Uma primeira explicação. O §2 explica que o mundo sensível está no mundo inteligível e é uma imitação deste. §3 argumenta que o inteligível está em toda parte, na medida em que não pertence a nenhuma das coisas que o recebem imperfeitamente; de qualquer forma, ele não está em um lugar. §4 mostra que há uma multiplicidade de intelectos e almas porque tanto a multiplicidade quanto a unidade estão presentes no inteligível. §5 argumenta que a alma é grande, mas não de tal forma que tenha massa e tamanho. A alma pertence ao corpo que avança em direção a ela. §6 explica quantos corpos participam de uma única alma. §§7–14. Uma segunda explicação. §7 oferece duas imagens para auxiliar a compreensão: a da mão e a da esfera luminosa. §8 argumenta que, uma vez que o inteligível é incorpóreo, ele não possui nenhuma das propriedades dos corpos, especialmente lugar, divisibilidade e passividade. Por si só, o inteligível não entra no sensível. §§9–10 Os poderes sensíveis são imagens do inteligível e, portanto, dependem de seu modelo. §11 Cada ser participa do inteligível apenas na medida em que é capaz. §12 oferece uma série de imagens – ouvidos e olhos, e a presença do som e da visão no ar. Enquanto a alma permanece em si mesma, o corpo se aproxima dela e a recebe. §13 O sensível só pode participar do inteligível, ou seja, de algo não corpóreo. §14 A alma em si mesma é suficiente para todos os seres vivos, na medida em que é ilimitada, contendo todas as almas e intelectos. §§15–16. Quando um corpo se aproxima do inteligível, recebe apenas o que lhe é apropriado. Nos seres vivos, o corpo pode dominar o intelecto. O §16 explica os termos utilizados pelo decreto de Adrastos (Platão, Fedro 248C–249B). ---- {{indexmenu>.#1|tsort nsort nocookie}}